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A Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), inaugurou a nova Upinha Periperi na manhã desta segunda-feira (1º), para ampliar o atendimento aos casos suspeitos de arboviroses (dengue, zika e chikungunya) e síndromes respiratórias na região do Subúrbio de Salvador, além de garantir que a população seja assistida de maneira efetiva e ágil. A unidade está localizada na Rua Dr. Almeida, Periperi (quadra de Esportes da Urbis), com funcionamento 24h, de domingo a domingo, e capacidade de atender 150 pessoas por dia, ou seja, 4,5 mil pacientes deverão ser acolhidos por mês.

A iniciativa é parte da mobilização Salvador Contra a Dengue e conta com uma estrutura inovadora e tecnologia de ponta, sendo três consultórios, 13 leitos de observação e um leito de estabilização, sala de medicação, sala de coleta de exames laboratoriais e áreas de apoio administrativo. Também há comunicação visual diferenciada, com informações acerca da dengue e as formas de prevenção da doença, bem como da gripe.

O serviço conta com 21 profissionais, sendo três médicos plantonistas durante o dia e dois médicos à noite, dois enfermeiros, um assistente social, quatro técnicos de enfermagem, dois técnicos de laboratório, um bioquímico, dois ASG (auxiliares de serviços gerais), três administrativos e um apoio operacional.

A vice-prefeita e titular da SMS, Ana Paula Matos, acompanhou de perto o início da operacionalização do serviço e destacou o objetivo da SMS em seguir reforçando a rede de urgência e emergência. “Os sintomas são parecidos, então nesse equipamento a gente possibilita assistência clínica e tem, se necessário, uma sala de suporte à vida, ou seja, estamos usando todas as tecnologias e investimentos necessários para dar melhor assistência à população, por diversas regiões da cidade, onde há maior fluxo de pessoas e maior necessidade de fortalecimento do serviço. Essa é mais uma iniciativa da nossa mobilização Salvador Contra a Dengue”, afirmou.

O novo equipamento se junta às Upinhas Barris e Itapuã, inauguradas em 12 e 19 de março, respectivamente. Desde o início do funcionamento, ambas somam 2.251 atendimentos.

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Com intuito de fortalecer a educação digital na rede municipal de ensino, a Prefeitura deu início a mais uma turma que será beneficiada pela Formação de Professores no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA Inteligente Salvador). Os 500 docentes que lecionam em escolas das regionais Itapuã, Orla, Liberdade, Cidade Baixa e Subúrbio I tiveram as aulas iniciadas nesta segunda-feira (1º), no Centro de Formação Emília Ferreiro, no Edifício City Tower, Costa Azul. Os ensinamentos para esse grupo vão até sexta-feira (5).

Nesse primeiro ciclo de formação, o curso desenvolvido pela Secretaria Municipal da Educação (Smed) pretende capacitar três turmas, totalizando 1,5 mil educadores da rede. As aulas versam sobre como melhor utilizar a plataforma, para que, a partir dos recursos digitais, os professores e coordenadores possam elaborar atividades e o planejamento pedagógico das aulas. A formação da primeira turma foi iniciada no dia 20 de março. A terceira e última turma encerra o ciclo de aprendizado no próximo dia 12.

Para a professora de Educação Física da Escola Municipal Madre Judite, na Federação, Jacilene Santiago, 44 anos, a plataforma tem sido muito útil para fomentar pesquisas. Embora lecione uma disciplina que tem predomínio de aulas práticas, a educadora garante que uso da ferramenta digital é fundamental para o embasamento teórico.

“A partir da pesquisa podemos enriquecer demais as nossas aulas. Os alunos têm aprendido a pesquisar na internet e isso amplia o ensino”, diz.

Há 16 anos lecionando Língua Inglesa aos alunos do 1º ao 5º ano em duas escolas da rede, Alcione Almeida, 54 anos, é educadora em instituições municipais localizadas em Mussurunga e São Cristóvão. Segundo ela, a ferramenta tem feito a diferença em suas aulas, em especial, para os alunos com idades entre 6 e 8 anos que se identificam muito com a linguagem audiovisual.

“Como ensino aos pequenos, aqueles que estão em processo de alfabetização, o uso dos vídeos, figuras e ilustrações têm nos ajudado demais. A plataforma nos dá esse suporte bem interessante. Para minha disciplina, que é o inglês, realmente tem sido uma maravilha”, diz a educadora.

Público-alvo – O público-alvo da formação, nesse primeiro ciclo, é de professores dos anos iniciais (1º ao 5º ano) em Língua Inglesa, Língua Espanhola, Educação Física e Artes, incluindo as linguagens de Música, Teatro, Dança e Artes Plásticas, e educadores dos anos finais (6º ao 9º ano) também nestas áreas, incluindo História, Geografia e Ciências.

A Coordenadora de Inovação Pedagógica da Smed, Jucineide Carvalho, explica que a Smed montou um plano de formação e pretende capacitar todos os educadores da rede. “Começamos com os professores dessas áreas que envolvem artes e linguagens. A formação continuada, conforme determina o Plano Municipal de Educação, precisa contemplar a todos. A plataforma é muito robusta, por isso, a importância dessa formação tão detalhada para ensinar como acessar e como funciona o planejamento pedagógico”, disse.

A ferramenta potencializa a aprendizagem dos estudantes, além de facilitar o planejamento dos professores. Ela destaca que a plataforma virtual apresenta vários recursos que podem facilitar muito a dinâmica de ensino, por isso, a formação é fundamental.

“A aquisição dessa plataforma é um ganho muito grande para nós educadores e para os estudantes.  É colocar a educação de Salvador no universo da educação digital, de forma bastante arrojada e assertiva. O curso tem sido fundamental para ensinar como melhor utilizar a ferramenta na sala de aula onde atua”, considera.

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Começou, nesta segunda-feira (1º), mais uma turma para o curso de capacitação de desenvolvedores Maker No-Code Starter. O programa é promovido pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (Semit), em parceria com a Softwell Solutions.

O curso, que é gratuito e oferece certificação, tem uma carga horária total de 20 horas, distribuídas ao longo de cinco dias, com duração de quatro horas por dia. As aulas são ministradas presencialmente, no Sebrae, na sede do Costa Azul. Todo o material necessário para os estudantes é disponibilizado durante os dias de curso.

Demandas do mercado – Adriano Barbosa, colaborador da Softwell, destaca a acessibilidade da ferramenta e a importância de ter um conhecimento básico em programação, especialmente no contexto de um mercado que demanda sistemas. "O Maker No-Code é uma tecnologia de ponta, de aprendizado fácil e rápido, totalmente visual. Nosso diferencial é proporcionar a capacitação necessária para atender às demandas do mercado, mesmo para aqueles sem experiência ou conhecimento prévio em programação, permitindo o desenvolvimento de sistemas web e aplicativos", explicou.

A parceria entre a Semit e a empresa possui um histórico sólido, sendo esta a oitava turma do curso. Mais de 600 pessoas em Salvador já foram capacitadas. Novas turmas estão sendo organizadas ainda para este ano de 2024.

Caio Vinicius, atendente de 32 anos e morador do Cabula é um dos 30 alunos da turma mais recente, conta que descobriu a capacitação através do e-mail do órgão onde trabalha e viu nisso uma grande oportunidade. "Estou aqui para começar do zero. Acho importante adquirir esse conhecimento para aplicá-lo na área em que trabalho e em outras áreas que pretendo explorar no futuro. Estou ansioso por muito aprendizado", destacou.

Políticas de segurança – A tecnologia No-Code utiliza um ambiente de desenvolvimento virtual para permitir que colaboradores de diversas áreas, interessados no tema, possam criar aplicativos ou automatizar fluxos de trabalho, seguindo padrões e políticas de segurança de TI. Não é necessário o uso de códigos de programação, pois as soluções são encontradas por meio de plataformas pré-existentes.

Reportagem: Iann Jeliel/Secom PMS

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Salvador continua sendo destaque entre as cidades mais procuradas do país por turistas em períodos festivos e feriados. Neste feriadão da Semana Santa não foi diferente. De acordo com levantamento feito pela Decolar, empresa líder em viagens na América Latina, Salvador conquistou a terceira posição no ranking dos destinos nacionais mais procurados para o período. O levantamento foi realizado com base na procura por passagens aéreas em suas plataformas de vendas para o período.

Em dezembro de 2023 a capital baiana também alcançou este feito sendo um dos destinos mais procurados para passar o réveillon. A estatística foi feita pela mesma operadora de viagens.

O diretor de turismo da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), Gegê Magalhães, destacou que a capital tem feito um trabalho intenso para ser cada vez mais atrativa para os visitantes. Ele acredita que os resultados podem ser mensurados com levantamentos como este, apresentado pela Decolar.

“Mais uma vez a gente vê Salvador como uns dos destinos mais procurados em feriados prolongados o que mostra que a cidade está sempre bem posicionada. Isso prova que todo o trabalho de reposicionamento da cidade, divulgação do destino turístico, investimento em novos equipamentos, atrações e experiências tem despertado não só curiosidade no público nacional quanto internacional”, detalhou.

No período da Semana Santa, de 29 a 31 de março, o Aeroporto de Salvador recebeu passageiros de 304 voos. A maior quantidade destes voos foi oriunda do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

O gerente de marketing e promoção aérea do Salvador Bahia Airport, Marcus Campos, afirmou que houve um otimismo grande para a chegada de turistas neste período na cidade. “Tivemos um bom volume de voos para a Semana Santa. Em janeiro nós tivemos cerca de 30 voos diários entre Salvador e São Paulo e isso naturalmente  amplia o leque de passageiros da principal cidade do país para Salvador e demais destinos ao redor da cidade”, finalizou.

Reportagem: Joice Pinho/Secom PMS

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A Prefeitura de Salvador vai oferecer, em parceria com a empresa Shopee,

uma qualificação gratuita para empreendedores que desejam vender por meio da plataforma on-line. O encontro acontecerá no próximo dia 11, no auditório do Serviço Municipal de Intermediação de Mão de Obra (Simm), no Comércio, às 16h. A qualificação será ministrada pela equipe da Shopee e terá carga horária de duas horas. Todas as 50 vagas disponibilizadas já foram preenchidas.

A atividade é fruto do programa Empreenda Salvador, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec). O programa busca oferecer ferramentas gratuitas para tornar os pequenos negócios cada vez mais sustentáveis e competitivos, na capital baiana. A meta é promover avanço na economia, oferecendo aos empreendedores capacitações, formações e outras atividades.

Qualificação e empregabilidade – A titular da Semdec, Mila Paes, destacou que a parceria com a empresa é muito positiva para a capital. “É um segmento que a gente vem investindo com muito trabalho para fomentar. Então ter essa qualificação empreendedora para plataformas logísticas faz muito sentido para a gente. Enxergamos o setor logístico como importante e Salvador pode, de fato, se destacar e se posicionar. Perceber que estamos vendo empresas da área de logística se instalando na cidade, gerando emprego e contribuindo com a qualificação e empregabilidade conosco, é muito bom”, detalhou.

A Shopee, originária de Singapura, no sudeste asiático, tem foco local e desde 2020 conecta empreendedores brasileiros no marketplace. De acordo com a empresa, já são mais de três milhões de vendedores do Brasil registrados na plataforma.

O head de Desenvolvimento de Negócios na Shopee, Felipe Lima, explica que o treinamento faz parte do compromisso da empresa em desenvolver e digitalizar o comércio local, principalmente o micro e pequeno empreendedor. "Estamos entusiasmados em fazer parte do Empreenda Salvador e poder compartilhar nossa experiência com negócios online para fortalecer os empreendedores soteropolitanos”, completa Lima.

Conteúdos on-line – Em 2023, a Shopee inaugurou um centro de distribuição na região metropolitana de Salvador, para levar mais agilidade na entrega dos pedidos dos usuários da região. A cidade figura entre as top dez cidades com mais lojistas cadastrados na empresa.

Atualmente, a Bahia está em primeiro lugar no ranking de estados do nordeste, com mais vendedores na plataforma. Entre os itens mais comprados pelos consumidores da capital baiana estão mini máquina de costura portátil, smartphones, videogames e máquina de cortar cabelo. No quesito busca, os  soteropolitanos procuram bastante fone sem fio bluetooth, ventilador, vestido, bolsa e tênis.

Empreendedores que não conseguiram se inscrever para participar da atividade presencial ou querem se aprofundar nos conteúdos para vender on-line, têm como alternativa o Centro de Educação do Vendedor. No site https://seller.shopee.com.br/edu/home, os soteropolitanos podem aprender o passo a passo para alavancar o próprio negócio digitalmente.

Reportagem: Joice Pinho/Secom PMS

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Ainda em comemoração aos seus 475 anos, celebrados em 29 de março, Salvador ganhou nesta segunda-feira (1º) outro grande presente: a construção de um moderno equipamento para sediar eventos esportivos e culturais nacionais e internacionais. O prefeito Bruno Reis assinou a ordem de serviço para início das obras da Arena Esportiva Salvador Governador Antônio Balbino, que ficará localizada na Boca do Rio.

Com investimento de R$163 milhões, o espaço terá capacidade para abrigar mais de 12 mil espectadores e vai devolver a Salvador a condição de atrair grandes eventos. Desde que o ginásio Balbininho foi demolido em 2010, para a construção da Arena Fonte Nova, a capital baiana não conta com um equipamento de grande porte com essa finalidade. A obra da nova arena está prevista para ser concluída em dois anos.

“Esta manhã jamais sairá da memória de Salvador. Estamos resgatando um equipamento importante, que foi demolido em 2010. Portanto, há quase 15 anos que a cidade não tem uma grande arena. Vocês sabem, várias atrações internacionais se apresentam em outras cidades do Nordeste e não vêm a Salvador porque aqui não tem um espaço como esse. Hoje, porém, vamos dar início a esse resgate e à realização desse sonho: vamos trazer de volta o grande ginásio da cidade”, disse Bruno Reis em discurso.

A localização foi escolhida estrategicamente: a Arena Esportiva ficará ladeada pela Arena Daniela Mercury e pelo Parque dos Ventos, ambos para eventos a céu aberto, e pelo Centro de Convenções, para encontros corporativos e feiras. Ou seja: a orla da Boca do Rio vai se consolidar como o maior e mais diverso complexo de eventos do Norte e Nordeste, sendo um dos mais completos do Brasil.

“Gente, nenhuma outra cidade do Brasil possui algo assim. Nem mesmo São Paulo, com o Ibirapuera. São quatro grandes equipamentos, um do lado do outro, que vão se completar e se integrar. Tudo com fácil acesso, em frente ao mar, numa localização estratégica que vai fazer com que Salvador, que já é líder hoje no Brasil na atração de eventos, seja também de eventos esportivos. Temos um masterplan para toda essa área da Boca do Rio, com visão econômica, e esses equipamentos vão gerar milhares de empregos”, afirmou Bruno Reis.

O nome oficial da Arena Esportiva vai homenagear Antônio Balbino, governador da Bahia entre 1955 e 1959, que batizava o ginásio demolido em 2010. Familiares dele estavam no evento da assinatura. “Esse equipamento tem a visão de resgatar também a nossa história, voltando a homenagear um dos grandes homens públicos que a Bahia teve. O antigo ginásio a população chamava de Balbininho. Aqui, será o Balbinão”, disse Bruno Reis.

Alto padrão - Toda a estrutura será climatizada e contará com um eficiente tratamento acústico, além de infraestrutura completa dividida em quatro pavimentos que abrigarão pista, arquibancadas, camarotes, camarins, sanitários, serviços de alimentação, entre outros espaços.

Versátil, o equipamento terá a possibilidade de receber espetáculos musicais, teatrais e competições esportivas de alto nível, sendo projetado com base nas melhores práticas de edificações voltadas para entretenimento, a fim de entregar eficiência operacional e uma boa experiência para os espectadores, atletas e demais públicos.

Luiz Carlos de Souza, titular da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), pasta que ficará a cargo da obra, disse que a Prefeitura ouviu diversos atores do setor no país antes de construir o projeto, e a recomendação foi que a arena fosse multiuso. “Assim, a gente vai devolver Salvador ao mapa dos eventos internacionais. Com isso a gente gera mais empregos, fortalece a economia, faz com que as pessoas de nossa cidade tenham mais oportunidades para viver numa cidade cada dia melhor, mais agradável e com uma infraestrutura que dá inveja a outras capitais”, disse.

O formato da arena foi pensado para que 100% dos assentos e lugares disponíveis sejam utilizados em qualquer tipo de evento, sem pontos cegos e sem áreas fechadas, tendo arquibancadas em formato de ‘ferradura’, onde um dos setores ficará dedicado exclusivamente à montagem do palco.

Outro ponto importante é a adoção de arquibancadas retráteis, o que permite uma maior amplitude nas capacidades máximas para a arena a depender do tipo de evento. No modo esporte, por exemplo, o local possuirá capacidade máxima de aproximadamente 7,3 mil espectadores, enquanto no modo show a capacidade sobe para 12,5 mil pessoas.

Potencial - Presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington disse que o simples fato do anúncio da construção já começa a movimentar o setor de eventos e de turismo esportivo. “A cidade carecia de um centro esportivo como era o Balbininho, só que essa arena terá uma outra dimensão e virá com uma outra tecnologia, com outro com outro tipo de dinâmica que tem muito a ver com Salvador”, disse.

“Essa notícia é muito relevante para o esporte do Nordeste, sobretudo. Com esse equipamento vamos conseguir atrair competições nacionais e internacionais tanto esportivas como também atender uma demanda de eventos ligados a entretenimento, shows e até esportes eletrônicos, que são competições que precisam de uma área grande, climatizada e fechada para que possa ser realizado”, completou Edington.

Localizada na Avenida Octávio Mangabeira, a Arena Esportiva oferecerá fácil acesso de veículos, sem a necessidade de criar ou alterar os sistemas viários já existentes. Haverá dois bolsões de estacionamento localizados ao norte e ao sul da arena, totalizando 1,1 mil vagas. A Prefeitura possui o plano de desenvolver no entorno um distrito de esportes, cultura, lazer e entretenimento onde a arena será a principal âncora do futuro complexo.

Para o titular da Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), Júnior Magalhães, a arena vai trazer avanços na política de esportes do município. “Essa construção é um marco para Salvador e vai proporcionar o resgate da história do Balbininho que foi um palco de tantos eventos importantes e que há quase 15 anos a cidade perdeu a possibilidade de sediar grandes eventos esportivos. A nossa expectativa é que também haja um incremento no apoio ao esporte amador”, disse.

O projeto econômico da Arena Esportiva foi desenvolvido pela SalvadorPar, empresa de capital misto da administração municipal. A administração do equipamento será feita nos mesmos moldes do Centro de Convenções, com a concessão à iniciativa privada, que vai equipar e operar o espaço.

Reportagem: Thiago Souza e Vitor Villar / Secom PMS

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Um dia após completar 475 anos de fundação, Salvador segue celebrando o aniversário com mais uma obra entregue pela Prefeitura. Desta vez, foram os moradores de Tancredo Neves e adjacências os novos beneficiados com a Arena Gbeiru, o 40º campo com grama sintética existente na cidade. A cerimônia simbólica de inauguração ocorreu na manhã deste sábado de Aleluia (30), com as presenças do prefeito Bruno Reis, demais gestores municipais e populares.

O novo equipamento esportivo foi implantado sob a coordenação da Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), com investimento de quase R$900 mil. As intervenções envolveram ainda a construção de mureta e vestiário, reforma da arquibancada, instalação de novos alambrados, traves, rede e cobertura, além da preparação da base para receber a grama sintética, promovida pela Superintendência de Obras Públicas (Sucop), vinculada à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra).

A Arena Gbeiru também ganhou novo sistema de iluminação, mais moderno e eficiente, com 24 projetores em LED. A ação foi realizada por meio da Diretoria de Iluminação Pública da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Dsip/Semop).

De acordo com o prefeito Bruno Reis, a intenção da administração municipal é, até o fim deste ano, entregar 100 campos com grama sintética no local. “Esta é a fotografia da realidade de Salvador. Quando a gente podia imaginar isso? Nenhuma cidade do país tem essa quantidade de campos desse tipo, oferecidos de forma gratuita para a comunidade”, destacou.

O chefe do Executivo municipal ainda relembrou a importância do esporte para a transformação de vidas, principalmente das crianças e adolescentes. “O esporte é saúde, disciplina, foco, respeito às regras e à hierarquia, além de profissão e inclusão. Quando um jovem de comunidade se destaca no esporte, ele se torna exemplo para outros no bairro. Além disso, contribui para a diminuição da violência, ajudando a afastar as crianças e jovens da criminalidade. É com essa visão que a gente investe nessa área”, completou.

“Na semana do aniversário da cidade, está sendo entregue esse equipamento esportivo totalmente requalificado para a polução dessa região, que irá funcionar não só para o lazer e incentivar a prática de esportes, como também cumprirá o papel social de integrar a comunidade que dela fizer uso”, afirmou o titular da Sempre, Júnior Magalhães.

Transformação – Morador do Conjunto Arvoredo há 37 anos, o aposentado Cecílio Santos, de 73 anos, era só satisfação com o novo equipamento esportivo. Ele contou que, antes, o campo era de barro e as intervenções até então existentes tinham sido feitas pelos próprios moradores. “Tá de boa, tranquilo, dá até vontade de jogar, mas meus joelhos estão estragados por causa de bola”, riu.

Professor da escolinha de futebol Renascer, que atende a 200 crianças, Ivo Sousa, 45 anos, avaliou que o Arena Gbeiru veio para ajudar a comunidade – agora, os alunos não precisam mais sair para outros lugares, como o Barradão e o Fazendão, para jogar e se aperfeiçoar no esporte. “Graças a Deus, a Prefeitura realizou essa ação, que beneficia a comunidade mais carente e dá qualidade aos treinamentos”, avaliou.

Homenagem – A Arena Gbeiru homenageia um personagem pertencente à tradição oral do bairro, construída e preservada pelos terreiros de candomblé. Gbeiru veio escravizado da Nigéria à Salvador, nos idos de 1820, e se tornou cativo dos Silva Garcia, braço da família Garcia D’Ávila e donos da Fazenda Campo Seco, onde hoje está localizado o bairro Beiru/Tancredo Neves. Com o tempo e muito trabalho, conquistou a confiança dos proprietários e ganhou até mesmo um terreno, onde construiu um quilombo. Sendo assim, deu origem ao primeiro nome da localidade e que permanece até hoje.

Próximas entregas – Ainda dentro da programação pelo aniversário de Salvador, o prefeito Bruno Reis anunciou que, na próxima semana, estão previstas mais ações a serem realizadas na cidade. Dentre elas está a assinatura da ordem de serviço para a construção da Arena Multiuso, na Boca do Rio; a inauguração da Escola Municipal Clériston Andrade, em São Marcos, a maior já construída pela Prefeitura até o momento; a inauguração da Unidade de Saúde da Família da Polêmica; e a entrega de nova etapa do programa Mané Dendê, no Subúrbio.

Reportagem: Priscila Machado/Secom PMS

 

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A Casa das Histórias de Salvador, inaugurada em 2024 como um presente pelos 475 anos da capital baiana, possui uma exposição dedicada ao Acervo da Laje, que há 14 anos reúne obras de artistas do Subúrbio Ferroviário. Uma amostra rica e diversa da coleção, que tem sede no bairro de São João do Cabrito: pinturas, fotografias, esculturas e objetos históricos.

Riqueza que reflete a própria diversidade do Subúrbio, impossível de resumir numa história só. Nesta região da cidade, há bairros planejados e outros de ocupação desordenada; há casas ostentosas, herança da época de veraneio, mas também residências sem reboco; tem um dos maiores parques urbanos do país, mas também tem indústrias, linhas de trem e portos. Tudo espalhado ao longo de um litoral privilegiado, com belas praias e mar calmo, que é abrigado pela Baía de Todos-os-Santos.

A ocupação daquela região é, inclusive, anterior à fundação de Salvador, a primeira capital do Brasil, em 1549: há documentos que citam a criação do Engenho de Afonso Torres em 1544 onde hoje fica Paripe. Trata-se da primeira produção de açúcar documentada no país.

Por 400 anos, o Subúrbio seguiu esse rumo: seu bioma de Mata Atlântica foi terreno ideal para a criação de enormes fazendas de cana-de-açúcar, cultura que esteve no centro da economia colonial. Isso explica, também, a forte presença, até hoje, da cultura negra e das religiões de matriz africana na região, especialmente no Parque São Bartolomeu: afinal, a maior população dos engenhos não eram os senhores brancos, mas sim os homens e mulheres escravizados.

Foi só a partir dos anos 1970 que a paisagem do Subúrbio se transformou na que temos hoje: uma região ocupada por casas e mais casas, construídas por pessoas que vieram do interior em busca de trabalho e de melhores condições de vida e que encontraram ali um morro, um vale ou uma encosta vazios. Surgiu, assim, uma das zonas de maior densidade populacional da cidade, onde moram pelo menos 10% dos soteropolitanos.

Sambaqui da Pedra Oca

Mas essa é a história após a chegada dos colonizadores. Antes disso, o atual Subúrbio foi o lar dos povos tupinambás, que se estabeleceram nas terras ao redor da baía por conta da sua fartura de peixes, abundância de rios e mata fechada. Um dos sítios arqueológicos mais importantes sobre a presença humana antes da colônia foi encontrado na praia de Periperi: o Sambaqui da Pedra Oca.

Mas, o que são sambaquis? São depósitos onde os povos indígenas empilhavam materiais orgânicos, como conchas e ossadas, e objetos diversos. Com o tempo, sofrem os efeitos da areia e da chuva e acabam fossilizando. Comuns no litoral, eles tornaram-se fundamentais para o estudo dos hábitos de vida dos povos indígenas.

E é em Periperi que, em 1961, começou a ser estudado um dos principais sambaquis do Brasil: o da Pedra Oca. Das escavações do antropólogo espanhol Valentín Calderón, foram coletados itens de pedra, de osso e de barro cozido que estão entre os mais importantes da arqueologia brasileira.

Quilombo do Urubu

O atual Subúrbio faz parte do Recôncavo e, como tal, seguiu a lógica da colônia para essa região: engenhos e fazendas de tabaco. Na verdade, àquela época, tirando a Sé (ou Centro Histórico), toda Salvador era tomada por propriedades rurais. Porém, por conta da facilidade de escoamento da produção pela Baía, o Subúrbio despertou um interesse muito maior dos senhores - e levou muito mais tempo para mudar essa lógica, também.

Por 400 anos, a paisagem foi essa: áreas verdes, casas grandes, pequenas igrejas e, sobretudo, muitas senzalas. O Subúrbio, como todo o Recôncavo, era profundamente escravista. Os senhores de engenho escravizaram famílias inteiras, mantendo cativa uma população de milhares de pessoas.

Foi no atual Parque São Bartolomeu que surgiu no começo do Século XIX o Quilombo do Urubu, fundado por uma mulher: Zeferina. Trata-se de um dos mais importantes quilombos da Bahia, que realizou ofensivas para libertar escravizados das fazendas ao redor. A comunidade resistiu munida apenas de arcos, flechas e facas até dezembro de 1826, quando foi derrotada por soldados de Salvador.

O Quilombo do Urubu era um espaço também de resistência cultural: documentos atestam que nele os quilombolas cultuavam os orixás. Em São Bartolomeu, os negros encontraram um ambiente propício à reconstrução da sua identidade. As cachoeiras possuem nomes de orixás - Nanã, Oxumarê e Oxum - e no local ocorrem cerimônias do candomblé até hoje.

E o trem?

O Subúrbio, afinal, possui um ‘sobrenome’: Ferroviário. E ele veio graças à Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, inaugurada em 1860. A linha, que ainda hoje atravessa todo o Subúrbio, da Calçada até Paripe, ligava inicialmente Salvador a Alagoinhas, mas o projeto previa conectar também toda a região produtiva do Recôncavo, como Cachoeira e Nazaré.

O objetivo era dinamizar a economia açucareira e do fumo, trazendo os produtos de trem para o porto de Salvador. “A ideia partiu da elite agrária da Bahia, ou seja, de quem tinha condição de bancar um projeto como esse e de pressionar para que saísse do papel. Mas o trem, principalmente nos anos seguintes, é também um trem de passageiros. E nisso ele exerce um papel fundamental: muitas famílias saíram do sertão e chegaram a Salvador por meio dele”, conta o historiador Rafael Dantas.

O projeto rapidamente fracassou, pois nos anos seguintes a economia açucareira entraria em crise até se desmantelar completamente. Ainda assim, o trem trouxe desenvolvimento: em volta dele, surgiram povoados de operários da linha férrea. Também atraiu indústrias para o Subúrbio, como a São Brás, em Plataforma, de produtos têxteis. O trem seguiu como meio de transporte de passageiros, o que perdurou até o Século XXI.

Local de veraneio

Do começo do Século XX até a década de 1960, o Subúrbio se tornou uma das regiões de veraneio mais cobiçadas pelas elites do Centro de Salvador, atraídas pelas belas praias de águas tranquilas e pela biodiversidade local. Com o declínio da produção açucareira neste período, os grandes proprietários começaram a se desfazer de suas terras, repartindo entre os próprios familiares ou vendendo lotes para outros endinheirados.

Esse cenário ocorre sobretudo na faixa litorânea de Paripe, Tubarão e São Tomé de Paripe, onde ainda hoje é possível ver casas em terrenos amplos, com jardins e varandas. O novo momento, boêmio, é celebrado e descrito em diversas obras literárias, como Os Velhos Marinheiros (1961) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966), ambas de Jorge Amado.

O óleo do Lobato

Em janeiro de 1939, o Lobato era uma área ocupada por residências de pessoas muito pobres, que não conseguiam sequer consumir a água local, pois era uma lama preta que só servia para acender os candeeiros. No dia 21 daquele mês, os homens de paletó chegaram e contaram: aquela lama era riqueza. Em poucos dias, o presidente Getúlio Vargas pisava no Subúrbio para sujar a mão e posar para uma foto histórica.

A descoberta da primeira jazida de petróleo do Brasil no Lobato foi a promessa de uma vida melhor para os baianos. Àquela altura, a Bahia vivia uma grave crise econômica, provocada pelas secas no sertão e pela ruína da agricultura. Salvador recebia cada vez mais gente do interior em busca de trabalho: entre os anos 1940 e 1960, a capital baiana passaria de 300 mil para mais de 1 milhão de habitantes.

“A situação no interior da Bahia era de desemprego e fome. Então, essas pessoas viram na descoberta do petróleo a oportunidade da vida. Elas vieram em busca de emprego e de moradia, só que essa massa não foi absorvida como um todo. É nesse momento que surgem as ocupações desordenadas em toda Salvador e no Subúrbio também, sendo a maior expressão disso as palafitas dos Alagados”, diz o historiador Augusto Fiuza.

O crescimento populacional se intensifica a partir de 1970, com a cidade batendo 2 milhões de pessoas em 1990. Nesse período, o Subúrbio recebe empreendimentos como o Porto de Aratu, o Centro Industrial de Aratu (CIA) e a Usina Siderúrgica da Bahia (Usiba). Em 1971, é inaugurada a Avenida Afrânio Peixoto, mais conhecida como Suburbana, o que levou ainda mais famílias a ocuparem as áreas ao longo da nova via.

Os vários subúrbios

Por isso, a formação do Subúrbio é tudo, menos linear ou uniforme. Talvez, esteja aí o segredo do bairro, tão plural, também na sua paisagem. Em Periperi, temos na região da Praça da Revolução um pequeno núcleo planejado, de ruas largas, pois era a vila operária dos trabalhadores da linha férrea, em sua maioria ingleses e italianos.

O bairro ao lado, Fazenda Coutos, surgiu do realocamento nos anos 1980 de pessoas que estavam na invasão da Malvina, na Paralela, atual Bairro da Paz. Como aquele território era parte do Parque de Pituaçu, o Estado doou lotes no Subúrbio para as famílias - por isso o bairro é planejado. Na mesma época, foram construídos condomínios populares pela Urbis e pelo Inocoop: Mirantes de Periperi e Vista Alegre, por exemplo.

Já ao longo da Suburbana, vê-se bairros inteiros que se criaram em morros devido à pura necessidade de moradia da população: “Mas esse não é um fator só do Subúrbio, é de várias regiões de Salvador: Liberdade, São Caetano, Pero Vaz, entre tantos outros, onde você também observa a ocupação sem uma padronização”, diz Augusto Fiuza.

Para o historiador, o Subúrbio ofereceu algo muito raro para o povo negro e pobre: oportunidade de viver. “Eram pessoas que realmente precisavam morar, ter um teto, e arrumaram os seus meios de construir uma casa onde podiam”, completa.

Reportagem: Vitor Villar / Secom PMS

 

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Se uma cidade é formada por sua gente, a história de um lugar pode ser encarada também como a soma de várias histórias pessoais. Em seus 475 anos, Salvador foi e continua sendo moldada por quem vive nela. E foi para dar protagonismo a essas pessoas que a Casa das Histórias de Salvador (CHS) reuniu uma pequena amostra do povo soteropolitano.

É no terceiro andar da Casa das Histórias que os visitantes encontram o coração do casarão, ou pelo menos onde está mais evidente a inspiração para o nome do edifício e sua razão de existir. Fica neste pavimento um conjunto de relatos de soteropolitanos, pessoas que fazem a capital baiana ser o que é. São histórias, saberes e fazeres da gente de Salvador, personagens com os quais nos identificamos e nos quais muitas vezes nos vemos de alguma forma.

Na exposição “Revelando Histórias”, estão reunidos 24 retratos de mulheres, homens e crianças comuns, de variadas etnias, lugares, idades e profissões. E abaixo de cada um desses retratos, o visitante, com um fone de ouvido, conhece um pouco das histórias dessas pessoas. Muitas vezes ignoradas ou deixadas em segundo plano pela história oficial, essas vivências são parte essencial da Casa, primeiro centro de interpretação do patrimônio de Salvador, inaugurado no final de janeiro deste ano. Eles falam sobre suas experiências, pertencimento, suas relações com a cidade - ou mais especificamente com bairros de Salvador - e suas conexões com aspectos como a religião, ou até mesmo o mar.

É o caso, por exemplo, de Arivaldo Souza Santana, conhecido como Ari Pescador. Líder de uma colônia de pescadores em Itapuã e filho de Iemanjá, ele não só retira do mar o seu sustento, como mantém uma “coisa espiritual” com a água salgada. “O prazer de estar na água e sentir a energia te puxando pra aquilo…eu nunca saí do mar sem uma pescaria, já passei até seis horas mergulhando. Você fica pensando e decide muita coisa quando está mergulhando, pensa como perdoar quando está em conflito. Tudo isso flui no mar”, diz. Casado há 32 anos, ele conta que até mesmo o matrimônio deve ao mar. “O mar tem uma importância muito grande na minha vida. Tudo que tenho na vida veio do mar, alivio minha mente no mar, minha filha pesca comigo”, afirma.

Salvador tem, além da porção continental, três ilhas: Ilha de Maré, Ilha dos Frades e Bom Jesus dos Passos. Nesta última, vive a publicitária e advogada Daniela Passos. “A ilha é meu lugar no mundo, nosso cantinho. As melhores memórias estão lá. Fui morar em Bom Jesus dos Passos aos cinco anos”, lembra. Em seu relato, ela destaca como ocorre localmente a celebração do Dois de Julho, data da Independência do Brasil na Bahia. Na véspera da data, portanto ainda no dia 1º de julho, moradores saem às ruas segurando fachos de fogo. Segundo a tradição oral, o momento remete a uma estratégia usada contra os invasores durante a guerra pela Independência. “Se conta que, pra que não invadissem a ilha, cada um segurava vários fachos acesos, e dava a impressão de que era muita gente”, diz Daniela.

Um aspecto muito importante na concepção da Casa das Histórias é o destaque à contribuição indígena e negra para a formação da cidade. Vindo da região Sul do estado, Niotxarú Pataxó aponta a importância de valorizar a cultura indígena do passado e do presente na capital baiana, onde trabalha com Educação. “Essa diversidade de Salvador me marca. Isso é muito meu também, tentar preservar não só a história, mas a vivência, principalmente porque os povos indígenas estiveram e passaram por aqui”, ressalta. Entre as experiências pessoais mais marcantes vividas na cidade, Niotxarú compartilha a vez em que saiu no Carnaval, junto com o filho, em uma ala indígena junto com o afoxé Filhos de Gandhy.

Criado no bairro da Liberdade, o ator e afrochefe Jorge Washington reflete sobre as consequências de ter crescido sob a influência do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do país. “Quando vim pro centro da cidade, já foi com a negritude incorporada. Muito cedo a gente aprendeu a ter orgulho de ser preto; poder usar sua roupa colorida, seu black power, calça boca de sino”, diz. Segundo ele, ter nascido na Liberdade é “um privilégio”. “Tem uma pulsação diferente do resto da cidade, uma cultura negra enraizada. Um bairro que, na década de 70, tinha aquela turma feliz”, lembra, ao comentar sobre a participação das famílias e o forte sentimento comunitário em festas como o São João e a Semana Santa. “Todo mundo tomava conta de todo mundo. Já molecote, eu subia pro Carnaval da Liberdade, o meu Carnaval era vendo o Ilê. Eu tenho saudade disso”, recorda-se.

Os múltiplos olhares sobre Salvador incluem também a perspectiva da cidade para pessoas com deficiência (PCD). A advogada Mila D´Oliveira fala sobre os desafios de viver a capital baiana em meio às dificuldades com a mobilidade e acessibilidade. “Salvador é uma cidade onde a diversidade é uma grande característica. Quero manter minha identidade enquanto soteropolitana e que pessoas como eu consigam conviver com a cidade como eu convivo. Não quero estar afastada da cidade, quero estar nos eventos, nas manifestações culturais, entrar em todos os lugares”, afirma. Para ela, além da diversidade, um traço marcante de Salvador é o cultivo à alegria e ao prazer. “Estamos sempre em busca de estar bem. Isso é uma fonte de ensinamento”, defende.

Esses são alguns dos relatos que formam o patrimônio humano da Casa das Histórias de Salvador. São narrativas nas quais estão refletidos os quase cinco séculos de Salvador. Assim, o casarão reúne os saberes e fazeres das pessoas comuns, muitas vezes não abordados pela história oficial, de modo que os visitantes reflitam sobre os sentidos da memória e do futuro da primeira capital do país.

Exposição dá voz às pessoas que fazem Salvador

Cada andar da Casa das Histórias de Salvador dá ênfase a um aspecto da capital baiana. No primeiro pavimento, estão as belezas naturais, o patrimônio anterior mesmo à construção da cidade. No segundo andar, é proposta uma reinterpretação da ideia de patrimônio, com foco não só em edificações, mas também em outros aspectos. E o terceiro pavimento é destinado ao povo, a quem construiu e constrói cotidianamente Salvador.

A curadora da Casa, Ana Helena Curti, explica que o objetivo da exposição “Revelando Histórias” foi criar um espaço de convivência e também uma experiência coletiva. “A ideia foi dar voz às pessoas que vivem em Salvador, trazendo essas histórias pessoais”, aponta  Ana Helena. Com isso, foi montado um panorama o mais diverso possível da população soteropolitana.

Além de vozes múltiplas, a exposição também buscou selecionar relatos que pudessem agregar valor e conteúdo, envolvendo temas como festa, memória, território, pertencimento, entre outros. A exposição reúne gente de diferentes gêneros, idades, religiões, etnias, profissões, paixões e lugares.

Para a curadora, o terceiro andar da Casa aproxima o público do conteúdo exposto. Ao olhar para aqueles retratos de pessoas comuns enquanto ouvem os relatos no fone de ouvido, os visitantes se identificam com aquelas pessoas. “É como se alguém numa praça dissesse que quer te contar uma história. As pessoas se identificam, percebem que fazem parte da construção dessa cidade”, afirma a curadora.

A proposta, acrescenta Ana Helena, é de que, depois de uma visita ao espaço, “as pessoas possam sair com um olhar transformado, uma percepção diferente”. Passado pouco mais de um mês da inauguração da Casa das Histórias, mais de 20 mil soteropolitanos e turistas já foram conhecer essas e outras histórias.

 Reportagem: Rodrigo Aguiar / Secom PMS

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