O projeto Novo Mané Dendê, através do seu Programa de Educação Ambiental (PEA), realizou na quarta-feira (24) uma oficina de artesanato com materiais recicláveis no bairro de Rio Sena com a participação de cerca de 20 moradoras. Elas fazem parte do grupo de Mulheres do Rio Sena, criado no ano de 2016, que tem como objetivo o empoderamento da mulher, com ações de inclusão social, saúde e educação.
Durante a atividade, as educadoras ambientais realizaram uma apresentação sobre temas ligados ao meio ambiente e apresentaram os os 5Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. As ações buscam despertar a sensibilização ambiental e estimular uma nova consciência e compromisso com o meio ambiente. Além disso, foi passado um alerta sobre como os resíduos sólidos dispostos de forma desenfreada causam impactos negativos para a saúde do Rio Mané Dendê, e também para os moradores do Subúrbio Ferroviário.
Jésse Motta, diretor da Unidade Gestora do Projeto (UGP), salientou que "As ações de educação ambiental do Novo Mané Dendê valorizam as potencialidades territoriais e o desenvolvimento local. As oficinas têm dado excelente contribuição na adequação do manejo dos resíduos sólidos, pois além das técnicas que visam o reaproveitamento dos materiais recicláveis, apresentam novos conceitos e os equipamentos em construção pelo Projeto, a exemplo dos ecopontos e o galpão de triagem de materiais recicláveis."
No final do encontro, o grupo aprendeu a criar mini luminárias a partir da reutilização de garrafas de vidro long neck. Feliz e bastante grata com a oportunidade, a moradora do bairro de Rio Sena, Lourdes Gomes, destacou a importância do trabalho do projeto na área ambiental. “Aprendi a separar os resíduos e a doar aos catadores do bairros. Estou feliz em poder participar desta atividade e poder multiplicar o conhecimento adquirido para mais mulheres. É lindo poder aprender e ensinar a cuidar do meio ambiente.”
Salvador está repleta de opções de lazer para curtir nesse verão, e uma delas é aproveitar tudo o que há de bom nos espaços públicos municipais da capital baiana. Do Parque da Cidade, no Itaigara, ao Parque Pedra de Xangô, em Cajazeiras 10, existe uma gama de opções gratuitas que podem ser aproveitadas por todos os públicos. Por isso, separamos cinco opções para curtir o final de semana.
A primeira é o Parque Joventino Silva, popularmente conhecido como Parque da Cidade, localizado na Avenida Antônio Carlos Magalhães, na região do Itaigara. O local conta com um anfiteatro, que recebe programações artísticas como shows e peças teatrais, além de toda a área verde que pode ser aproveitada de diversas formas pela população. O Parque funciona de terça a sábado das 5h às 22h. Já aos domingos e feriados, das 5h às 19h.
Jardim Botânico - As opções não param por aí: no meio de uma grande cidade como Salvador, existe um oásis de árvores enormes, linda vegetação e muitos pássaros, refúgio perfeito que está disponível à visitação do público. Estamos falando do Jardim Botânico, situado no bairro de São Marcos, que possui beleza natural muito impactante.
O espaço tem cerca de 61 mil espécies vegetais em 160 mil metros quadrados de área. No local, também estão em exposição, para entrega aos visitantes, algumas mudas de espécies nativas frutíferas, utilizadas na culinária e medicinais, a exemplo do Cajueiro, árvore de Aroeira, Pitanga e Urucum.
O local possui ainda uma trilha elevada de 795 m de extensão pela mata, que é delimitada por guias de concreto, além de um viveiro de plantas e um pavilhão de observação da natureza. O Jardim Botânico funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e possui estacionamento próprio.
Parque dos Ventos - Já na Orla da Boca do Rio, está localizado o Parque dos Ventos, espaço perfeito para quem curte levar a criançada para brincar. Com 85 mil metros quadrados, o equivalente a 12 campos de futebol, o Parque oferece 14 opções de lazer e espaços esportivos, inclusive para atletas profissionais. O parque fica de frente para o mar, e tanto os equipamentos quanto os brinquedos são pensados para a população de todas as idades.
O local possui uma estrutura de 10 metros de altura para atividades de rapel e escalada, e dispõe ainda de pista de skate street, cuja composição simula obstáculos de rua como escadarias, rampas e corrimãos. Além disso, o espaço conta também com uma ciclovia de três quilômetros e uma pump track – pista ciclística de circuito contínuo com lombadas, morros de terra arredondados, curvas levemente inclinadas e um local destinado exclusivamente à prática do parkour.
O equipamento também conta com parque infantil que possui brinquedos adaptados para pessoas com deficiência, dispõe de tabelas de basquete, quadra de vôlei, área para contemplação e piquenique, anfiteatro com capacidade entre 100 a 150 pessoas, área para uso de patins, passeio para realização de caminhada e sanitários. Isso sem falar no amplo estacionamento com 150 vagas, portaria e pequeno ambulatório. O Parque funciona de terça a domingo, das 5h às 20h.
Parque dos Dinossauros - Outra opção para a criançada é curtir o dia no Parque dos Dinossauros, no Stiep. O local, completamente requalificado pela Prefeitura de Salvador, possui 14 esculturas de dinossauros em tamanho real, situadas em uma área verde, com vegetações nativas de Mata Atlântica, ao redor de uma lagoa.
As réplicas emitem sons com a aproximação das pessoas, por meio de um sensor de presença. A lagoa tem 16.470 m², e o entorno agora possui espaço de convivência, sanitário, novo mobiliário com jogos de bancos e mesa, banheiro para pessoas com deficiência, pergolado, anfiteatro, acessibilidade e quiosques. O local funciona de segunda a sábado, das 6h às 17h, com acesso livre e gratuito.
Pedra de Xangô - Por fim, a dica é conhecer o Parque Pedra de Xangô, localizado em Cajazeiras 10, um espaço de lazer com integração à natureza e, principalmente, que reverencia duas fortes características do local: a história e a religiosidade. O Parque é símbolo de ancestralidade, e é o primeiro parque do Brasil com nome de orixá, divindade do candomblé e da umbanda.
O destaque maior do local é para a Pedra de Xangô, símbolo sagrado e elemento cultural afro-brasileiro, tombada em maio de 2017 como patrimônio cultural do município. Além disso, o local possui ainda um lago artificial, um memorial com um auditório e uma cantina, além de uma sala multiuso, área para exposição de trabalhos e sanitários.
No entorno do memorial, há também um anfiteatro a céu aberto, bancos com pergolados, além de rampas de acesso, guarda-corpo e corrimãos para o deslocamento de pessoas com dificuldades de locomoção. O local pode ser acessado a qualquer hora.
O Food Park de Salvador vai promover neste final de semana uma festa de pré-Carnaval diferenciada, com música, gastronomia e várias opções de diversão. Situado na orla da Boca do Rio, o espaço abriga estrutura para toda a família se divertir e já entrar no clima da maior festa de rua popular do mundo. A festa tem entrada gratuita.
Neste sábado (27), quem comparecer vai poder curtir o som da fanfarra Recordar, que promete levar muita animação e canções antigas e contemporâneas para animar a galera. O show está previsto para as 17h. Em seguida, o cantor Fernando Celestino também agita a galera e se apresenta às 19h no local.
Também há opções para a criançada curtir o carnaval do Food Park. Os pequenos vão poder participar de um desfile de fantasias e um concurso que vai levar em conta criatividade e desenvoltura dos pequenos, com direito a premiação.
O Carnaval do espaço também terá opções para quem gosta de garimpar novidades. Tanto no sábado quanto no domingo (28), será possível aproveitar a feira Elabore, promovida pela loja colaborativa homônima, para adquirir peças e artesanatos.
Responsável pelo marketing e pelos eventos do Food Park, Nadison Oliveira falou sobre a expectativa para a festa que está em sua primeira edição: “As pessoas podem esperar atrações voltadas para o público adulto e também infantil. A nossa expectativa é fazer uma experiência bem familiar onde todos possam aproveitar. Venham curtir o primeiro Carnaval do Food Park neste final de semana. Esperamos por vocês”, afirmou.
Sobre o local - Instalado pela Prefeitura, o Food Park tem mais de 25 food trucks com as mais variadas opções gastronômicas para o soteropolitano se deliciar. O espaço gastronômico, que tem parquinho para as crianças e também é pet friendly, funciona de terça a sexta-feira, sempre das 17h às 23h. Nos sábados e domingos, o espaço fica aberto das 16h às 23h.
Com o intuito de coibir o transporte escolar clandestino em Salvador e reforçar a segurança das crianças, a Secretaria de Mobilidade (Semob) lançou a campanha “Não Embarque Seu Filho Nesta Viagem”, na manhã desta sexta-feira (26). A ação consiste na plotagem de adesivos perfurados nos veículos de transporte escolar para orientar os pais sobre a importância de contratar esse serviço regulamentado e os riscos de entregar as crianças para um transportador clandestino ou não credenciado pela Prefeitura.
Cerca de 90 condutores de carros e vans escolares estiveram presentes no pátio da Coordenadoria de Táxi e Transportes Especiais (Cotae) para aderir à campanha, dentre eles o motorista Cleiton Maciel de 55 anos, morador do Caminho de Areia e atuante na região da Cidade Baixa, que ressaltou a importância da iniciativa.
“Acho muito importante essa ação, pois o transporte clandestino de crianças, além de ser perigoso, também é desleal. Na maioria das vezes os veículos não são adequados, mas ainda assim muita gente prefere esse tipo de transporte por oferecer um custo baixo, desconsiderando totalmente a segurança’, explicou o trabalhador.
Titular da Semob, Fabrizzio Muller explicou que a campanha é uma grande aliada na preservação da vida. “Estamos preocupados em garantir a segurança das crianças e principalmente conscientizar os pais e também as escolas, que às vezes indicam transportadores não regularizados, sobre a necessidade de segurança que nós temos nesse tipo de transporte. Por isso, a Prefeitura tem todo um cuidado com os regulamentos, desde a cobrança de cursos, certidões e documentações até a verificação do condutor e segurança do veículo”, disse o gestor.
A fiscalização para coibir o transporte escolar irregular ocorre diariamente, nos perímetros das escolas de Salvador, onde são abordados e, se necessário, podem ser autuados e removidos ao pátio da Transalvador, tanto os clandestinos (não cadastrados) como os cadastrados que não foram aprovados na vistoria. O cidadão que perceber alguma infração pode fazer a denúncia através do Fala Salvador 156, informando a localidade e características do veículo e do condutor.
Pensar no verão em Salvador é pensar em energia, festa, calor e ensaios dos artistas que aproveitam o pré-Carnaval para lançar as suas músicas e agitar a cidade. Em um lugar onde tudo acontece ao mesmo tempo – e agora – os ensaios da temporada fervilham nos quatro cantos da soterópolis. Vem gente do interior, de outras cidades do Brasil, e até do exterior. O encontro de ritmos, de nações e idiomas é certo, e a vontade de todos é uma só: curtir cada segundo da estação, já pensando no Carnaval que está pertinho.
Isaac Edington, presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), ressalta que os ensaios são essenciais para a cidade, são atrativos turísticos, e fazem parte do DNA soteropolitano. “Quando anunciamos anualmente o Calendário de Verão de Salvador, sempre procuramos os produtores, bandas e empresários musicais para saber quais os eventos, ensaios e ações que vamos ter ao longo da alta estação. O setor de eventos movimenta milhões de reais, emprega mais de 60 mil pessoas diretamente e é uma mola propulsora da nossa economia. Faz parte do nosso trabalho fortalecer esse movimento”, diz.
Quem vem a Salvador entre os meses de dezembro e março conta com uma vasta programação de festas, gratuitas e privadas, que ocupam diferentes locais da cidade. No Pelourinho, o Cortejo Afro anima as segundas-feiras, sempre com convidados especiais, a exemplo de Márcia Castro, Russo Passapusso e Bailinho de Quinta. Todos os domingos e terças-feiras, o Olodum promove ensaios fechados e abertos ao público como o que ocorreu no domingo (14), levando um mar de gente à Praça Municipal, elevando a temperatura em um verdadeiro ‘esquenta’ para o Carnaval.
Além disso, no Candeal, os tambores da Timbalada ecoam a cada 15 dias, culminando na ressaca em fevereiro, logo após o Carnaval. “Ver a cidade fervendo e cheia de gente - do Brasil e do mundo - me deixa muito feliz! Salvador tem essa magia, né? Atrair e encantar pessoas. É nosso, é genuíno. Prova disso são os ensaios da Timbalada que, a cada edição, tem ingressos esgotados. Baianos e turistas vibram e se emocionam com o que acontece lá no Candyall”, conta o cantor do grupo, Denny Denan.
Carnaval de 14 dias - Desde o dia 1º de fevereiro, com a Lavagem de Itapuã, baianos e turistas iniciam uma verdadeira maratona, com praticamente duas semanas seguidas de festas sem interrupções.
Na sexta-feira, dia 2 de fevereiro, o bairro do Rio Vermelho recebe a Festa de Iemanjá, celebrando a Rainha do Mar desde a noite anterior. Nos dias 3 e 4, o circuito Ondina/Barra recebe o Fuzuê e o Furdunço, respectivamente, abrindo alas para a semana mais esperada: a do Carnaval.
Na segunda-feira (5), o cantor Xanddy Harmonia leva ‘A Melhor Segunda Feira do Mundo’ também para o circuito Ondina/Barra, a partir do Clube Espanhol. O cantor, que estreia a festa neste formato em trio elétrico, conta que levar o ensaio para um trio elétrico é muito especial, um desejo do coração.
“Eu já falava e já pensava nessa possibilidade há muitos anos. Por quê? Porque a segunda que antecede o Carnaval é quando o Brasil inteiro está aqui na cidade. Muitos turistas, pessoas que chegam para o Carnaval, participam. Então estou me sentindo acarinhado, presenteado, e pode ter certeza que o povo de Salvador, da Bahia e a torcida do Brasil estão sentindo a mesma coisa. Espero que fique no calendário pra sempre”, diz Xanddy.
Na terça-feira (7), o cantor Léo Santana invade o percurso com seu tradicional Pipoco, anunciando que a folia vem aí. Na quarta-feira (8), é a vez do Habeas Copos, no Circuito Sérgio Bezerra, com bandas de fanfarra animando os foliões.
Entre a quarta-feira (08) e a terça-feira (12), a cidade se veste de cor com Carnaval em todas as esquinas, ruas, becos e vielas. Desde os circuitos tradicionais até os palcos montados nos bairros, a programação traz opções para todos os gostos e bolsos. Na quarta-feira (13), o tradicional Arrastão da Quarta-Feira de Cinzas toma conta da Barra/Ondina, fechando o período com o cantor Danniel Vieira e convidados.
“Nestes últimos anos, eu literalmente encerrei o Carnaval, porque o meu trio é o último do Arrastão. Depois dele, só a turma da limpeza organizando tudo para que a cidade volte a funcionar e o ano efetivamente começar. A emoção é especial demais. Participar do Arrastão já se tornou tradição e, no que depender de mim, já estou lá pra balançar baianos, turistas e quem trabalhou nos dias de Carnaval e aproveita a quarta pra ir se divertir um pouquinho”, conta Danniel.
De longe - A publicitária Marcele Bacelar Krujlac, 37 anos, é de Salvador e mora em Budapeste, na Hungria há oito anos. Para ela, estar em Salvador, principalmente no verão, é recarregar as baterias. “Estar com a família, sentir essa energia que só Salvador tem, é incrível. Sou fanática por Carnaval, pela nossa cultura, por todos os ritmos que a cidade oferece, então é um presente. Sou grata porque sei que nem todo mundo que mora fora tem essa oportunidade e me comprometi a todos os anos estar aqui”, conta.
De perto – Vinda de Aracaju, a assessora de Políticas Culturais, Grazzy Coutinho, de 43 anos, diz que, na sua visão, “a cidade reúne tudo de melhor para curtir as férias de verão: diversas praias, pontos turísticos ricos em história, museus, casas de cultura, ensaios de verão. Enfim, é um verdadeiro celeiro do turismo cultural. Venho sempre a Salvador a trabalho, para ver shows e para curtir. Visito desde criança, é um lugar que nunca saiu do meu roteiro”.
Vindo de Maceió, o professor de Literatura, Hélio Júnior, de 48 anos, conta que costuma usar personagens de Jorge Amado em suas aulas. “Eu escolho Salvador porque sou apaixonado pela cultura dessa terra. Amo a arquitetura barroca e todas as vezes vou também à Casa de Jorge Amado e, na maioria das vezes, vou para a Timbalada também. Sempre estou no Carnaval, faz 21 anos consecutivos que não perco. Já tive época de ir vários finais de semanas seguidos, porque Salvador para mim é história, cultura, magia e sedução. Uma terra que fiz amigos e que fiz história”, relata.
O administrador recifense Rodrigo Saldanha, de 41 anos, é outro que curte Salvador nesta época. “A cidade faz parte do meu circuito de viagens, sempre para começar o ano recebendo o axé que a Bahia tem para dar. E o Ensaio da Timbalada sempre é meu foco para a escolha da data de viagem. Não tenho mais a conta de quantas vezes fui a Salvador, e esta terra pra mim é mágica, é energia, é axé”, afirma.
Direto de Irará - O estudante universitário Wollace Santana, de 24 anos, é outro apaixonado pela cidade. Morador de Irará, cidade a 136 km de distância de Salvador, Santana costuma curtir o ensaio da cantora Anitta e também o Cortejo Afro, além do Baile da Santinha, do cantor Léo Santana. “Eu amo Salvador. Desde que eu comecei a vir, me apaixonei pela praia, pelas festas e a energia da galera. Normalmente, venho a shows específicos, porém sempre nas férias venho curtir com amigos. Salvador é energia, é felicidade, e todos dizem que Salvador é a minha cara. E eu não nego”, diz.
Depois de quatro meses que a nova Feira do Curtume, na Calçada, foi entregue pela Prefeitura de Salvador totalmente revitalizada, os permissionários comemoram as melhorias e, consequentemente, o crescimento no fluxo das vendas. O espaço público municipal, gerido pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), é considerado um dos mais importantes centros comerciais da Cidade Baixa.
Por décadas trabalhando na feira antiga, o ambulante Valdemar Oliveira, 59 anos, comenta o que mudou com a nova estrutura. “Antes, a gente ficava no meio da rua, na lama, na sujeira, sem banheiro e nenhuma estrutura. Agora é tudo limpinho, organizado, arrumado. Podemos ajeitar os nossos alimentos. É bom para a gente e, também para quem compra”, disse o vendedor de frutas, legumes e grãos, que tira do ofício o sustento para esposa, três filhos e quatro netos.
No local, 112 barracas vendem frutas, verduras, hortaliças, produtos da roça, artesanatos, cereais, grãos, entre outros. Todas as quartas-feiras, Antônio Marcos dos Santos, 52 anos, vai à feira fazer compras. Morador da região há 40 anos, ele lembra das dificuldades enfrentadas antes da reforma. “Tudo alagava, era uma lama, um horror! Hoje, está um paraíso, um espaço bonito, organizado e com uma estrutura maravilhosa. Nós, que vivemos aqui e conhecemos a feira lá no passado, só temos a agradecer”, disse o cliente assíduo.
Além dos boxes de hortifruti, a feira conta com oito boxes para bares e restaurantes. O funcionamento é de segunda a sábado, das 6h às 18h. Nos domingos e feriados, o atendimento é das 6h às 15h. Com box totalmente reformado na nova área externa, o Point da Rita serve refeições a preços populares. Para a ajudante de cozinha e garçonete Marília Florence, 38 anos, a revitalização foi fundamental para atrair novos clientes. “O movimento é muito bom na hora do almoço. Sempre temos fluxo de quem trabalha na Calçada e dos policiais da delegacia”, diz a vendedora, referindo-se aos clientes do complexo de polícia, na Baixa do Fiscal.
Comerciante na região há mais de 35 anos, a dona do box, Rita de Cássia da Silva, 59 anos, diz que prefere esquecer a feira antiga. “Quero nem lembrar, era horrível. Agora sim temos dignidade, está um espaço maravilhoso, temos estrutura e melhorou a movimentação dos nossos clientes”, enfatiza a microempreendedora, que emprega cinco pessoas.
Pela primeira vez na feira, o revendedor de gás Luciano de Jesus, 40 anos, buscou o centro comercial para almoçar. "Nunca fui cliente da feira antiga, passava na rua e via aquela confusão. Sem dúvidas, esse espaço bonito e com estrutura ficou muito melhor. Fui muito bem atendido e a comida muito boa. Vou virar freguês”, pontuou. Além dos espaços para venda de produtos, vendedores e clientes contam com uma área para carga e descarga, sanitários, escritório e outras facilidades.
Investimento e estrutura – O investimento da Prefeitura foi de R$6,2 milhões para execução do projeto, elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF). O espaço conta com sanitários, praça de alimentação com boxes para a comercialização de bebidas e refeições, sala de administração e um módulo de apoio contemplando depósito, sanitário, abrigo de resíduos e guarita.
Para cumprir os requisitos de acessibilidade, foram construídas rampa, escada de acesso com sinalização tátil no piso e sanitário PCD. Na área externa há estacionamento com 17 vagas, pátio de carga e descarga para receber caminhões e outros veículos de carga de mercadorias, além de área verde arborizada e espaço de convivência.
O projeto de requalificação da Feira do Curtume integra as ações previstas no Plano de Bairros de Itapagipe. A iniciativa reúne informações sobre o território e proposições para o desenvolvimento integrado e sustentável dos 14 bairros que integram a região: Santa Luzia, Calçada, Mares, Uruguai, Massaranduba, Jardim Cruzeiro/Vila Ruy Barbosa, Caminho de Areia, Roma, Boa Viagem, Monte Serrat, Bonfim, Mangueira, Ribeira e Lobato.
O sistema de bicicletas compartilhadas do Bike Salvador ganhou mais nove estações para a retirada das “laranjinhas”, entre as regiões do miolo, centro e orla marítima. Além disso, os usuários que utilizam a plataforma passaram a contar com mais uma opção para o aluguel dos veículos, através do aplicativo da Uber.
A empresa tornou-se parceira do sistema em junho do ano passado e, desde então, mais de 7,1 mil viagens foram realizadas apenas pelo app da multinacional americana. Por ele, soteropolitanos e turistas podem solicitar uma bicicleta escolhendo a opção “Duas Rodas”, na tela inicial. Em seguida é necessário selecionar a estação na qual o usuário se encontra no momento e escanear o QR Code da bike desejada. Vale ressaltar que o app Bike Itaú prossegue na operação.
619 bicicletas – A ação integra o conjunto de investimentos feitos pela capital baiana para estimular o uso do modal de transporte sustentável. O sistema de bicicletas compartilhadas atualmente tem, ao todo, cerca de 400 unidades convencionais e 219 elétricas.
Todas elas podem ser retiradas nas 60 estações, incluindo as nove que entraram em funcionamento na cidade nos seguintes locais: Campo Grande II (esquina com a Rua Banco dos Ingleses), Rua Professor Sabino Silva (esquina com Avenida Oceânica), Avenida Anita Garibaldi, duas na Pituba (Praça Belo Horizonte e acesso à estação BRT), além de Itaigara (junto à faixa de pedestres para acesso à estação BRT).
As demais estações estão em Armação (próxima à faixa de pedestres junto ao supermercado Bompreço), Alameda Salvador (próximo ao Shopping Salvador) e Praça Castro Alves (em frente à base de polícia, próximo ao Teatro Glauber Rocha). Em função do Carnaval, quatro dessas nove estações (Anita Garibaldi, Praça Castro Alves, Sabino Silva e Campo Grande II) serão realocadas temporariamente.
Bikes elétricas – As bicicletas elétricas começaram a ser incorporadas ao Bike Salvador nos últimos quatro meses. Robustas, elas têm velocidade limitada a 25 km/h, autonomia para funcionar por até seis horas, e tecnologia de pedal assistido, que é acionada ao simples pedalar, facilitando a locomoção em ladeiras e terrenos íngremes. São os mesmos modelos que estão disponíveis em cidades como Nova Iorque, Londres, Chicago, Dubai e Barcelona.
Em dez anos, o sistema Bike Salvador acumula mais de 5,9 milhões viagens e 490 mil de usuários cadastrados, segundo dados do Movimento Salvador Vai de Bike (MVSB). “As pedaladas proporcionadas pelo sistema em 2023 somaram 6,2 milhões de quilômetros rodados, o equivalente a mais de 210 voltas ao mundo de bicicleta, o que economizou potencialmente mais de 450 toneladas de CO² que seriam dispensados na atmosfera”, compara Liana Oliva, coordenadora do MVSB.
Reportagem: Thiago Souza / Secom PMS
O Teatro Gregório de Mattos, em frente à Praça Castro Alves, será palco do recital “Duo Korapoema”, encontro entre a kora (ou corá) do músico gaúcho Rick Carvalho com os poemas do escritor baiano Juraci Tavares. O espetáculo gratuito será nesta sexta-feira e sábado (26 e 27), sempre às 19h, com distribuição de ingressos a partir das 18h, no próprio espaço. O evento conta com o apoio da Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos (FGM).
A kora é um instrumento musical feito de cabaça, couro e madeira, que contém 21 cordas de nylon. Tocada por Rick, que a construiu, ela dialoga com a voz de Juraci, que apresenta uma seleção de textos autorais, mesclando falas, récitas e canções. Original do Oeste da África, o instrumento faz parte da cultura de países como Senegal, Mali, Guiné Bissau, Gâmbia e Gana. Seus tocadores, os "jalis" ou "griots", são guardiões da oralidade, preservam e transmitem histórias, lendas e tradições por meio de músicas e cantos. De som suave, o instrumento pode dar fluxo ao sonho e à imaginação do ouvinte.
O duo e o concerto surgem de uma provocação do professor, poeta e performer Nelson Maca. Em construção com Juraci e Rick, Maca organizou os textos, o roteiro geral e assumiu a direção e produção do espetáculo. Todos os poemas e canções são oriundos do livro ‘Vocábulos Caminhantes’ e do disco ‘Umbilical’, ambos de Juraci Tavares. Rick Carvalho é responsável pela trilha sonora.
Segundo o diretor Nelson Maca, a junção de Juraci e Rick resultou em um espetáculo com muita potência. “É um encontro bastante interessante. Convidamos o público para um momento muito único. A poesia e a sensibilidade de Juraci, somada à sonoridade da kora, porém utilizando efeitos percussivos orgânicos ou uma sonoplastia a partir do samples. Será mágico”, aposta.
Para o diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais, Chicco Assis, o espetáculo é muito rico, e uma ótima opção cultural para baianos e turistas conhecerem mais sobre a música preta de Salvador.
“Juraci Tavares é um grande mestre da poesia e da música, com várias canções de sucesso no repertório dos blocos afros e afoxés daqui, de Pernambuco e do Brasil. A união da genialidade de sua poesia e da doçura de sua voz com o som mântrico da kora do também mestre Rick Carvalho é um convite ao deleite e a conexão com a ancestralidade que nos habita. Convido todo mundo para assistir a essa grande obra", reforça Assis, lembrando que a distribuição gratuita é feita por ordem de chegada ao local.
A Festa de São Lázaro é celebrada todo ano no último domingo de janeiro, na Igreja de São Lázaro e São Roque, na Federação. Muito além das missas e da tradicional procissão, ela está, ao lado da Lavagem do Bonfim e da Festa de Santa Bárbara, entre as celebrações de maior sincretismo religioso de Salvador, fundindo visões distintas em busca do bem comum. A celebração, que acontece neste domingo (28), resume uma preparação festiva de três dias - o tríduo - e remete a santos de cura, entidades às quais se atribuem melhoras de saúde, relação aos pedidos de bênçãos e agradecimentos por graças alcançadas.
Um desses casos é o recorte da vida da Ialorixá Tania Pereira de Jesus, de 57 anos, de nação ketu e com 50 anos de feitura de santo. Independentemente de sua hierarquia religiosa, há oito anos ela oferta banhos de pipoca em frente à Igreja de São Lázaro. A prática teve início por orientação dos orixás, em virtude de um problema de saúde que acometeu a neta Maria Eduarda, a Madu, hoje com 13 anos e completamente curada.
“Comecei o banho de pipoca no mês de agosto, época da festa de São Roque, pois, na última semana de julho, minha neta apresentou um problema de saúde. Conversei com os orixás, avisando que daria banhos de pipoca em frente à igreja. Fui para a igreja com um balaio de pipoca. No mesmo dia, ganhei mais um quilo de milho. Isso deixou subentendido para mim que teria de voltar ao local. E foi o que fiz. Quando veio a festa de São Roque, ganhei uma saca de milho, que distribuí com a minha neta. Dali em diante, entendi que tinha que continuar este trabalho, também durante a festa de São Lázaro”, afirma.
Para a Ialorixá, a festa de São Lázaro é emocionante. “Tenho uma boa convivência com os padres, podendo até mesmo entrar na igreja na hora do ofertório, com o balaio de pipoca e o incenso. São Lázaro e São Roque são santos que nossos ancestrais foram inteligentes em associar aos orixás, para cultivar e reverenciar de forma escondida, como era possível na época. Neste caso específico, tratam-se de dois santos que preservam a saúde das pessoas, sendo médicos do povo e protetores contra as enfermidades”, lembra.
Dois mundos - Enquanto no templo religioso a comunidade participa das três missas diárias, no entorno da igreja pessoas de todos os credos celebram acendendo velas, distribuindo flores, pós de cura e proteção, banho de pipoca, dentre outras, vendendo ou doando artefatos que ora remetem a São Lázaro, ora a Omolu/Obaluaê, conforme o sincretismo com o candomblé - que em algumas casas são tratados como o mesmo orixá, e em outras como entidades distintas.
Pároco da igreja e há quatro décadas envolvido com a festa, o missionário polonês Casimiro Malolepszy está em sua terceira passagem no santuário. Ele explica que a propriedade em que a ermida de São Lázaro foi erguida integrava uma espécie de entreposto comercial no Século XVIII que recebia parte dos africanos escravizados que chegavam à colônia. Como muitos deles chegavam debilitados pelos maus tratos, recebiam os primeiros cuidados ali mesmo, sob a benção e proteção do orago da casa sagrada.
"Obviamente que, durante esta viagem tão longa, muitos ficavam doentes, então aqui eram mantidos para não contaminar ninguém. Logo, entende-se que este foi o primeiro hospital para esses escravos. Justamente por conta dessa ligação com os escravizados trazidos da África, e também pela história de sofrimento do próprio Lázaro, como relatada no evangelho de Lucas, que as pessoas se identificam com a igreja e sua história", explica Malolepszy.
A festa - Composta por missas, procissões e a manifestação pública, a Festa de São Lázaro tem celebrações internas com missas às 9h, 11h e 13h, além de uma missa solene às 15h, seguida de procissão até a região do cemitério do Campo Santo, retornando ao templo religioso para o encerramento da parte religiosa com a benção do Santíssimo Sacramento. Lá fora, mães, pais e filhos de santos - além de adeptos, turistas e simpatizantes -, realizam os atos referentes à lavagem das escadarias, banhos, distribuição de passes e bênçãos referentes ao sincretismo com Omolu/Obaluaê.
"É algo que já faz parte da história e tradição, que acolhemos com muito carinho. É preciso salientar que, no tempo do tráfico de escravos, eles chegavam aqui com suas crenças próprias, toda uma religiosidade, e muitas vezes não eram catequizados, pois havia um conceito de que não era preciso catequizar os negros, apenas os índios. Então, por conta disso, eles foram associando as crenças, os santos e os orixás, e temos o que temos hoje, com toda essa festa do lado de fora”, destaca o pároco.
Sob o tema “São Lázaro: Amizade Social”, a festa deste ano faz essa referência à campanha da fraternidade de 2024. “Dessa forma, realmente entendemos São Lázaro como aquele que, em seu primeiro momento, foi rejeitado porque vivia simplesmente como um mendigo. Em um segundo momento, temos um Lázaro acolhido pela comunidade, em clara alusão às diversas tentativas que vemos hoje de superar as grandes diferenças sociais, realizadas pelas várias organizações pastorais e mesmo aquelas não religiosas, em busca de vencer ou, pelo menos, de amenizar esta injustiça”, lembra o religioso.
De acordo com o padre Casimiro, no imaginário popular São Lázaro surge como aquele que é acolhido e tem algo para revelar através das suas chagas, suas feridas, suas roupas rasgadas, o cachorro que lambe as feridas. Considerado protetor de idosos, leprosos e dos animais enfermos, no candomblé, São Lázaro também é sincretizado com Omulu/Obaluaê, o orixá da medicina que cuida dos doentes crônicos. Em estatuetas e pinturas, é geralmente representado por um homem velho, portando um cajado como muleta e vestindo trajes velhos nas cores roxa e marrom, que simbolizam sofrimento e penitência, respectivamente.
Segundo o historiador Murilo Melo, São Lázaro sempre foi muito procurado em Salvador, inclusive durante a pandemia da Covid-19, que castigou a cidade recentemente. "Ele sempre foi muito venerado e considerado muito importante para a sociedade e para a cidade. A Igreja de São Lázaro está localizada em um ponto muito bonito da cidade. E, ao longo do tempo, tem início o festejo de São Lázaro. Entretanto, não se comemora apenas São Lázaro nesta data. Por conta de toda a história junto aos escravos, os devotos passaram a sincretizar o santo curandeiro com um similar do candomblé, criando essa associação com Omolu”, diz.
"Nos períodos históricos onde a cidade passou por enfermidades coletivas, principalmente nos períodos de pandemia, como as ocorridas no século XIX, quando Salvador passou por um surto de cólera de 1855, onde a devoção a Omolú e São Lázaro se fizeram presentes. E assim acontece desde então, seja com os festejos externos, ou no tríduo, nas missas e em toda essa diversidade religiosa, que conta com a participação de pessoas de todas as classes sociais. Tudo isso é muito significativo e interessante", relata Murilo Melo.
Relatos - Assim como ocorre no Bonfim, a devoção na Igreja de São Lázaro conta com uma sala de ex-votos, voltada para a cura dos enfermos e dos animais. Da mesma forma, o local contempla a chamada “Capela dos milagres”, onde as pessoas depositam símbolos, objetos que demonstram o resultado da cura, da mesma forma que ocorre na Colina Sagrada, embora aconteça com uma expressão popular um pouco menor.
Murilo Melo lembra que São Lázaro sempre foi representado como um santo sem teto, comparado a um mendigo, com feridas no corpo, sendo procurado para realização da limpeza do corpo e da alma, sendo uma representação significativa no candomblé, a partir dos orixás Omolu e Obaluaê, com o corpo coberto de palha, cujas chagas do corpo ficam ali escondidas, sob a forma das entidades.
“Tanto Omolu quanto São Lázaro são marcados pelo desamparo, lembrando a mendicância do personagem da parábola bíblica na casa dos mais abastados, lembrando o abandono e que, na morte, todos se igualam, pois na morte não há mais espaços para ricos ou pobres, sendo que todos terminam no mesmo lugar. Já a narrativa de matriz africana fala que Omulu foi abandonado pelos pais, por ter nascido com o corpo cheio de feridas, quando ele é salvo por Iemanjá utilizando folhas de bananeira. Por isso mesmo, na representação física ele surge com aquela roupa de palha, capuz, búzios e demais acessórios”, destaca Murilo.
Programação - A festa tem início às 6h do domingo (28), com uma alvorada de fogos. As missas acontecem às 7h, 9h e 11h. Já às 15h acontece uma missa solene seguida, às 16h, de uma procissão. Às 18h acontece a bênção do Santíssimo Sacramento. Antes, no sábado (27), às 11h, acontece a lavagem das escadarias, tudo isso alinhado à participação popular.
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