Cultura

0
0
0
s2sdefault

No ato de criação do Museu da Cidade, em 5 de julho de 1973, uma sala inteira foi dedicada para ressaltar a importância da religiosidade de matriz africana. Criadas pelo artista plástico Alecy Azevedo, com assessoria da ialorixá Mãe Menininha do Gantois, 16 estátuas em tamanho natural de divindades africanas, esculpidas em papel machê, foram dispostas no local. A ideia foi de Elyette Magalhães, então diretora do museu e conhecida por ser mulher de personalidade forte, ideias e visão além do tempo – como exemplo, usava turbantes em plena década de 1970, como maneira de reforçar a ligação com o candomblé.

Um pouco dessa história pode ser revivida pelo público na exposição “Orixás da Bahia”, que está disponível gratuitamente de quarta a domingo, das 14h às 19h, no Espaço Cultural da Barroquinha, administrado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), no Centro. A curadoria da exposição tem assinatura do artista visual, cenógrafo, aderecista e figurinista Maurício Martins, com consultoria religiosa de membros do Terreiro do Gantois.

O cenário promove um diálogo entre elementos da ancestralidade e da contemporaneidade. Para recuperar as roupas (figurinos) e os adereços que vestem as esculturas de Azevedo, Martins contou com a coordenação da museóloga e gerente de Bibliotecas e Promoção do Livro e Leitura (FGM), Jane Palma, e das costureiras Joselita França, Alzedite Santos, Clara Guedes e Regina Celia Santos.

 

Demais exposições – Bem ao lado do Espaço da Barroquinha, outra exposição gratuita também chama a atenção do público. A vida e obra de Gregório de Mattos e os mais de 30 anos da Fundação que leva o nome do poeta baiano podem ser conferidas na mostra GREGÓRIOS, que acontece de quarta a domingo, das 14h às 19h, no Teatro Gregório de Mattos (TGM).

Ambientada num circuito dinâmico e criativo no interior do TGM, a mostra possui diversas texturas e é composta pela vasta obra creditada a poeta. No local, o público acompanha a atmosfera seiscentista da capital baiana, por via da iluminação, dos sons, de imagens e objetos. GREGÓRIOS foi o último trabalho assinado pelo artista plástico e cenógrafo Joãozito – após o falecimento, o projeto vem sendo tocado pela viúva e artista plástica Lanussi Pasquali.

Já na Casa do Benin, no Pelourinho, a exposição AFÉTO, do fotógrafo paulista Roger Cipó, entra na reta final e pode ser visitada até o próximo dia 3, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. Com curadoria de Marco Antonio Teobaldo, as imagens chamam a atenção para as relações de afeto constituídas dentro dos terreiros de candomblé no Rio de Janeiro e em São Paulo.

São raros e delicados registros que revelam a interação dos fiéis entre si, como uma família ao redor das obrigações sagradas, e durante as cerimônias, quando os orixás manifestam seu afeto por meio de suas sacerdotisas e sacerdotes. Adepto da religião de matriz africana, Cipó é alabê – responsável pela orquestra dos atabaques. Além de AFÉTO, o público também pode apreciar a exposição permanente com acervos da coleção de Pierre Verger, com artefatos que o antropólogo e fotógrafo franco-brasileiro trouxe da Costa do Benin, no continente africano.

0
0
0
s2sdefault
0
0
0
s2sdefault

Estão abertas as inscrições para o edital Prêmio Samba Junino, lançado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM). Para preparar os interessados em receber recursos provenientes do edital, a FGM promoverá duas oficinas de orientação para elaboração de propostas. As oficinas auxiliarão os interessados a montar o projeto, tirar dúvidas a respeito do edital e a preencher o formulário de inscrição na plataforma virtual.

A primeira oficina acontece na próxima quarta-feira (28), às 17h, no Espaço Cultural da Barroquinha, para 30 pessoas. A segunda, com mais 30 vagas, será no dia 14 de março, às 17h, Teatro Gregório de Mattos. Os interessados devem se inscrever através do e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., enviando nome, telefone para contato e grupo que representa. Através desse e-mail, os interessados receberão uma resposta de confirmação.

Já as inscrições para o edital devem ser feitas até o dia 4 de abril, pelo endereço eletrônico: www.premiosambajunino.salvador.ba.gov.br. O prêmio visa contemplar seis propostas que incentivem o fortalecimento, a manutenção e dinamização do Samba Junino no município de Salvador, além das suas formas de produção e reprodução, através da realização de ensaios, festivais, concursos, apresentações, “arrastões”, entre outras, no período junino, através de um aporte financeiro no valor de R$ 30 mil para cada projeto selecionado.

 

0
0
0
s2sdefault
0
0
0
s2sdefault

Salvador é uma metrópole que possui a capacidade de se reinventar e encantar até mesmo os milhões de soteropolitanos que transitam diariamente pelas ruas, praças e regiões. No dia 29 de março, a Cidade da Música completa 469 anos de tradições e história, que podem ser conferidas em atrativos espalhados por diferentes locais e proporcionam, tanto a baianos quanto a turistas, um mergulho no passado e na cultura da primeira capital do Brasil.

Baía de Todos-os-Santos – Ela é a maior baía de águas tropicais do mundo e abriga 56 ilhas e praias paradisíacas desde o Porto da Barra (limite ao Norte) até a Ponta dos Garcez (ao Sul). Compreende pequenos pedaços do paraíso, a exemplo da praia de Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe, localizada na Ilha dos Frades. A localidade recebeu, em 2016, o selo internacional Bandeira Azul, título que a certifica como procedente em quesitos de Educação e Informação Ambiental; Qualidade da Água; Gestão Ambiental; e Segurança e Serviços.

Uma das rotas para chegar a este destino é pegar uma das escunas que saem diariamente do Terminal Náutico da Bahia, no bairro do Comércio, com preços a partir de R$60 por pessoa. A outra opção é seguir até o município vizinho de Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, onde há lanchas que fazem o trajeto regular ou fretado. Além disso, a Baía de Todos-os-Santos também abriga o Forte São Marcelo, que tem acesso pela região do Comércio. O equipamento possui 368 anos de história e é uma joia em meio à imensidão da baía.

Rio Vermelho – Conhecer o Cetro da Ancestralidade – Opo Baba N’Laawa, situado na Rua da Paciência, no boêmio bairro do Rio Vermelho, é entender a importância da obra para o fortalecimento das origens baianas. O cetro é símbolo da ancestralidade afro que concentra os princípios femininos e masculinos do universo nagô. A obra é do Mestre Didi e foi instalada no local tendo ao fundo a linha do horizonte do oceano, em direção à África.

Para se aprofundar na história do monumento, visitantes mais atentos podem usar o celular para fazer a leitura do selo QRCode localizado no equipamento. A tecnologia faz parte do projeto #Reconectar, da Fundação Gregório de Mattos (FGM), que busca ser um elo entre a história da Bahia, soteropolitanos e turistas.

Outro ponto alto é a nova orla do bairro, requalificada pela Prefeitura e que conta com pista de cooper, campo de futebol e os largos de Santana e da Mariquita, onde podem ser apreciados os acarajés mais famosos da cidade, além do clima boêmio que marca do Rio Vermelho. Bem pertinho, a Colônia de Pesca Z1 é palco da festa em celebração à orixá Iemanjá, no dia 2 de fevereiro.

Além de imergir na cultura de matriz africana, o visitante ainda tem como opção conhecer a Casa de Jorge Amado e Zélia Gattai, localizada na Rua Alagoinhas, 33. O espaço abriga 20 espaços temáticos com efeitos de som e interatividade, além de livros e objetos do cotidiano dos escritores mundialmente conhecidos.

Elevador Lacerda – É um dos equipamentos mais visitados e fotografados de Salvador. O elevador teve construção iniciada em 1869 e foi inaugurado em 8 de dezembro de 1873, com projeto concebido pelo engenheiro Antonio de Lacerda e construído pelo irmão Augusto de Lacerda. O Elevador Lacerda, que inicialmente foi denominado Elevador Hidráulico da Conceição, transporta os cidadãos a 63 metros de altura.

Além de ser um dos principais elos entre a Cidade Alta e Cidade Baixa, transportando cerca de 28 mil pessoas por dia, o equipamento proporciona uma vista espetacular da Baía de Todos-os-Santos. É possível apreciar no local o pôr do sol, meditar observando a paisagem que se mistura com elementos naturais e urbanos na parte baixa de Salvador ou, até mesmo, desfrutar de um sorvete com frutas da estação e sabor da Bahia na sorveteria tradicional instalada no local.

Administrado pela Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), o ascensor funciona diariamente, entre 6h e 23h, de segunda a sexta-feira, e das 6h às 22h, aos sábados e domingos. A tarifa custa apenas R$ 0,15 e a viagem é quase expressa – dura apenas 30s.

Mercado Modelo – Quem visita Salvador e pensa em adquirir souvenirs para presentear amigos e familiares no retorno para sua terra natal, precisa conhecer o Mercado Modelo, centro de compras que reúne mais de 200 lojas e recebe, diariamente, uma demanda de aproximadamente 300 visitas. O espaço é um dos patrimônios culturais da cidade, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Requalificado recentemente e administrado pela Prefeitura, é possível encontrar no mercado peças trabalhadas em couro, argila e artesanatos das mais variadas formas além de produtos da terra, como pimenta. Por ser um centro que reúne elementos intrínsecos da capital baiana, o mercado atrai visitantes de todo o mundo.

Mas, além de ser surpreendente para os visitantes de outros estados ou nacionalidades, o Mercado Modelo também é uma ótima opção de visitação para os próprios soteropolitanos que buscam, por exemplo, apreciar uma boa moqueca de peixe – prato tradicional baiano e que é servido nos bares e restaurantes localizados no andar superior do centro de compras. Além disso, há uma série de atividades desenvolvidas no local como receptivo de baianas, apresentações musicais e performances de dança e teatro.

Cristo da Barra – O Monumento ao Cristo Nosso Senhor, também conhecido como Cristo da Barra, está localizado entre os bairros de Ondina e Barra. A escultura foi fruto de uma encomenda do conselheiro José Botelho Benjamim. Natural de Lençóis, Benjamim foi promotor na Comarca de Lavras Diamantinas e juiz da Comarca de Valença, que se estabeleceu em Salvador em 1898. Ao se converter ao catolicismo, resolveu presentear a cidade com um monumento em louvor a Cristo. 

A obra foi tombada em 2017, por ser um dos monumentos públicos que carregam em si a simbologia de pertencimento, valores e memória de determinado lugar ou grupo social. Outro argumento para ser enquadrado na Lei de Preservação ao Patrimônio Cultural do Município (Lei 8.550/2014) é a proximidade do centenário de existência da obra, o que reserva a ela mérito histórico e artístico. 

Quem gosta de passeios ao ar livre, tem como opção admirar Salvador por um outro ângulo no topo do morro onde está situado o monumento. Aproveitar a brisa à beira-mar e fazer piqueniques no gramado que se estende ao redor do local é um dos programas favoritos de muitos baianos aos finais de semana. O local ainda é um ponto estratégico para os apaixonados por música que se reúnem para cantar ao ar livre e encerram a programação com uma caminhada pelo belíssimo calçadão na borda marítima. Obras de requalificação, em andamento, vão tornar o local ainda mais agradável para os visitantes.

Igreja do Bonfim – Palco de uma das maiores manifestações populares de sincretismo e fé do Brasil – a Lavagem do Bonfim – a Basílica Santuário Senhor do Bonfim ou Igreja do Bonfim é mais um traço da herança da colonização portuguesa na Bahia. Milhares de devotos visitam a basílica durante todo o ano para amarrar fitinhas coloridas no gradil que circunda a igreja. A tradição teve início em 1809 e, segundo os fiéis, ajuda a conseguir alcançar metas e pedidos, concedidos através da fé.

O culto ao Nosso Senhor do Bonfim começou em 1745, quando a imagem do santo foi trazida pelo capitão português Teodósio Rodrigues de Farias, cumprindo uma promessa que fez depois de ter sobrevivido a uma forte tempestade. As homenagens, no entanto, iniciaram de fato em 1754, ano em que a imagem foi transferida da Igreja da Penha, em Itapagipe, para a própria igreja, construída na Colina Sagrada.

Segundo relatos históricos, a lavagem do adro da Basílica começou a partir dos moradores da região, que lavavam a igreja para deixá-la pronta para a Festa do Bonfim. Por conta da dança durante o cortejo até a basílica, a limpeza foi proibida, em 1889, pelo arcebispo Dom Luís Antônio dos Santos. Após a decisão, adeptos do candomblé começaram a fazer o cortejo para lavar as escadarias.

Pelourinho – Considerado o coração histórico e cultural da cidade, o Pelourinho é um dos principais pontos de visitação da cidade. Faz parte do conjunto arquitetônico colonial do Centro Histórico de Salvador, tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. O Pelô, como é carinhosamente chamado, conserva o calçamento em paralelepípedos, assim como os casarões coloniais em estilo barroco português. O nome refere-se a uma forma ou instrumento de jurisdição feudal, utilizado em terras brasileiras, para punir os negros escravos.

A localidade reúne diversos atrativos, desde a sede da primeira faculdade de Medicina do país, instalada na gestão do imperador D. Pedro II, assim como as igrejas da Ordem Terceira de São Francisco e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos; a Fundação Casa de Jorge Amado e a Casa do Benin; e as sedes dos blocos afros e afoxés Olodum, Filhos de Gandhy e Didá. Também é possível apreciar a boa gastronomia do local com itens pitorescos, como o cravinho – bebida composta por infusão de cachaça, mel, cravo e limão.

Os visitantes também podem conferir a programação cultural promovida pela administração municipal, denominada Pelourinho Dia e Noite (www.pelourinhodiaenoite.salvador.ba.gov.br). A iniciativa envolve também uma série de ações para impulsionar o desenvolvimento social, econômico e de infraestrutura da região. Bem ao lado, na Praça da Sé, vale a visita à recém-inaugurada Casa do Carnaval – um museu tecnológico administrado pela Prefeitura que traz, no acervo, desde artigos pessoais de artistas locais até a história da festa, contada através de instrumentos audiovisuais.

0
0
0
s2sdefault
0
0
0
s2sdefault

O Carnaval acabou e já deixou saudade, mas Salvador continua com uma agenda cheia para soteropolitanos e turistas. O Pelourinho Dia e Noite estreia no pós-Carnaval com novidades, já a partir desta sexta-feira (24), quando começa o projeto Chulas no Pascoal, com Roberto Mendes e convidados. A apresentação musical será das 20h às 21h30, na Cruz do Pascoal, e os primeiros convidados são Lazzo e Nego Fugido.

Todas as ações do Pelourinho Dia e Noite acontecem até o próximo dia 10, quando os eventos serão reajustados para se adequar ao período das chuvas, previsto para os meses de março e abril na capital baiana. As atrações são gratuitas. Confira abaixo a programação completa:

Circuito Jorge Amado - Saindo do Largo do Pelourinho, na sexta-feira (23/2, 2 e 9/3) acontece o espetáculo musical de rua “A Cidade da Bahia é Nossa - Circuito Jorge Amado”, a partir das 19h. Serão apresentadas seis cenas baseadas na obra de Jorge Amado, começando com o Velório de Quincas, em frente à Fundação Casa de Jorge Amado, no Largo do Pelourinho e termina no Cabaré do Zazá, montado na Cantina da Lua, no Terreiro de Jesus.

Concertos de Verão ao Ar Livre - Os concertos ao ar livre acontecem aos sábados (24/2, 3 e 10/3), das 17h às 19h, no Cruzeiro de São Francisco. Esta semana será com Sanbone Pagode Orquestra, sob regência do Maestro Hugo Sanbone, tendo como convidada a cantora Márcia Short. No próximo sábado (3/3), terá apresentação de Fred Dantas e no dia 10, será a vez da Orquestra de Câmara de Salvador (OCSal).

Ensaio de Portas Abertas - Nas Igrejas do Boqueirão, da Misericórdia e Nossa Senhora do Carmo acontece o Ensaio de Portas Abertas, das 10h às 12h e das 17h às 19h. O evento leva música para quem vai curtir o Centro Antigo de Salvador com orquestras baianas.

Nas segundas-feiras (26/2 e 5/3), das 17h às 19h, na Igreja do Boqueirão terá Sanbone Pagode Orquestra, com o maestro Hugo Sanbone.

Já nas quartas-feiras (28/2 e 7/3), também das 17h às 19h, na Igreja da Misericórdia, terá apresentação da Orquestra São Salvador, sob a regência do maestro Fred Dantas.

Aos sábados (24/2, 3 e 10/3), das 10h às 12h, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, será a vez da Orquestra de Câmara de Salvador (OCSal), sob a regência do maestro Ângelo Rafael.

0
0
0
s2sdefault
0
0
0
s2sdefault

Seis projetos que incentivem o fortalecimento, a manutenção e dinamização do samba junino em Salvador receberão, cada um, aporte financeiro no valor de R$ 30 mil, concedido pela Prefeitura, através da Fundação Gregório de Mattos (FGM). Os recursos serão transferidos através do edital Prêmio Samba Junino, lançado nesta terça-feira (20) pelo prefeito ACM Neto, no Espaço Cultural da Barroquinha, no Centro. O prêmio contempla formas de produção e reprodução, através da realização de ensaios, festivais, concursos, apresentações, “arrastões”, entre outras.

Conforme descrito no edital, serão priorizadas as propostas oriundas de grupos, federações, entidades e coletivos de samba junino, a serem realizadas nos bairros onde tradicionalmente já acontece a manifestação dessa expressão cultural, em conformidade com o Decreto 29.489/2018. O período de execução dos projetos, incluindo a fase de pré-produção, será entre 1º de junho e 31 de julho deste ano. As inscrições podem ser feitas a partir de segunda-feira (19) até 4 de abril, pelo endereço eletrônico www.premiosambajunino.salvador.ba.gov.br.

Surgido na década de 1970, o samba junino já é considerado Patrimônio Cultural de Salvador. O reconhecimento está registrado no Decreto 29.489/2018, publicado no Diário Oficial do Município (DOM) do último dia 8. “Não se encontra em nenhum outro lugar, a diversidade e riqueza cultural daqui. É algo que vem do gueto e que transcende os limites territoriais de Salvador, alcançando o mundo. Por isso, tenho levado a sério, nos últimos cinco anos, a reestruturação da política cultural”, afirmou ACM Neto.

Com essa ação, além de valorizar o trabalho dos músicos e grupos, a Fundação colabora com o reconhecimento e organização desse movimento cultural. O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, avaliou que esta iniciativa homenageia uma produção cultural genuinamente soteropolitana. “Esse é um momento histórico por ser o primeiro registro de patrimônio cultural da cidade, e começamos pelo samba junino entendendo que esse é um movimento que acontece há muito tempo e precisa de apoio e organização. Esse é um dos movimentos mais importantes da cidade”, observou.

Registro e história – Conforme a Lei 8.550/2014, o Registro Especial Cultural é aplicado aos bens culturais de natureza imaterial, inclusive aqueles comumente designados como eventos, passíveis de verificação no plano material por suas práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas, modos de fazer e instrumentos, objetos, artefatos e lugares associados. O registro funciona para o patrimônio imaterial como o tombamento para o patrimônio físico.

De acordo com pesquisas realizadas pela gerente de Patrimônio Cultural da FGM, Magnair Barbosa, o samba junino surgiu em torno das casas de candomblé de Salvador, no bojo da religiosidade popular, presente nos terreiros e em muitas festividades de matriz africana nas festas de caboclo. As manifestações são iniciadas ainda na chamada “queima de Judas”, no sábado de Aleluia, com encerramento nos festejos ao 2 de Julho – incluindo nesse período as rezas direcionadas aos santos juninos: Santo Antônio, São João e São Pedro.

O samba junino representa, então, uma expressão cultural genuinamente soteropolitana, marcado pela rítmica do samba duro, disseminada há pelo menos 40 anos em diversos bairros de Salvador. Serviu como base para o surgimento de estilos musicais contemporâneos como o pagode baiano, além de projetar muitos artistas conhecidos do grande público como Tatau, Reinaldo, Ninha e Márcio Victor. Os bairros tradicionais que realizam os festejos são Engenho Velho de Brotas, Engenho Velho da Federação, Federação, Fazenda Garcia, Tororó e Nordeste de Amaralina.

0
0
0
s2sdefault
0
0
0
s2sdefault


As Quintas Gregorianas, em cartaz na Galeria da Cidade do Teatro Gregório de Mattos, trazem, na próxima quinta-feira (22), às 19h, o duo Oco do Átomo, com os músicos e poetas Heitor Dantas e Orlando Pinho, que realizarão uma sessão eletropoética em homenagem ao também músico e compositor Tuzé de Abreu, pelos seus 70 anos de vida.

Além do próprio Tuzé, outros musicopoetas confirmam presença: Greice Carvalho; Gil Camará; Mateus Dantas; Edbrass Brasil e George Christian, que prometem uma noite e tanto de poesia e sons no Quintas Gregorianas. Este projeto integra a programação da exposição GREGÓRIOS, em cartaz na Galeria da Cidade, de quarta a domingo, de 14h às 19h. Entrada gratuita.

 

 

0
0
0
s2sdefault
0
0
0
s2sdefault

Após duas décadas fechado devido a problemas estruturais, um dos importantes símbolos religiosos e culturais de Salvador já pode ser frequentado novamente por moradores e turistas. A Igreja do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo, no Centro Histórico de Salvador, foi entregue completamente restaurada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nesta segunda-feira (5). A cerimônia contou com a presença do prefeito ACM Neto, que destacou a importância da igreja para o patrimônio religioso da cidade e para a valorização do Centro Histórico.

 "Esta é uma das igrejas mais bonitas e representativas da cidade. Este é um dia bastante especial, marcado também pela entrega de mais um equipamento cultural, que teve o imóvel reformado pelo Iphan e que será administrado pela Prefeitura: a Casa do Carnaval, aqui no Centro Histórico. Vemos que as ações do instituto em Salvador têm um olhar especial para o Centro Histórico, verificando a importância do conjunto patrimonial da localidade", pontuou ACM Neto.

O prefeito também ressaltou que poucas cidades de mundo têm um patrimônio histórico e religioso tão grande quanto a capital baiana. "Entendendo também como uma ferramenta de desenvolvimento econômico, a Prefeitura vem desenvolvendo estratégia para impulsionar o turismo religioso na cidade, seja na elaboração do calendário de eventos, seja nos investimentos em infraestrutura e equipamentos." Nesse sentido, foram  citadas ações  como a requalificação da Colina Sagrada  e da implantação  do Corredor da Fé. 
 
Também estiveram presentes no evento o vice-prefeito Bruno Reis; a presidente do Iphan e o superintendente do órgão na Bahia, Kátia Bogéa e Bruno Tavares, respectivamente; o arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger; demais autoridades, irmandade e fieis.

As obras duraram três anos e contaram com investimento de R$11,3 milhões, por meio do PAC Cidades Históricas, do governo federal. As intervenções englobaram estabilização e consolidação estrutural do prédio, restauração de bens integrados e imagens sacras, e implantação de itens de acessibilidade como elevador, rampas e plataforma para cadeirantes. Além das obras, a igreja também contará com uma réplica da Palma de Ouro, que estará disponível para visitação no museu do templo religioso.

Projeção para o mundo – Tombada em 1938, a Igreja do Passo foi construída em 1736 com estrutura em alvenaria de pedra e tijolos e interior neoclássico. Mas foi a escadaria com 55 degraus que projetou a imagem do templo para o mundo, por ter servido como cenário de “O Pagador de Promessas”, único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na década de 1960. Inclusive, o filme dá nome a um famoso projeto musical que foi desenvolvido nos anos 2000 pelo cantor Gerônimo Santana, autor de sucessos como “É D’Oxum”, na mesma escadaria. ​

0
0
0
s2sdefault
0
0
0
s2sdefault

Em meio às celebrações pelo Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro), a Casa do Benin, espaço cultural gerido pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) no Pelourinho, recebe a exposição itinerante AFÉTO. A abertura acontece nesta terça-feira (23), às 18h, e pode ser visitada gratuitamente até o dia 3 de março, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. A mostra fotográfica que vem percorrendo o país chama atenção para as relações de afeto constituídas dentro dos terreiros de Candomblé, a partir do olhar do fotógrafo Roger Cipó. A curadoria é de Marco Antonio Teobaldo.

Na abertura, Cipó receberá profissionais de Fotografia e público em geral para um bate-papo sobre fotografia preta. Para o artista, mais que um registro documental sobre um aspecto específico do Candomblé, o trabalho reitera a importância das relações interpessoais como forma de resistência da cultura afro-brasileira e fortalecimento da identidade do povo de axé, a partir da experiência de fé nos orixás. O terreiro é evidenciado como espaço de acolhimento, em resposta a uma cultura de segregação e ódio fomentado pelo racismo.

Ao percorrer dezenas de terreiros no estado de São Paulo e Rio de Janeiro e vivenciar as diferentes manifestações de fé afro-brasileira, AFÉTO apresenta raras e delicadas imagens que revelam a interação dos fiéis entre si. Dentre elas estão as de uma família ao redor das obrigações sagradas, e as registradas durante as cerimônias, quando os orixás manifestam afeto por meio das sacerdotisas e sacerdotes. Roger Cipó é Alabê que, no candomblé, é o responsável pela orquestra dos atabaques.

0
0
0
s2sdefault
0
0
0
s2sdefault

O som dos atabaques tocados por alabês do Terreiro do Gantois anunciou, na noite deste domingo (21), o início da exposição Orixás da Bahia e a reinauguração da Fonte de Oxum, ambas localizadas no Espaço Cultural da Barroquinha, equipamento cultural gerido pela Prefeitura através da Fundação Gregório de Mattos (FGM). As duas iniciativas – que buscam o fortalecimento cultural e religioso das religiões de matriz africana em Salvador – marcaram o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro.

A exposição Orixás da Bahia e a Fonte de Oxum ficam abertas à visitação gratuita, sempre de quarta a domingo, das 14h às 19h, por período ainda indefinido. Participaram do evento de abertura da exposição e reinauguração da fonte autoridades religiosas, o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, a titular da Fundação Mario Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, além de personalidades, como a apresentadora Regina Casé.

A exposição Orixás da Bahia é uma mostra composta por 16 estátuas confeccionadas em papel marchê e em tamanho natural de divindades africanas, esculpidas pelo já falecido artista plástico Alecy Azevedo. As obras integram o acervo do Museu da Cidade e ficarão expostas na Galeria Juarez Paraíso. Na década de 70, a Iyalorixá Mãe Menininha do Gantois foi responsável por vestir os orixás que integram a Orixás da Bahia, quando a mostra foi apresentada pela primeira vez.

A responsável pelo terreiro Ilé Iyá Omi Àse Iyamasé, conhecido como Gantois, Mãe Ângela Ferreira, destacou a relevância de celebrar essas duas entregas. “É sempre importante preservarmos nossa história, manter firme a memória das nossas raízes. Essa exposição, traduzindo o nosso caminho religioso e mostrando as nossas divindades e as potencialidades delas, é um verdadeiro ebó para a memória”, relatou entusiasmada.

O trabalho de restauração das vestimentas, adereços e ferramentas usadas pelas divindades representadas na mostra foi projetado e executado por Maurício Martins (aderecista e figurinista), Jane Palma (gerente de Biblioteca, Livro e Leitura da FGM) e pelas costureiras Joselita França, Alzedite Santos e Jucélia Santos.

A Fonte de Oxum, localizada na lateral externa do Espaço Cultural da Barroquinha, foi totalmente reformada e contou com projeto de restauro completo desenvolvido através do Studio Argolo, além do amparo espiritual do sacerdote do Terreiro Kwe Vodun Zo, Doté Amilton.

O líder religioso Tata Nembakala, que participou das celebrações, afirmou que a batalha por justiça social deve ocorrer todos os dias. “Sinto-me honrado em participar de um evento dessa envergadura em que se reafirma e estabelece a continuidade da resistência. Que ela seja não só contra a intolerância religiosa, mas contra qualquer forma de intolerância", finalizou.

0
0
0
s2sdefault

Fale Conosco

O seu canal de comunicação com o nosso site. Caso tenha dúvidas, sugestões ou solicitações de serviços, por favor, mande mensagem que teremos prazer em respondê-la.

Enviando...