Cultura

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Após uma temporada de grande sucesso, o projeto Clube da Cena está de volta para a sua 8ª edição. A iniciativa, realizada pela companhia de teatro Os Argonautas e pelo professor, ator e diretor Harildo Deda em parceria com a Fundação Gregório de Mattos (FGM), é um espaço para o aperfeiçoamento e treinamento das técnicas de interpretação por meio de exercícios, pesquisas e estudos.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas através do formulário disponível no link https://forms.gle/DNVBoZBm594ceKkLA. As aulas terão início ainda no mês de março e serão ministradas no Espaço Cultural Boca de Brasa, localizado na Ladeira da Barroquinha, no Centro Histórico de Salvador.

O tema desta 8ª edição será Cena Brasileira, e se desenvolverá nos meses subsequentes através de aulas e ensaios conduzidos por Marcelo Flores e Alethea Novaes, além de aulas especiais, palestras e rodas de conversa com profissionais convidados com trajetória marcante no teatro brasileiro e na cena local.

“Essa edição é uma continuidade da parceria com a FGM do trabalho desenvolvido em 2023 e é dedicada ao teatro brasileiro, com personagens e cenas de obras primas da dramaturgia nacional e espetáculos que são patrimônio cultural de nossa história, formação e identidade”, explica Marcelo Flores, diretor do projeto.

As sete edições anteriores resultaram em leituras encenadas e espetáculos com atores convidados, e esta é a primeira com inscrições abertas para seleção de participantes. Ao final do curso, o grupo apresentará ainda um espetáculo inédito criado a partir do estudo desenvolvido no projeto.

Titular da FGM, Fernando Guerreiro destacou a importância do trabalho do Clube da Cena: “O trabalho do grupo é primoroso, porque prioriza os atores e dá a eles uma base técnica para que possam ter consciência apurada da interpretação. É uma oportunidade única e imperdível”, relata o gestor.

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A Casa das Histórias de Salvador (CHS), primeiro centro de interpretação do patrimônio da capital baiana, e o Arquivo Municipal de Salvador foram oficialmente entregues aos soteropolitanos nesta segunda-feira (29). Com um acervo digital e físico, os equipamentos vão apresentar uma nova narrativa sobre os quase cinco séculos da cidade, destacando as histórias, saberes e fazeres de pessoas comuns, geralmente ignorados pela história oficial. Os espaços foram inaugurados nesta segunda-feira (29) pelo prefeito Bruno Reis, acompanhado do secretário da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), Pedro Tourinho, demais autoridades municipais e imprensa.

No discurso, o prefeito Bruno Reis ressaltou que o CHS e o Arquivo Municipal são um marco importante para a preservação da memória de Salvador e do Brasil. “Eles vão marcar de forma definitiva a história de nossa cidade. A Casa das Histórias era aquele casarão abandonado do passado e que agora virou um dos mais bonitos de Salvador, e ainda estamos inaugurando esse prédio de 12 andares, que foi totalmente construído. Um povo que não preserva seu passado não tem como construir o seu presente e o seu futuro. Está aí a nossa história para os nossos filhos”, declarou.

Localizada no Comércio em um casarão centenário que foi completamente revitalizado, a CHS tem como foco a contribuição das pessoas negras e indígenas para a formação da cidade. O espaço é um convite à população para participar ativamente e refletir acerca dos sentidos, da memória e do futuro da capital baiana. O investimento municipal no complexo foi superior a R$93 milhões.

Nos quatro andares, a Casa das Histórias irá proporcionar uma imersão na cidade de Salvador, quer seja através de suas festas populares, com o curta-metragem “Traçando festas”, quer seja acessando parte do acervo do Arquivo Público Municipal, um prédio de 12 andares integrado à Casa das Histórias. O acervo possui mais de 4 milhões de documentos que retratam a história de Salvador, da Bahia e do Brasil, além de 193 mil itens documentais, como fotografias e matérias históricas – todo esse material, que estava em processo avançado de degradação, foi 100% recuperado e digitalizado.

Para o secretário Pedro Tourinho, o novo equipamento cultural irá promover uma reflexão acerca da memória da cidade. “A Casa das Histórias de Salvador é o espaço em que a cidade conta sua própria história. Por entre memórias escritas, orais, ecológicas e visuais podemos fazer uma viagem inspiradora pelas narrativas que nos constituíram enquanto cidade e povo que se mostra e se pensa”, afirmou.

Construção popular – Interligando os quatro andares, as “Escadas do Patrimônio” refletem a riqueza histórica e cultural de Salvador, representadas em 50 imagens de cenas e ícones da cidade, decoradas em 600 azulejos, com curadoria de José Eduardo Ferreira Santos, fundador do Acervo da Laje, espaço de memória artística, cultural e de pesquisa, situado em São João do Cabrito. A Casa das Histórias também terá representações das paisagens naturais da cidade, através de imagens acompanhadas de uma trilha sonora original, e um espaço com destaque para a formação geográfica de Salvador, com uma maquete topográfica do Centro Histórico da cidade.

Projeto – O equipamento municipal é gerido pela Secult e contou com museografia assinada pela curadora Ana Helena Curti, do consórcio Memorar. Além disso, foi financiado com recursos do Prodetur.

Ana Helena explicou que a proposta do espaço é provocar experiências mais diversas como a sonora, sensorial e de imersão em projeções. “A ideia é trazer para a Casa das Histórias outros pontos de vista e conteúdos que provavelmente as pessoas ainda não conhecem. Isto para que elas possam conhecer e somar ao imaginário que já tem. Então a gente traz o que o povo soteropolitano pode contribuir com a cidade. Temos pessoas que deram depoimentos, se envolveram no processo de conteúdo porque fazemos tudo com as pessoas”, enfatizou.

Ambientes – A CHS apresenta uma narrativa nova sobre os quase cinco séculos de Salvador, utilizando conteúdos digitais e um acervo físico que incluem saberes e fazeres das pessoas comuns, normalmente não abordados pela história oficial da cidade, ressaltando a contribuição negra e indígena para a formação da primeira capital do país, de modo a convidar os visitantes a participar ativamente da reflexão acerca dos sentidos da memória e do futuro da capital baiana.

No térreo da Casa, o visitante encontra a recepção, a loja da CHS, o mapa do patrimônio mundial natural e cultural da Unesco, bem como texto Manifesto do equipamento. No 1º andar, uma representação do patrimônio natural de Salvador, concebida por meio de uma experiência imersiva na qual as paisagens naturais da cidade (as tonalidades da luz solar, o mar da Baía de Todos os Santos, a flora e da fauna da Mata Atlântica e da Restinga, os rios e lagoas) são expostos a partir de imagens poeticamente criadas e acompanhadas por uma trilha sonora original.

Subindo mais um andar, a formação da geografia de Salvador é aludida através de uma maquete topográfica do Centro Histórico da cidade (seu núcleo formador), onde são sinalizados 24 pontos do patrimônio local. Sobre a maquete, duas projeções mapeadas em painéis suspensos apresentam imagens em movimento percorrendo toda a extensão urbana que contém os demais bairros, até os limites da capital.

O mesmo pavimento conta ainda com 48 conteúdos em que 24 “diálogos do patrimônio” relacionam localidades da cidade aos pares em função de certas conexões históricas que os vinculam, a exemplo da Barroquinha e do Engenho Velho da Federação, ligados por terem sido os territórios onde foram erguidos os primeiros terreiros de candomblé.

Já no 3º andar o público é convidado para duas experiências: assistir ao curta-metragem “Trançando Festas”, sobre as festas de largo da cidade, em um painel de LED em frente à arquibancada do pavimento; e conhecer os 24 retratos de mulheres, homens e crianças comuns, de diferentes etnias, faixas etárias, territórios e atividades profissionais, que assumem o protagonismo de narrar os fatos e expressões culturais que inspiram seu sentimento de pertencimento à cidade.

O 4º e último andar, que se liga ao novo prédio do Arquivo Público Municipal, possui uma área dedicada a apresentar parte do acervo do arquivo, bem como a história do prédio centenário que abriga a CHS, restaurado das ruínas para este fim. Em outro espaço deste pavimento, há uma área para exposições temporárias, que recebe em uma sala a expo Mundos do Trabalho; e em outra, peças do Acervo da Laje.

Interligando os quatro andares, as “Escadas do Patrimônio” refletem a riqueza histórica e cultural de Salvador, representadas em 50 imagens de cenas e ícones da cidade (roda de capoeira, tabuleiro de baiana do acarajé, pesca com rede), decoradas em 600 azulejos, com curadoria de José Eduardo Ferreira Santos, fundador do Acervo da Laje.

No que diz respeito à acessibilidade, a CHS tem peças elaboradas com relevos e texturas que favorecem a visita de pessoas com deficiência visual, além de mapa e QR Code táteis, audioguia descritivo, videolibras, textos em braile e pictogramas – conteúdos representados por figuras que facilitam a compreensão de crianças, pessoas com déficit cognitivo e doenças mentais.

Funcionamento – A Casa das Histórias funcionará de terça a domingo, das 10h às 18h, com última entrada às 17h. Os ingressos para visitação podem ser retirados através do Sympla, com entrada gratuita até 31 de março.

Novo polo histórico-cultural – O prefeito Bruno Reis destacou que, graças aos investimentos recentes, a região da Praça Cairu já é uma das zonas culturais mais importantes de Salvador. Além da Casa das Histórias, o município está construindo a Casa de Espetáculos e a Escola de Arte, prédios anexos à Cidade da Música, equipamento que também foi entregue na atual gestão. Ali também está o Mercado Modelo, recentemente revitalizado, que agora possui a Galeria Mercado. Além disso, o Polo de Economia Criativa Doca 1 e o Hub Salvador também ficam próximos, na Avenida da França.

“Fazer esse nível de investimentos não foi fácil, mas está aí, entregue, mais um legado que nós vamos deixar para a história de Salvador. Aqui, teremos cinco equipamentos. Nós já entregamos três e mais dois estão em construção. Aqui, será o principal quarteirão cultural do Brasil. Com todos eles juntos, vamos nos fortalecer e nos consolidar no turismo. No passado, a gente oscilava entre terceiro e segundo destino do país. Mas, para 2024, Salvador é a cidade mais desejada do Brasil pelos brasileiros, de acordo com o Ministério do Turismo”, ressaltou Reis.

O prefeito citou ainda outras conquistas da cultura soteropolitana que tiveram a realização da Prefeitura. “Nós entregamos o Memorial do 2 de Julho, na Lapinha, para comemorar os 200 anos da Independência da Bahia. O Muncab, Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, que se arrastava há 20 anos, entregamos em novembro passado. Vem aí o novo Teatro Vila Velha, o novo Cine Excelsior e a nova Senzala do Barro Preto, sede do Ilê Aiyê”, elencou.

“Nós entendemos a importância da cultura. Não apenas por valorizar a nossa história, mas pelo potencial e pelo caldeirão cultural que é Salvador. Todos os principais movimentos de cultura do Brasil são liderados por artistas baianos, desde a Tropicália, passando pela Bossa Nova, e chegando à revolução que o Axé Music promoveu. E tudo isso gera emprego, gera renda, gera oportunidades para os soteropolitanos”, finalizou Bruno Reis.

Reportagem: Joice Pinho / Secom PMS

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Neste domingo (21), é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Para destacar a data, uma atividade será realizada no Parque Pedra de Xangô, a partir das 9h, com um grande Xirê e ritual de plantio de baobá ao som do Afoxé Omorobá e do Samba das Obás. O evento, organizado por Mãe Diala, do Ilê Asè Baba Ulufan Alá, e Pai Josias do Ilê Asè Obá Paleomon, contará com a presença das Matriarcas da Pedra de Xangô.

A Pedra de Xangô é um sítio natural sagrado afro-brasileiro, sede de uma Área de Proteção Ambiental e patrimônio cultural reconhecido pela Fundação Gregório de Mattos - FGM e patrimônio geológico de relevância nacional reconhecido pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM. O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é uma homenagem a Mãe Gilda de Ogum, do Ilê Axé Abassá de Ogum, localizado no Abaeté, que faleceu no dia 21 de janeiro de 2000, há 24 anos, em decorrência de problemas de saúde oriundos de agressões morais frutos da intolerância religiosa.

A advogada, mestra e doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Maria Alice Pereira da Silva, é autora do livro "Pedra de Xangô: um lugar sagrado afro-brasileiro", que compôs o dossiê de tombamento da pedra enquanto laudo etnográfico. Ela lembra que, lamentavelmente, o espaço, como o primeiro no Brasil a ostentar o nome de um Orixá, tem sido alvo de diversos atos de racismo religioso e intolerância religiosa.

“Dia 21 de janeiro não é dia de comemoração, mas de reflexão e mobilização pelo fortalecimento da luta contra o racismo religioso e intolerância religiosa. A Pedra de Xangô é um centro de convergência de diversos rituais privados, semipúblicos e públicos de uma gama de comunidades de terreiros que se comunicam e se conectam em rede. É, ainda, o lugar e a linha em que é tecida a teia dos terreiros de Salvador, tornando-se encruzilhada religiosa, comunitária e política do Povo de Terreiro da Cidade”, reforça a advogada.

Em Salvador, a Secretaria Municipal de Reparação (Semur) conta com uma série de ações que beneficiam religiões de matriz africana na cidade, em parceria com a sociedade civil através do Conselho Municipal das Comunidades Negras (CMCN).

Lembrança - O coordenador de Ações Transversais da Semur, Eurico Alcântara, é pai de santo do Terreiro Aloyá, também no Abaeté, e conviveu com Yá Gilda. “Relembrar esta data para mim que conheci e convivi com a Yá Gilda, é fazer uma viagem não só ao ano 2000, quando tudo aconteceu, mas há anos 70, quando a conheci. Ela é lembrada não só dia 21, mas todos os dias, pois passo sempre pelo busto e vivo isso todo dia. Quando hoje vemos que o ódio religioso ainda é instigado por alguém, assusta”, disse.

Alcântara conta que, como sacerdote de matriz africana, a intolerância é sentida na pele todos os dias. “As ações da Semur estão mudando isso, nós estamos trabalhando isso, mas ainda percebemos em alguns setores o quanto a gente ainda é discriminado, e isso machuca. É importante estar todo dia fazendo esse trabalho, a Prefeitura tem feito isso, quando nos permite ter o PCRI, quando traz o Conselho Municipal de Comunidades Negras (CMCN) e essa pluralidade diversa. Para nós, o 21 de janeiro é todos os dias”, salientou.

“As pessoas precisam saber que a luta é todos os dias. A intolerância fere e mata. Se tem uma coisa que é devastadora na vida de um ser humano é a intolerância, principalmente religiosa”, afirma o coordenador. “Nós lutamos em prol da mulher, pelos orixás, inquisses, voduns, pelos encantados, e pela pessoa humana que são as ialorixás, as mulheres de maneira geral, e os homens”, concluiu.

Data significativa - Para o presidente do Conselho Municipal das Comunidades Negras (CMCN), vinculado à Secretaria Municipal da Reparação (Semur), Evilásio Bouças, embora a data seja referência devido a um ato que vitimou Yá Gilda, “se criar um dia específico para se discutir, para se fazer manifestações e chamar atenção da população, mostra que precisamos estar a todo instante chamando a atenção, através dessas ações, com caminhadas, dias específicos, para que a gente consiga conscientizar o ser humano da necessidade do respeito ao outro. Essa data é muito significativa para nós, que estamos nesses espaços, trabalhando para a eliminação do racismo, da intolerância e demais formas de preconceito, por uma sociedade mais justa e igualitária”.

Ele destaca a importância do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. “A data não é uma comemoração, mas um dia para chamar atenção para que se busque ações, políticas públicas, conscientização das pessoas sobre esse tema que é tão doloroso. A gente precisa respeitar o outro, a diferença, a orientação religiosa, o que o outro acredita como importante para você”, finalizou Bouças.

Racismo institucional – Na Semur, há uma série de iniciativas voltadas para combater a intolerância. O carro-chefe do órgão é o Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), que vem trabalhando a relação internamente nas secretarias.

Hoje, além do PCRI, a Semur atua com o cadastramento de terreiros, que é considerada uma ação efetiva, com o reordenamento e credenciamento com seus nomes oriundos da sua natureza e não fictícios para ocultar sua crença. Além do cadastramento, é feito um mapeamento com georreferenciamento dos terreiros em parceria com a Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), que garante isenção fiscal para vários desses espaços religiosos na cidade.

Neste período de Carnaval, é instituído o Observatório da Discriminação Racial, que funciona coletando denúncias, dando apoio institucional e auxiliando no encaminhamento da vítima ao Ministério Público ou Defensoria Pública.

Outro ponto positivo é o Selo da Diversidade Étnico-Racial, onde são desenvolvidas ações de equidade racial e sensibilização das instituições. Ao final do período de avaliação, as empresas recebem uma certificação, que é renovada anualmente e pode vir a ser cancelada se houver descumprimento das diretrizes. Além disso, já está em vigor o Estatuto da Igualdade Racial, regulamentado em novembro de 2021, com ações já colocadas em prática pela Semur.

Em 2023, foi sancionada a Lei 14.532, que equipara a injúria racial ao crime de racismo e protege a liberdade religiosa, com pena de dois a cinco anos para quem obstar, impedir, ou empregar violência contra quaisquer manifestações ou práticas religiosas. A pena será aumentada a metade se o crime for cometido por duas ou mais pessoas, além de pagamento de multa.

Conselho – O Conselho Municipal da Comunidade Negra (CMCN) é composto por representantes da sociedade civil. O presidente Evilásio Bouças destaca a presença de representações que acompanham as políticas públicas desde 2004. Além de acompanhar as ocorrências recebidas na secretaria, também atua como um ouvidor social. Graças a isso, hoje diversas ruas no entorno dos terreiros receberam requalificação asfáltica, nova iluminação, além de participar das ações da Prefeitura no âmbito interno.

A atuação do conselho também é importante no combate ao preconceito. Bouças confessa que sente mudanças no combate à intolerância em Salvador, mesmo que mínimas, mas que os debates inter-religiosos, as ações do Ministério Público e a divulgação na mídia ajudam no enfrentamento. E os pedidos de auxílio aumentaram, principalmente “devido ao entendimento equivocado de ‘livre arbítrio e liberdade de expressão’ e do conservadorismo exacerbado”. As vítimas entram em contato com o CMCN através de telefone ou e-mail e, a partir daí, é feito todo o encaminhamento necessário.

Hortas de Folhas Sagradas – Ainda em parceria com a Prefeitura, uma iniciativa conjunta com a Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência (Secis) também tornou possível um estudo de viabilidade técnica para criação de hortas nos terreiros. Nos espaços religiosos, deve ser feito o plantio de mudas específicas e que são comumente utilizadas nos cultos e rituais das religiões de matriz africana.

Entre hortaliças para consumo gastronômico e folhas utilizadas em cultos de religiões de matriz africana, as mudas disponíveis no plantio incluem manjericão, alfazema, alecrim, lavanda e hortelã. Até o final do primeiro semestre deste ano, outras três hortas sagradas devem ser entregues em terreiros da cidade.

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Soteropolitanos e turistas foram agraciados na noite deste sábado (16) com a programação especial de Natal preparada pela Prefeitura de Salvador, que este ano celebra o tema "Salvador Brilha com Você". O Centro Histórico tem oferecido uma variedade de atrações natalinas, porém, com o tempero da cidade.

Isso porque o Natal Identitário trouxe ao público tradições da terra, com baianas, capoeiristas e tambores preenchendo as ruas e praças da região. Outros atrativos dos festejos, as Estátuas Vivas interagiram de forma cativante com os visitantes, enquanto os Brincantes de Papai Noel promoveram alegria e estimularam o espírito natalino no público.

A Praça da Cruz Caída abriga um iluminado presépio natalino, que atraiu famílias com crianças e idosos, enquanto que quem caminhou pela Casa do Olodum teve a oportunidade de apreciar os corais infantis com a Sacada Musical.

Natural de Alagoas, a advogada Flávia Mendes Lavínia, de 43 anos, não economizou nos elogios em relação à estrutura montada pela Prefeitura. “Salvador nunca me decepcionou, seja no Carnaval, que praticamente já sou da casa, e agora também no Natal. A cidade está linda, está de parabéns, de verdade”, declarou.

“Sou nordestina e Salvador é motivo de orgulho para a nossa região por conseguir proporcionar um cenário tão lindo como esse. Já tirei milhares de fotos para guardar comigo essa experiência. Estou ansiosa pela apresentação da cantora Simone, mas em cada esquina me surpreendo. A cidade está maravilhosa”, acrescentou Flávia.

Outra turista que ficou encantada com a programação de Natal foi Gabriella Brito, estudante de Farmácia, de 24 anos. Vinda de Jundiaí, em São Paulo, ela ressaltou a “fusão” da cultura local com as festividades natalinas.

“Estou adorando. Essa é a primeira vez que visito a cidade. Tenho parentes e amigos aqui. Com certeza vou levar uma experiência positiva. Você percebe aqui que a cidade faz questão de trazer as suas características, como a musicalidade e as danças, tudo isso adaptado ao Natal", ,observou.

Enquanto isso, o comerciante Luiz Alberto Rodrigues, de 64 anos, e morador do bairro de Itapuã, evidenciou a organização do evento e o ambiente familiar.

“Estou gostando praticamente de tudo, mas o principal atrativo para mim foi a Sacada Musical”, disse. “O que me chamou muita atenção foi a organização da festa. Você percebe aqui muitos idosos e crianças, principalmente. A cidade e a Prefeitura estão de parabéns”, completou.

Com uma programação diversificada e completamente gratuita, a celebração natalina na cidade irá se estender até o dia 6 de janeiro do próximo ano.

Celebração - Em celebração aos 18 anos do Semae, equipes de saúde envolvidas na atuação do equipamento especializado realizaram uma comemoração na última quinta-feira (14), além de homenagear a profissional Cátia Maria Maia, que atua na unidade desde o início com acolhimentos voltados para serviços relacionados à assistência social.

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As luzes e a emoção do público presente foram os ingredientes perfeitos para a apresentação da cantora Simone na noite deste sábado (16) na Praça Municipal. Com início às 20h, o show faz parte da programação especial de Natal promovida pela Prefeitura de Salvador, que este ano adota o tema "Salvador Brilha com Você" no Centro Histórico.

Celebrando seus 50 anos de carreira, Simone presenteou o público com um repertório variado, incluindo composições de renomados artistas como Milton Nascimento, Ivan Lins, Sueli Costa, João Bosco, Martinho da Vila, Gonzaguinha e Chico Buarque. Entre as músicas mais conhecidas do repertório da noite, destacaram-se "Tô que Tô", "O Que Será" e "Sangrando".

Soteropolitana, a cantora lembrou da sua adolescência na capital durante a apresentação. “Hoje é o nosso último show do ano, e finalizar aqui em Salvador, minha terra, onde está o meu umbigo, aqui nesta praça, onde era todo o percurso da minha vida, me deixa muito feliz, muito satisfeita”, falou a artista, dona do sucesso “Então é Natal”, que não poderia faltar em seu setlist.

Quem marcou presença no local expressou satisfação com toda a programação oferecida pela Prefeitura, além do espetáculo da cantora. Moradora do bairro de São Marcos, a professora Analice Gomes, de 43 anos, não poupou elogios. “Poder presenciar esse momento é motivo de muita satisfação para mim. Acompanho há bastante tempo e sou fã de carteirinha da cantora Simone”, disse.

“A Prefeitura está, sem dúvidas, de parabéns por poder proporcionar esse verdadeiro espetáculo ao soteropolitano e ao turista que visita a nossa cidade. Estou adorando a programação no Pelourinho, as apresentações, as luzes, tudo muito lindo. Encantador de verdade”, emendou a professora.

Acompanhada de boa parte da família, a contadora Verônica Matos, de 52 anos, elogiou não apenas o show de Simone, mas também os demais atrativos natalinos oferecidos em todo Centro Histórico.

“Vim pela apresentação dela, mas estou absolutamente encantada por todos os outros espetáculos que aconteceram. Trouxe praticamente toda a família, marido e filhas, faltou minha mãe, mas não faltarão oportunidades para trazê-la também. Eu acho que ficou perceptível no público todo o encanto pela magia do Natal”.

Com o marido ao lado, Paulo Matos, de 63 anos, destacou a beleza das ruas do Centro Histórico e toda estrutura proporcionada pelo Natal Salvador. “Viemos por Simone, mas o que foi oferecido além do palco, sem dúvidas, nos deixou satisfeitos", contou o servidor público.

Neste domingo (17), o cantor Mateus Aleluia se apresentará no mesmo local às 20h, oferecendo um show que percorrerá os clássicos de sua carreira, desde os tempos dos Tincoãs até suas criações mais recentes, que renderam ao artista uma indicação ao Grammy Latino no ano passado.

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“Santa Luzia, conservai a luz dos meus olhos para que eu possa ver as belezas da criação. Conservai também os olhos de minha alma, a fé, pela qual posso conhecer o meu Deus, compreender os seus ensinamentos, reconhecer o seu amor para comigo e nunca errar o caminho que me conduzirá onde vós, Santa Luzia, vos encontrais, em companhia dos anjos e santuário. Santa Luzia, protegei meus olhos e conservai minha fé. Amém”. 

A oração a Santa Luzia ecoa entre fiéis que buscam proteção e expressam gratidão à santa padroeira dos oftalmologistas e daqueles que enfrentam desafios de visão. A devoção atinge seu ápice na Igreja de Santa Luzia do Pilar, localizada no bairro do Comércio, durante o tríduo que se inicia em 10 de dezembro, culminando nas festividades nesta quarta-feira (13), dia dedicado à santa. Neste ano de 2023, a temática da celebração gira em torno de “Vocação, Missão e Testemunho”. 

O pároco da igreja, padre Renato Minho, que assumiu o cargo há quatro anos, compartilha a rica história do local. A igreja teve sua edificação impulsionada pelos espanhóis que chegaram a Salvador em 1718. O estilo rococó e barroco da arte na igreja é enriquecido por telas pintadas por José Joaquim da Rocha, cujo talento também adornou outras igrejas notáveis da região. 

Entre seus alunos está um negro escravizado: José Teófilo de Jesus, que demostrou habilidades para as artes plásticas. Com isso, ele foi alforriado e enviado à Lisboa, para que se aperfeiçoasse nas artes, retornando à Salvador e sendo o responsável pela pintura de 17 telas que fazem parte do acervo do Pilar. 

A igreja passou sete anos fechada entre os anos 1990 e 2000. Sua última reforma, em 2011, precedeu a reabertura em 2012, após processos de requalificação. Atualmente, a igreja recebe visitantes de terça a sexta, das 9h às 15h, aos sábados das 9h às 12h, e aos domingos a partir das 6h30, para a missa das 9h. 

Devoção – A devoção a Santa Luzia ganhou destaque na igreja após um período inicial dedicado exclusivamente a Nossa Senhora do Pilar. A história da santa remonta ao século IV, quando, após resistir a torturas e manter sua fé cristã, foi martirizada.  

O padre lembra que Santa Luzia muito jovem se consagrou a Deus, com voto de castidade e pureza, mas no tempo das perseguições no Império Romano. “Oriunda de família cristã e rica, após a morte do pai, ela herda uma fortuna dividida entre ela e a mãe. Além de rica, a sua beleza e status criaram desejos. Então, um cidadão a corteja e chega uma hora que ela diz: ‘não quero, vou me consagrar a Jesus’”, diz o pároco. 

Por isso, ela é denunciada ao Império, sofrendo várias torturas. Aí lhe arrancaram os olhos, e a história conta que Deus lhe devolve a visão. Ela pega todo o dinheiro da herança, dá aos pobres, e passa pela tortura definitiva: a decapitação.  “A devoção nasce através da sua resistência. Arrancam os olhos e Deus devolve os olhos ainda mais belos. É o testemunho para que o sangue derramado floresça novos cristãos”, destaca o clérigo. 

O padre reforça que a Igreja de Santa Luzia do Pilar é uma casa feminina, pilar de fortaleza, coragem e disposição. “A fonte que nós temos aqui em Salvador abastecia os navios e parte da cidade e a saída era na rua. Por providência, quem estava aqui trouxe a saída da fonte para dentro da igreja. Ela está num lugar privado, mas aberta ao povo. Conta-se que depois da chegada da imagem de Santa Luzia, um cidadão com deficiência visual bebeu da água e lavou o rosto. Ele volta a enxergar e sai contando. É bíblico. O fato não foi registrado, não se tem o nome, mas aconteceu”, relata o padre Minho. 

Origem – De acordo com o historiador Rafael Dantas, para falar sobre a festa de Santa Luzia do Pilar, é necessário voltar ao século XVII, quando uma antiga capela na região da Gamboa era dedicada a ela. Com o passar do tempo, a pequena capela foi transferida, indo para o local onde hoje está a igreja em louvor à santa. 

Ali, segundo Dantas, é onde começa, de fato, a concentração da devoção ligada à Santa Luzia e a festa começa a ganhar as características dos festejos atuais. A partir do início do século XX, a Igreja de Santa Luzia do Pilar tem a visita de fiéis. Nesse contexto, a área da fonte ganha importância por conta dos milagres que foram relacionados àquelas águas. 

O historiador conta que a igreja foi erguida no entorno da fonte, com o necrotério/ossuário ao lado, uma construção com características do rococó com o neoclássico do século XIX.  Ele observa que toda a iconografia da Igreja e das representações religiosas faz menção à história e à vivência das santas. No caso de Nossa Senhora do Pilar, há a própria iconografia do Pilar que está embaixo da santa. No caso de Santa Luzia, a própria referência aos olhos, na bandeja, que é tão característico das imagens.  

“Isso é muito importante, porque a gente está destacando uma referência iconográfica, justamente para ressaltar as histórias, as vivências das imagens, junto com os fiéis. As imagens falam ao público e também com a história. E toda a Igreja e as representações, tanto em imagens sacras como em pinturas, dialogam justamente com isso”, afirmou. 

Inspiração – O antropólogo e professor Vilson Caetano possui oito imagens de Santa Luzia, de quem é devoto, todas de madeira dos séculos XVIII e XIX. A devoção surgiu ainda na infância, na cidade de Valença, no Baixo Sul da Bahia.  

“Desde criança que eu vinha para Salvador, justamente para poder fazer o tratamento na minha visão. Inicialmente, meu grau era muito forte porque eu tenho estrabismo e astigmatismo. Então, vir para a capital era uma viagem sempre muito dura, pois era de ônibus e enjoava muito, e às vezes acontecia duas vezes ao mês”, conta Caetano. 

“Meu médico, Dr. Vespasiano, atendia no Hospital Português. E eu, mesmo criança, olhava para a mesa dele e deveria ter assim umas duas ou três imagens de Santa Luzia. Eu sempre dizia que quando eu crescesse, ia ter também várias Santas Luzias, como aquele médico. Então, as imagens dela sempre me chamaram a atenção e, assim que pude, comecei a colecionar”, acrescenta. 

Para ele, Santa Luzia rememora essa luta na infância para não perder a visão. “E também porque a história de Santa Luzia nos ajuda a ser melhores. É uma mulher muito jovem, que é martirizada justamente porque ela acreditava num ideal, por ter se declarado cristã. E a gente pode fazer a leitura atualizada, pois muitas jovens, mulheres, são mortas porque têm outro ideal”, pontua. 

Sincretismo – Caetano recorda também que na procissão, além de Santa Luzia, as pessoas saúdam Ewá, que é a íris, a chamada “menina dos olhos”. No mosaico espiritual do candomblé, Ewá emerge como uma figura misteriosa e poderosa, entrelaçando-se com a veneração a Santa Luzia. Esta última, padroeira das pessoas com deficiência visual na tradição católica, encontra sua contraparte no sincretismo com Ewá, uma orixá reverenciada pelos candomblecistas como regente da vidência, nevoeiro e neblina.  

A invocação a Ewá é um cântico poético, um pedido para dissipar as nuvens que obscurecem os caminhos daqueles que a ela recorrem. Nesse rito, ela é celebrada como a “princesa-mãe do oculto”, cuja intervenção invoca os ventos e a chuva da prosperidade. 

No âmago da tradição, Santa Luzia e Ewá compartilham não apenas a condição de celibato, mas também a autonomia que caracteriza mulheres guerreiras e donas de seus destinos. No candomblé, Ewá é reconhecida como irmã de Oxumarê, e seu nome, proveniente do Rio Nigeriano, evoca a força que flui pelas terras de Ogum. 

A narrativa de Ewá é tecida com elementos místicos e poéticos. Conta a história de uma jovem que, ao esconder um desconhecido em uma gamela, recebe em troca o dom da vidência. Recusando-se a ser subjugada, ela desafia Xangô, senhor dos trovões, quando ele tenta seduzi-la em seu território de neblina. 

A astúcia de Ewá, perceptível na zombaria diante da dança de Xangô, revela-se em seu domínio sobre a neblina. Ao conduzi-la consigo, ela revela que o território é um cemitério, desafiando o temor de Xangô pela morte e impondo-lhe respeito. 

Em síntese, Ewá personifica a mulher guerreira e sábia, cuja intocabilidade não se restringe ao âmbito sexual, mas simboliza o controle sobre sua vida e destino. “Assim, mergulhar na espiritualidade entrelaçada de Ewá e Santa Luzia é explorar as nuances da fé, onde as brumas do mistério se dissipam para revelar a luz da compreensão e do autodomínio”, finaliza o antropólogo. 

Foto: Otávio Santos/Secom PMS 
Reportagem: Ana Virgínia Vilalva/Secom PMS 

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O mês de dezembro chegou e o clima natalino já está tomando conta da capital baiana. Luzes, cenografias, árvores e decorações, bem como um túnel com iluminação especial, projeções mapeadas em fachadas, shows, corais nas sacadas dos casarões, presépios, casa do Papai Noel e um grande cortejo com carros alegóricos e grupos musicais compõem o Natal Salvador, realizado pela Prefeitura a partir desta quarta-feira (6), no Centro Histórico da cidade, e considerado o maior Natal do Brasil. 

Mas você já pensou em misturar as tradições do Natal com ritmos musicais como o Samba de Roda, a capoeira e outras manifestações culturais oriundas da Bahia? Essa é a principal proposta do desfile “As Folias de Papai Noel”, uma grande novidade na programação deste ano, que será apresentada através de um cortejo, nas ruas do Centro Histórico da cidade, nesta quarta-feira (6) e no sábado (9) e domingo (10), com saída da Rua Chile, às 18h30. 

Com cerca de 750 artistas de variadas linguagens envolvidos, o desfile se inicia com o setor dos “Brincantes”, que traz múltiplos personagens dos Contos de Fada, palhaços, pernas de pau, além da Oficina de Frevos e Dobrados, regida pelo maestro Fred Dantas, com um tradicional Ternos de Reis. 

No segundo setor a folia fica por conta das manifestações afro-baiana, onde a Corte de Negra Jhô e seu universo entra em cena trazendo capoeiristas, Samba de Roda e uma ala especial com os Caboclos de Itaparica, reverenciando o Bicentenário da Independência na Bahia. 

No terceiro momento o destaque é para a dança e suas múltiplas vertentes. Esse setor conta com a participação do Balé Folclórico da Bahia, bem como grupos de street dance, dança contemporânea, dança cigana, do ventre, flamenca e valsa, além das quadrilhas juninas Asa Branca e Imperatriz do Forró. Um carro alegórico levará ainda o Papai Noel Negro para desfilar nas ruas do centro. 

Por fim, a diversidade das profissões e atividades exercidas pelos soteropolitanos vão tomar conta das ruas trazendo os artistas de rua da noite, carrinhos de café, os grupos de ciclistas, além dos garis da Limpurb, que espalham bom humor e dançam enquanto trabalham. Fechando essa grande folia, foi preparada ainda uma surpresa robótica, uma conexão com o mundo tecnológico rodeado de 80 percussionistas. 

Ao todo, três carros alegóricos vão desfilar na Folia animados por músicas de natal temperadas com arranjos que inserem instrumentos de percussão, triângulo, sanfona e berimbaus, promovendo um rico diálogo cultural. 

Nos dias 16 e 17 e 23 um cortejo mais reduzido, animado pelos “Brincantes de Papai Noel”, dará continuidade às inúmeras ações de Natal no Centro Histórico. A ação acontecerá sempre às 18h30, também na Rua Chile. 

 
Reportagem: Letícia Silva/Secom PMS 
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Neste sábado (25), o Desfile Salvador Capital Afro arrastou milhares de pessoas em dois cortejos que saíram da Casa d’Italia e da Praça Municipal em direção à Praça Castro Alves, no Centro Histórico, com encontro de trios entre blocos afro e de afoxé. Os grupos Ilê Aiyê, Olodum, Filhos de Gandhy, Didá, A Mulherada, Cortejo Afro, Ara Ketu, Bloco da Capoeira com Tonho Matéria, Filhas de Gandhy, Malê Debalê e Muzenza encheram as ruas da região celebrando a ancestralidade negra da cidade através da música e dança.

O desfile é realizado pela Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (Secult) e é um dos eventos destaque da programação do Novembro Salvador Capital Afro, que celebra a herança africana na cidade. Iniciando o evento, as Filhas de Gandhy foram acompanhadas por um cortejo de 100 baianas que saíram do Memorial das Baianas até a Castro Alves e fizeram uma lavagem da praça. Os filhos de Gandhy vieram logo atrás e se encontraram com o trio do Cortejo Afro na Castro Alves, onde cantaram juntos músicas em homenagem ao bloco afoxé.

Para Pedro Tourinho, titular da Secult, a primeira edição do desfile é histórica e representa o início de um novo momento para a cultura ancestral de Salvador. “Esse é o primeiro ano de um evento que será calendarizado na capital baiana, com encontros históricos e inéditos, como o Olodum e o Ilê Aiyê, unindo a beleza de todos os outros blocos afro e afoxés no mês de novembro. A Prefeitura irá fazer do Desfile Salvador Capital Afro um carnaval único em que a celebração dos blocos afro é o principal objetivo”, afirmou.

Os cortejos continuaram com os trios de A Mulherada, do Bloco da Capoeira e do tradicional Muzenza do Reggae durante o pôr do sol na Praça Castro Alves. O toque e o balé da Banda Didá adentraram ao anoitecer, levando clássicos da música baiana junto ao Malê Debalê.

No início da noite, o samba reggae impulsionado por Neguinho do Samba mostrou que o mundo negro é feito a partir de encontros, enquanto que o Olodum desceu a Rua Chile para se juntar ao Ilê Aiyê. Ao mesmo tempo, o axé do Ara Ketu chegou à Praça Castro Alves, proporcionando uma união de três blocos.

Turistas de Pernambuco, Flávio Henrique, 35 anos, e Andressa Mendonça, 33, tiraram o dia para curtir as atrações no Centro Histórico. "Estou impressionado com a valorização da cultura afro em Salvador. Com certeza, a diversidade, a música e as tradições enriqueceram minha experiência e minha vinda até a cidade como turista”, disse o administrador.

“Salvador está de parabéns por proporcionar uma experiência tão rica. Achei tudo muito lindo. As cores, a riqueza, as tradições, enfim, recomendo a todos a conhecerem esse encanto e energia de perto”, avaliou a nutricionista.

Potência - A secretária da Reparação (Semur), Ivete Sacramento, afirmou que o desfile é uma oportunidade de mostrar ao mundo algo que é único de Salvador: os blocos afro. “No Carnaval, não dá para perceber a grandiosidade desses grupos. Então, esse evento se torna uma mostra de toda a potência e raiz africana. Dá para perceber, em cada bloco, a diferença no tocar e no dançar. Me sinto muito feliz em ver o resgate da cultura afrobrasileira que está sendo feito aqui no desfile”.

Gilsoney de Oliveira, presidente do Gandhy, agremiação que completou 70 anos este ano, destacou a importância do desfile enquanto um evento de fomento à cultura. “Essa valorização, na cidade mais negra fora da África, é fomentar e dar continuidade. É um momento novo, pois mostra para o mundo, para quem é da cidade e para o turista a força do afoxé e a felicidade dessa grande nação baiana”, destacou.

FreshPrince Da Bahia, Tia Carol, DJ Belle e Errari fecharam o encontro que reuniu blocos afro e afoxés, além do After Batekoo. O último evento do Novembro Salvador Capital Afro acontece neste domingo (26), na Caminhada do Samba.

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O Dia Nacional da Baiana de Acarajé, celebrado neste sábado (25), foi marcado por festa e homenagem às quituteiras que são símbolos de tradição e da cultura afrobrasileira. A Prefeitura de Salvador promoveu um evento ao lado do Monumento da Cruz Caída, na Praça da Sé (Centro Histórico), para entrega de 580 kits a profissionais que atuam no segmento. O conjunto conta com um tabuleiro, sombreiro, vestimenta, caixas térmicas, placa de sinalização, colheres de polietileno, lixeira e protetor de fogareiro.

A ação integra a programação do Novembro Salvador Capital Afro e visa melhorar as condições de trabalho das baianas de acarajé, que contribuem para a gastronomia e fortalecimento da identidade local.

“Não há um filme, um documentário ou qualquer veiculação que se faça para projetar Salvador no Brasil e no mundo que não representem as nossas baianas. Elas são o retrato da nossa cidade. Sei que temos mais que 580 baianas na cidade e, por isso, essa é a primeira etapa de distribuição de kits. Investimos R$ 2,2 milhões e garanto que até o final de 2024 alcançaremos todas aquelas que precisam”, afirmou Bruno Reis.

O prefeito lembrou de outras iniciativas da Prefeitura para valorizar a categoria, citando construção de quiosques para vendas de acarajé em praças e espaços públicos, de um monumento dedicado às quituteiras, em Amaralina, e da reforma do Memorial das Baianas, na Praça da Sé. E mais novidades estão a caminho. “Vamos dar a remissão dos débitos e isenção do pagamento das licenças a todas as baianas de acarajé. O projeto já está na Câmara de Vereadores”, reforçou o gestor.

Presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (Abam), Rita Santos, comemorou as conquistas: “A Prefeitura fez um mapeamento com mais de 1,1 mil baianas que atuam na cidade, e os utensílios que serão distribuídos para uma parte delas a partir de hoje vai ajudar bastante nas atribuições do dia a dia”.

A festa em homenagem às baianas movimentou o Centro Histórico da cidade. Uma missa foi celebrada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, seguida de um cortejo até a Cruz Caída, na Praça da Sé, acompanhado pelo grupo percussivo Tambores e Cores, do Mestre Pacote.

No Memorial das Baianas e sede da Abam, foi disponibilizado almoço para as baianas e acompanhantes. A programação contou ainda com a apresentação de grupos musicais. “A Prefeitura está apoiando essa ação que ocorre no final do Novembro Salvador Capital Afro, período pelo qual fizemos um investimento grande para promover a cultura negra na cidade”, lembrou o secretário de Cultura e Turismo (Secult), Pedro Tourinho.

Reconhecimento - O ofício das baianas de acarajé é patrimônio cultural do país, inserido no Livro dos Saberes em 2004. As baianas também são patrimônio imaterial da Bahia, desde 2012, e o acarajé é patrimônio cultural de Salvador desde 2002, com a publicação da Lei Municipal Nº 6.138/2002.

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