Depois de percorrer os roteiros Recôncavo baiano, a partir de Cachoeira, e Litoral Norte, a partir de Mata de São João, o Fogo Simbólico – um dos principais símbolos da celebração do 2 de Julho, Independência do Brasil da Bahia – chegou à capital baiana na tarde desta segunda-feira (1º). A cerimônia foi realizada no Panteão de Pirajá situado na Praça General Labatut, em Pirajá, e acompanhada por autoridades municipais, civis e militares, e população. Em seguida, o momento teve ainda mais brilho com a apresentação do grupo Cortejo Afro, criado no próprio bairro.
Presente na ocasião, o secretário de Cultura e Turismo de Salvador (Secult), Pedro Tourinho, ressaltou que a tradicional cerimônia reforça, a cada ano, a importância da localidade na consolidação da Independência do Brasil. “Pirajá é o grande coração dessa luta, pois aqui aconteceram os momentos mais importantes e simbólicos contra o domínio português. Estar aqui mais uma vez, reverenciando esse acontecimento é superimportante também para fortalecer o este bairro e a nossa cidade”, declarou.
O presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, reiterou a importância da Batalha de Pirajá no cenário de luta do povo baiano contra os portugueses, e lembrou que a cerimônia ganhou um elemento histórico a mais. “É uma solenidade muito importante e que passou a contar, desde o ano passado, com duas tochas do Fogo Simbólico, a partir a inclusão do Litoral Norte como reconhecimento da participação dessa região na luta pela Independência. O 2 de Julho precisa ser redescoberto, estudado, entrar no currículo escolar como disciplina obrigatória, porque a Independência do Brasil se concretiza na Bahia, em 1823”, avaliou.
Roteiros – O Fogo Simbólico representa a união dos povos para a conquista da libertação do estado. O roteiro Recôncavo parte da cidade de Cachoeira e percorre 100 km, passando por cidades como Saubara, Santo Amaro, São Francisco do Conde e Candeias. Já o roteiro Litoral Norte, com 50 km, começa em Mata de São João e segue por Dias D’Ávila, Camaçari e Lauro de Freitas, até encontrar o roteiro Recôncavo em Simões Filho e terminarem o percurso em Salvador. Este ano, a atleta de ginástica rítmica Júlia Santos, que integrou a seleção brasileira em 2022, ficou encarregada de entrar no Panteão com o Fogo Simbólico.
Cuidadora de idosos e moradora de Pirajá, Renilda Santos, de 52 anos, fez questão de comparecer à cerimônia por mais um ano, transmitindo a tradição familiar. “Minha mãe me trazia aqui e agora trago minha filha e meu sobrinho. Eu conto a eles que aqui é um bairro de luta, de guerreiros, e tenho orgulho de viver aqui”, relatou.
Cortejo Afro – Além da chegada do Fogo Simbólico, a apresentação do Cortejo Afro, criado pelo artista plástico Alberto Pitta em 2 de julho de 1998, no Ilê Axé Oyá, às margens da Bacia do Cobre, no Parque São Bartolomeu, também era bastante aguardada pelos presentes. O grupo subiu ao palco com figurino repleto de plumagens e grafismo, em referência ao povo indígena, que também integrou o grupo de luta pela Independência do Brasil no estado.
Acompanhada da vizinha Cláudia Silveira, de 30 anos, Mara Luciana da Silva, de 45 anos, demonstrava bastante orgulho pela atração, considerada uma joia da localidade. “Sou nascida e criada aqui no bairro e praticamente participo do evento todos os anos. Eu gosto de ver o Cortejo desfilando no Carnaval e é uma alegria vê-los aqui hoje”, comentou Mara.
“Sou nova em Pirajá e quem me trouxe ano passado para a festa foi ela (Mara). Voltei porque gostei. Quando morava em outro bairro, não tinha ideia que acontecia esse evento cívico aqui. Hoje, trouxe meu filho de três anos”, disse Cláudia.
Reportagem: Nilson Marinho e Luciana Silva/Secom PMS
O passo a passo da luta que guiou o povo baiano à vitória pela liberdade do jugo português, em 2 de Julho de 1823, é o tema central de painéis pintados em muros dos bairros de Pirajá e do Barbalho, palco de batalhas importantes para o êxito brasileiro nas guerras da Independência. O apoio mútuo e miscigenado de brancos, índios e negros são representados em imagens, cores vivas e emoção. As armas: pincéis, brochas, tintas, criatividade e trabalho duro. Os heróis, um time formado por 11 artistas urbanos, dedicados ao grafite e à arte de rua na capital baiana.
Todas as peças têm o cuidado de apresentar um código QR com audiodescrição, para facilitar a vida de pessoas com baixa visão ou deficiência visual, disponibilizando todo o roteiro da história narrada nos painéis, seus nomes e o que representam. Anderson Santos, Isabela Seifarth e Ludmila Lima (em duo), Lee27, Mônica Reis, Rildo Foge e Tárcio V exibem seus trabalhos no bairro do Barbalho. Chany Duscio, Pipino, Samuca Santos e Uillian Novaes ficaram responsáveis pela arte nos espaços de Pirajá.
Intitulada "2 de Julho - Povo Independente", a exposição a céu aberto dos painéis do 2 de Julho é apoiado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), a partir de convites realizados aos artistas para desenvolver o trabalho em parceria. Os participantes enviaram propostas cheias de referências histórias e simbologias relacionadas ao 2 de Julho, oferecendo ainda mais vida e cor às ruas, além de trazer conhecimento sobre essa história, ampliando o senso estético da população soteropolitana e turistas sobre a Independência do Brasil na Bahia.
Localização – Em Pirajá, as obras estão em torno da Praça General Labatut e da Paróquia de São Bartolomeu. Nas paredes estão representados os Encourados de Pedrão, o Corneteiro Lopes, Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa.
No Barbalho, a história ressurge com representações das três grandes heroínas: Felipa, Angélica e Quitéria. No local também pode ser observada a miscigenação do povo lutando contra a opressão portuguesa, com representação das três raças, além dos feitos das três grandes personagens femininas, com a defesa da Abadia da Lapa, a queima dos navios em Itaparica e a bravura de Maria Quitéria representando a força feminina no Exército brasileiro. O local também estampa as figuras simbólicas do Caboclo e da Cabocla.
Artistas – Para Rildo Foge, o convite e a seleção para o projeto de murais foram um reconhecimento ao trabalho de mais de três décadas. "Acho muito importante poder desenvolver esse trabalho para comemoração do dia 2 de Julho. Procurei representar as mulheres que tiveram um papel importante na Independência. Para mim é importante estar participando desse projeto com outros artistas. Dessa forma, há uma troca de experiência e de conhecimento ao representar um tema desse tamanho", diz.
Tarcio Vasconcelos, mais conhecido como Tarcio V, celebra a possibilidade de participar do trabalho com painéis e com a temática da Independência. "Eu quis homenagear os caboclos, que são os verdadeiros donos dessa festa, pois representam o povo da terra. Então, surgiu essa oportunidade e eu trago esse recorte da história no painel, com o caboclo como referência, simbolizando o que há de mais popular na cidade", explica.
Ludmila Lima, que divide o painel “2 de Julho: Vitória do Povo” com Isabela Seifarth, explica que o convite para participar foi motivo de alegria para a dupla. "A escolha do tema e nossa participação é uma forma de eternizar nossa arte fazendo parte da história da cidade, representando aquilo que é o 2 de Julho, ao trazer o povo como representantes e protagonistas desse momento tão importante. Em nossa arte focamos nas heroínas da Independência e na grande mistura de raças que culminou nesta grande vitória".
Sobre os artistas – Anderson Santos é pintor e trabalha principalmente com o óleo sobre tela, cartão, madeira, e desenhista, utilizando o grafite ou o carvão sobre papel, e destes dois caminhos desenvolvendo pintura e desenho digital, adaptando a técnica tradicional para a nova realidade digital. Graduado em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) em 1999, expôs nas principais capitais brasileiras, mas também na Itália e Estados Unidos.
Já Isabela Seifart é uma artista visual que trabalha sobretudo criando narrativas transmitidas através da pintura. Sua pesquisa permeia o universo das tradições da Bahia e do Recôncavo Baiano, incluindo seus acervos materiais e imateriais. Ludimila Lima é aquarelista que se inspira em seus ancestrais. A tatuadora e empreendedora iniciou a trajetória no mundo da arte através de desenhos, grafite e pinturas em tecidos.
O artista visual e educador Lee27 é um dos pioneiros no país a inserir elementos de matriz africana no grafite, como orixás e pinturas negras, destacando principalmente a regionalidade baiana e a cultura do Recôncavo. Mônica Reis é uma das artistas pioneiras do graffiti feminino na Bahia, tendo iniciado os trabalhos como grafiteira em 2005, desenvolvendo a arte das tintas nos muros da cidade. É Integrante dos grupos de grafiteiras Toque Feminino Crew.
Vindo do sul da Bahia, o artista plástico e muralista Rildo Foge ficou conhecido por retratar os tempos áureos nos muros de Ilhéus em grafite. Trabalha desenvolvendo oficinas em instituições e bairros, em cidades diferentes, retratando a cena do movimento urbano através das artes visuais.
Um dos principais expoentes do grafite na Bahia, o artista visual, ilustrador e grafiteiro Tarcio V iniciou a trajetória artística em 2004. Soteropolitano, tem como fonte em seu trabalho a forte relação com a cultura popular e religiosidade afro-brasileira.
A artista plástica argentina residente na Bahia, muralista e professora de artes visuais Chany Duscio iniciou os trabalhos como grafiteira em 2005, sendo uma das pioneiras entre as mulheres de Salvador a desenvolver a arte das tintas nos muros da cidade. Também integra o grupo de grafiteiras Toque Feminino Crew.
Natural da cidade baiana Amélia Rodrigues, Pipino é artista plástico, desenhista e grafiteiro. Influenciado pela natureza morta, cultura popular e tradição nordestina, ele tem se destacado pela capacidade de capturar a essência vibrante do cotidiano das feiras livres e das paisagens rurais e urbanas da Bahia. Já Samuca Santos, natural de Salvador, é artista visual graduado pela Escola de Belas Artes da Ufba, grafiteiro e educador e, desde o ano de 2003, atua na cena urbana da capital baiana.
Por fim, o artista plástico nascido em Maracás (BA), Uillian Novaes, é formado em Belas Artes pela Ufba. Divide seu tempo entre produções de pinturas, gravuras, ilustrações e esculturas. Ao transitar por linguagens artísticas distintas, da escultura até a tatuagem, tem o desenho como fio condutor de suas expressões que possibilita registrar em cada linguagem suas características próprias.
O tradicional Te Deum, que historicamente marca o início dos festejos pela Independência do Brasil na Bahia, foi celebrado na manhã desta segunda-feira (1º) na Catedral Basílica de Salvador, no Terreiro de Jesus, no Pelourinho. A cerimônia foi presidida pelo arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, cardeal Dom Sérgio da Rocha, ao som do Coral da Irmandade do Senhor do Bonfim, regido pelo Maestro Francisco Rufino, e contou com a presença de autoridades civis e militares.
O Te Deum, que em latim significa “A Ti, Deus”, é um louvor antigo da Igreja Católica, entoado apenas em ocasiões especiais. Há 200 anos, ou seja, desde 1824, é com essa celebração que se abrem os festejos do 2 de Julho.
De acordo com Dom Sérgio da Rocha, o Te Deum é motivo de louvor a Deus e de gratidão aos que fazem parte da história da Bahia, sobretudo os que tanto lutaram pela independência. “Nós temos o reconhecimento e agradecimento de todos os povos envolvidos diretamente nesse processo. É ação de louvor a Deus e também de gratidão a essas pessoas. Momentos como as lutas que aconteceram aqui na Bahia devem ser reconhecidos em todo o Brasil. Fazemos memória através do Te Deum, repetindo esse gesto que acontece ao longo da história”.
“É um momento especial e importante onde agradecemos a Deus a oportunidade de estar nessa cidade livre e democrática, que foi importantíssima para a independência do Brasil, pedindo também proteção, paz e sabedoria para que a gente possa, mais um ano, cuidar do nosso povo. Mantendo a memória viva, a gente continua sempre a valorizar algo tão importante que é a nossa independência”, declarou a vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos.
Representação – O presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, reforçou que essa é uma solenidade tradicional, festiva e em homenagem ao 2 de Julho. “Hoje estamos dando continuidade a essa programação extensa em alusão à data. Eu acho que o Dois de Julho tem uma missão importante que é preservar a importância da data. O Te Deum tem essa missão e devemos trabalhar para cada vez mais aumentar o público, a juventude precisa se ligar no 2 de Julho”, apontou.
Guerreiro lembrou da programação, iniciada no sábado (29) com apresentação do espetáculo “Ao Pé do Caboclo” no Campo Grande, e convidou a todos para o desfile cívico nesta terça-feira (2). “Tivemos uma bela apresentação do Balé Folclórico da Bahia, que foi emocionante. Hoje à tarde a tocha chega em Pirajá, e amanhã de manhã temos o desfile cívico matinal. Então convoco a todos, porque amanhã será um lindo desfile comemorando essa grande data”.
O presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), Joaci Góes, também esteve presente à celebração. Para ele, esses festejos são os mais antigos do continente americano, e o Te Deum se realiza no templo católico mais bonito de toda a América, então é uma celebração à altura da tradição.
O caboclo mestre dos Guaranis de Itaparica, Rildo Peixoto, ressaltou a presença dos povos originários indígenas no Te Deum. “É importante a gente se apresentar e o povo saber que existem os índios na história na independência. Antes, não participávamos da missa. Agora, todos sabem da importância da nossa participação na independência, na cultura e na história da Bahia, e estamos aqui”, declarou.
Rito – O Te Deum (A Ti, Deus!) é um hino da Liturgia das Horas, rezado aos domingos e dias solenes. Este hino foi composto por Santo Ambrósio e Santo Agostinho, no ano de 387, em Milão, por ocasião do batismo de Santo Agostinho. Logo na primeira estrofe é proclamado: “A Ti, Deus, louvamos, a Ti, Deus, cantamos. A ti, Eterno Pai, adora toda a terra”.
Reportagem: Ana Virgínia Vilalva/Secom PMS
A Prefeitura de Salvador inaugurou nesta segunda-feira (1º) o sétimo Restaurante Popular Vida Nova da capital baiana, no bairro de São Cristóvão, elevando para 3,2 mil o número de refeições diárias gratuitas fornecidas pelos equipamentos. A nova unidade tem capacidade para distribuir 400 refeições por dia e funciona das 11h às 13h, de segunda a sexta-feira.
Este é o terceiro restaurante popular entregue pela Prefeitura em menos de um mês. As unidades de Fazenda Coutos e Sussuarana foram abertas para a população nos dias 13 e 21 de junho, respectivamente. Além destes três, a gestão municipal ainda conta com outros quatro equipamentos nos bairros de Pau da Lima, São Tomé de Paripe, Águas Claras e Periperi.
Durante a inauguração do restaurante de São Cristóvão, o prefeito Bruno Reis disse que outros três serão entregues até o final do ano nos bairros de Mares, Valéria e Pernambués. Ele destacou que os restaurantes populares ajudam a combater a insegurança alimentar e, além disso, são a porta de entrada para um conjunto de serviços oferecidos pela Prefeitura.
“A comida é fundamental. Não tem como você ajudar uma pessoa se ela está com fome. Como é que a pessoa que está com fome vai fazer o Cadastro Único? Como é que a pessoa que está com fome vai fazer um curso profissionalizante? Como é que a pessoa que está com fome vai conseguir arrumar um emprego? Não tem como. Então, primeiro a gente garante sua alimentação e qualidade”, afirmou.
“Aqui é uma porta de entrada para um conjunto de serviços. A pessoa vai ter um acompanhamento, e isso que é importante, é você proporcionar que a pessoa possa ter uma progressão social, uma autonomia financeira. Então, a gente vai ver se ela está recebendo o Bolsa Família, se está precisando colocar o filho na escola ou na creche para poder ter condições de fazer um curso que a Prefeitura vai oferecer. Se a pessoa quiser empreender, a gente vai ajudar a abrir um MEI ou um CNPJ como empreendedor individual”, acrescentou o prefeito.
O secretário de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), Júnior Magalhães, ressaltou que o restaurante tem cardápio semanal programado e acompanhado por nutricionistas, com a oferta de duas proteínas por dia. Além das refeições, as unidades contam orientação socioassistenciais, possibilitando o encaminhamento da população para o Centro de Referência de Referência da Assistência Social (CRAS) da área de abrangência, e também para cursos gratuitos de qualificação profissional.
“Nossa prioridade é oferecer alimentação de qualidade, saciar a necessidade urgente de alimentação das pessoas em vulnerabilidade, por entendermos que de nada adianta oferecermos qualquer outro serviço se a pessoa estiver com fome, afinal a fome não espera”, frisou o secretário da Sempre, Júnior Magalhães. No caso dos cursos, explica o gestor, “também são oferecidos transporte, a partir do entendimento de que esse é fator que muitas vezes limita a participação da parcela mais vulnerável da sociedade nessas iniciativas”.
Ele salientou que a escolha dos locais para a implantação dos restaurantes segue critérios técnicos. “Fomos estudar os índices de segurança alimentar e de pobreza. Este restaurante está aqui na avenida Aliomar Baleeiro, mas ele vai servir Vila Verde, Mussurunga, São Cristóvão e toda essa região. Toda e qualquer pessoa que queira e tenha necessidade será atendida nesse restaurante”, declarou.
A diarista Patrícia Maria da Silva, 49 anos, aprovou o novo restaurante em São Cristóvão. “Esse equipamento chega num bom momento pra comunidade, porque muitas pessoas que não têm alimento podem garantir uma refeição diária. Nunca tinha vindo num restaurante popular na cidade e achei essa estrutura aqui maravilhosa, assim como a comida que está sendo servida, o atendimento dos funcionários. Atualmente, estou desempregada e ter condição de almoçar aqui já vai me deixar mais tranquila, além de proporcionar um alívio financeiro”, afirmou.
Reportagem: Thiago Souza / Secom PMS
Moradora da comunidade Vila Alex, em Coutos, Monique dos Santos, 31 anos, passava por muitos perrengues em casa em dias chuvosos. O lugar, conta, sofria com infiltrações a ponto dela ter que mudar com a família para um imóvel vizinho. Essa situação, no entanto, ficou no passado após a Prefeitura reformar mais 200 lares na localidade, por meio do programa Morar Melhor.
As intervenções foram entregues nesta segunda-feira (1º) pelo prefeito Bruno Reis e pelo secretário municipal de Infraestrutura (Seinfra), Francisco Torreão. A iniciativa chegou ao bairro pela terceira vez e já soma mais de 1,4 mil casas requalificadas.
“Não há nenhuma iniciativa que tenha alcance social tão grande quanto o Morar Melhor. Este é o programa mais pedido pela população da cidade, e que vem transformando o sonho das pessoas em realidade sem fazê-las mudar de endereço, do local onde elas já possuem suas vivências e histórias”, destacou Bruno Reis.
O Morar Melhor realiza um conjunto de obras de requalificação de acordo com a escolha dos próprios moradores, num valor de até R$11 mil por moradia. Os serviços vão desde nova pintura e reboco até a reforma completa do telhado ou a criação de novos cômodos, como banheiro e área de serviço, além da troca de portas, janelas, pia, vaso sanitário e outros itens essenciais.
Depois de ter a casa reformada, Monique afirma que pode dormir em paz e com tranquilidade sabendo que sua casa tem todo conforto e segurança. Ela mora na Vila Alex há uma década junto com o marido e dois filhos, Iago Menezes, de 1 ano, e Ian Lucas, 8.
“A minha casa não era rebocada, só tinha dois vãos. O vaso sanitário e o lugar de tomar banho ficavam dentro do quarto, o chão era de cera e o telhado chegou a levantar por conta da ventania e da chuva a ponto de eu precisar alugar uma casa aqui perto para ficar com eles”, revelou.
Para Monique, mais do que uma obra estrutural, o Morar Melhor proporciona mais dignidade. “Meu filho chegou a me contar que sentia vergonha de convidar os amiguinhos dele pela casa antes ser feia. Agora está tudo lindo”, acrescentou.
Funcionamento - Desde 2015, o Morar Melhor já reformou mais de 52 mil residências em 300 localidades da capital baiana. O objetivo, de acordo com a Seinfra, é requalificar mais 4 mil casas até o final deste ano, chegando a 56 mil.
A ação segue critérios como precariedade dos bairros, baseado em dados do IBGE e na observação de campo; áreas com maior predominância de domicílios com alvenaria sem revestimento; com maior predominância de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e com maior incidência de mulheres chefes de família, entre outros requisitos. Não são contemplados imóveis em situação de risco, imóveis de aluguel ou famílias que apresentem renda superior a três salários mínimos.
Entre os locais já beneficiados em 2024 estão Engenho Velho da Federação, Praia Grande, Bairro da Paz, Calabetão, Arenoso, Nova Constituinte, Ilha Amarela, Lobato, São Gonçalo do Retiro, Pirajá, Mirantes de Periperi, Calafate (Fazenda Grande do Retiro), Parque Tercal (Campinas de Pirajá), Buraco da Gia (Brotas), Santa Mônica e Narandiba.
Reportagem: Thiago Souza / Secom
A 2ª Feira Social do Novo Mané Dendê, promovida pela Prefeitura de Salvador no último domingo (30) no bairro de Rio Sena, realizou mais de 2 mil atendimentos entre os mais diversos serviços oferecidos pelo município. Destes, mais de 1 mil foram na área de saúde, entre consultas com médicos especialistas, vacinação e exames de resultados rápidos como ultrassonografia e eletrocardiograma.
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS), por meio do Distrito Sanitário Subúrbio Ferroviário, promoveu cerca de 500 consultas com clínicos gerais, pediatras, cardiologistas e otorrino; 120 ultrassonografias e 35 exames de eletrocardiograma. Também ocorreram orientações de planejamento familiar com entrega de preservativos, atualização das condicionalidades de saúde do Bolsa Família e atualização da carteira de vacinação. Na área de saúde bucal, foram realizadas 365 aplicações de flúor, orientação de escovação e entrega de kits odontológicos.
Uma das moradoras beneficiadas foi Nádia Fonseca dos Santos, de 45 anos, moradora do Alto da Terezinha. Ela contou que ficou sabendo da Feira Social e acabou avisando a três vizinhas, que também receberam atendimento. “Eu vim procurar um clínico, peguei todas as requisições e agora vou providenciar os exames. Eu já tinha tentado a consulta por outros meios, mas a gente sabe que quando tem esses mutirões de saúde é bem mais fácil para resolver as coisas. O atendimento foi muito rápido”, disse.
Uma das amigas levadas por Nádia foi Antônio Cristiana Pimenta dos Santos, de 58 anos. “Também vim em busca de consulta com médico clínico. Vim aferir a minha pressão e observar o controle do açúcar no sangue. O atendimento está 100%”, afirmou.
Titular da SMS, Alexandre Reis destacou o potencial da ação: “É uma iniciativa de extrema relevância, porque facilita o acesso da população a diversos serviços, reunindo ações de saúde, empreendedorismo, assistência social e jurídica, educação e cultura, entre outras atividades de apoio à cidadania, potencializando as políticas públicas na poligonal do Rio Mané Dendê”, disse.
“Garantimos que os moradores pudessem realizar diversas consultas, exames, e procedimentos, com um saldo muito positivo das nossas ações. Mais uma vez atingimos a meta de servir a quem mais precisa”, completou Alexandre Reis.
Outros serviços - Também foram realizados 51 atendimentos relacionados à intermediação de mão de obra, através da Secretaria de Desenvolvimento, Emprego e Renda (Semdec); 241 da Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre); e 324 da Secretaria de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ).
Além disso, foram 153 atendimentos da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-Estar e Proteção Animal (Secis); 25 da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra) e 11 do Escritório Social.
Uma das moradoras de Rio Sena beneficiadas foi Virgínia da Silva Evangelista, de 44 anos, que aproveitou o balcão do Serviço de Intermediação de Mão de Obra (Simm). “Vim procurar vaga de emprego na área de serviços gerais e fui muito bem atendida pelas meninas, elas me trataram muito bem. Eu já tinha procurado em outros lugares, mas fiquei sabendo dessa feira de hoje e vim tentar, porque era mais perto de casa”, disse.
“Aproveitei que também tinha vacinação para animais e trouxe a minha cachorrinha, Nina. Daqui a pouco vou passar em casa e vou buscar a outra cachorrinha para vacinar. Fiquei sabendo do mutirão através da associação de moradores, e o atendimento valeu a pena”, completou Virgínia.
A Prefeitura de Salvador inaugurou neste domingo (30) mais dois campos com gramado sintético em Salvador nos bairros de Paripe e Luiz Anselmo. O investimento nos campos do Bate Coração e do Baixão foi de cerca de R$2 milhões, incluindo também nova iluminação. Com estes dois, já são 53 equipamentos com grama sintética entregues pela gestão municipal.
O prefeito Bruno Reis acompanhou a inauguração dos dois campos e destacou os investimentos da gestão no esporte da capital baiana. Segundo ele, Salvador é a cidade brasileira com mais campos sintéticos públicos do país. A expectativa da gestão municipal é chegar à marca de 100 equipamentos com grama sintética até o final do ano, conforme o prefeito.
Bruno Reis contou que, antes, era comum as comunidades pedirem para a Prefeitura passar a máquina para nivelar o campo ou implantar alambrado e vestiário. Agora, a implantação do gramado sintético é uma reivindicação comum das localidades de Salvador.
“Hoje estamos entregando os campos de grama sintética de número 52 e 53. Vocês sabem, esses campos antes eram uma realidade só para os ricos, que tinham dinheiro para pagar por um horário e reunir uma turma para jogar bola. Outro ponto é que esses campos eram considerados um luxo. Nós mudamos essa realidade. Hoje, as pessoas que não têm dinheiro ou condições de pagar podem jogar em um campo de grama sintética”, afirmou.
Na nova Arena Baixão , ele destacou a importância social do esporte. “Estamos firmes aqui no Baixão, com vocês, para entregar a arena de grama sintética. Tenho certeza de que, nesta arena, poderemos proporcionar momentos de alegria e felicidade para a garotada, para os adultos e até mesmo para a turma da terceira idade. Mas, em especial, poderemos oferecer aos jovens uma alternativa para se manterem afastados das drogas, do crime e da marginalidade”, disse.
Na comunidade de Paripe, Bruno Reis anunciou ainda que a Prefeitura vai regularizar a situação de 5,6 mil famílias que moram na localidade e não têm as escrituras de suas casas. Ele também disse que o gramado sintético era um sonho no Bate Coração.
“Aqui, no Bate Coração, todas as ações que foram realizadas recentemente e nos últimos anos são importantes. Mas esta comunidade tinha um sonho: ver chegar o campo de grama sintética, que já é uma realidade em nossa cidade. Antes, a galera queria era que passasse a máquina no campo, que fizesse o vestiário, que colocasse o alambrado e a tela de proteção para a bola não cair nas casas, e que instalasse iluminação em LED. Quando acendemos aqui à noite, parece que estamos na Fonte Nova ou no Barradão”, disse o prefeito.
Melhorias - Morador da região de Paripe, o pedreiro Paulo César comemorou o novo gramado do campo do Bate Coração. “Antes, o campo era sem grama e com muita poeira, também tinha muitos buracos, o que atrapalhava a nossa brincadeira. Ficou muito bom e vai nos ajudar a manter nosso lazer”, celebrou.
No Baixão, a diarista Sara Gomes, 49 anos, também exaltou a nova arena, onde o filho pratica atividades. “O campo sintético dá mais conforto a comunidade, sobretudo para as crianças. Meu filho participa de uma escolinha e usava o campo, que era todo de areia. Agora ele também está mais iluminado. Muito bonito”, comentou.
A Prefeitura de Salvador entregou na manhã deste domingo (30) o Mercado Popular, uma usina solar e 17 unidades habitacionais no Residencial Mané Dendê, no Subúrbio Ferroviário. Durante as inaugurações, o prefeito Bruno Reis também assinou a ordem de serviço para a implantação de dois Ecopontos e um galpão de triagem no local e anunciou a construção de uma arena aquática como piscina semiolímpica no residencial.
O mercado teve investimento de R$10 milhões e conta com 21 boxes, 48 bancas, dois quiosques e duas lanchonetes. A usina solar foi entregue em parceria com a Neoenergia Coelba e tem a capacidade de gerar 21.909 kWh de energia por mês, o que representa uma economia anual da ordem de R$180 mil para as famílias da comunidade. Além disso, foram entregues 17 sobrados, que se somam aos outros 20 inaugurados em abril deste ano, chegando a um total de 37 unidades.
Já os Ecopontos e o galpão de triagem terão investimento de R$5,4 milhões, com prazo para conclusão de oito meses. Os equipamentos vão atender aos moradores dos bairros de Plataforma, Itacaranha e Ilha Amarela. Neste domingo, além das entregas, também está sendo realizada a segunda edição da Feira Social do Novo Mané Dendê, com diversos serviços municipais às famílias beneficiárias do projeto no Subúrbio.
O prefeito Bruno Reis também anunciou que a expectativa é iniciar as obras do teleférico do Subúrbio ainda neste ano. “Sem sombra de dúvidas, vai melhorar e transformar esta região, em especial possibilitando às pessoas um transporte público de qualidade, o que há de mais moderno do mundo”, ressaltou ele, ao destacar que o Mané Dendê é o maior investimento municipal em infraestrutura na cidade.
O gestor municipal ainda detalhou as próximas entregas do Mané Dendê e disse que a expectativa é que todo o programa seja concluído no segundo semestre do ano que vem. “Temos entregas importantes esse ano ainda: mais duas grandes escolas, o Centro de Convenções aqui do Subúrbio, a arena aquática, o início do novo Cras (Centro de Referência de Assistência Social)”, revelou.
As duas escolas estão com 80% das obras concluídas no Rio Sena. Já o terminal de ônibus está com 85% das intervenções realizadas, com expectativa de conclusão em setembro. O centro cultural comunitário, que na prática será na prática um centro de convenções, está com 50% das obras concluídas, com previsão de entrega para outubro. O Mané Dendê ainda terá 710 unidades habitacionais, entre prédios, casas e sobrados.
Bruno Reis lembrou que a elaboração do programa Mané Dendê foi iniciada ainda quando ele era secretário municipal de Infraestrutura. As obras começaram em 2021 e enfrentaram dificuldades em função da pandemia. “Hoje não há nenhum gargalo para o programa avançar. Ele está em plena execução, com equipamentos praticamente prontos e outros a serem iniciados e concluídos. Então vem muito trabalho pela frente”, declarou.
Intervenções - O secretário municipal de Infraestrutura, Francisco Torreão, disse que o projeto Mané Dendê chegou a 60% de obras concluídas neste mês de junho. “Dentro desses 60% de obras concluídas, já foram entregues mais de 4 quilômetros de novas vias, 3,8 quilômetros de vias requalificadas, 13 praças, 260 unidades habitacionais e 37 sobrados. Entregamos também 7.500 metros de infraestrutura de esgoto, 2.300 metros de macrodrenagem, 5.200 metros de macrodrenagem. São muitas obras e ainda tem muito mais por vir”, apontou.
Torreão citou ainda que já foram realizadas obras de contenção de encostas dentro do projeto Mané Dendê, além de redes de água potável. “Este, sem sombra de dúvida, é o maior projeto do Subúrbio Ferroviário da história. É um projeto completo, que vai muito além da infraestrutura, das obras de infraestrutura. É um projeto que visa potencializar a economia, geração de emprego, cultura, lazer e esporte. Então, é um super projeto”, frisou.
Mercado - A estrutura do novo Mercado Popular foi aprovada por trabalhadores que atuam no local. “A reforma melhorou bastante, o mercado ficou mais organizado, ficou melhor para trabalhar. Quando chovia alagava. Agora ficou ótimo”, disse Simone dos Santos, 55 anos, que mora na região do Subúrbio desde que nasceu e trabalha no mercado há cinco anos.
Filha de Simone, Mônica Bento, de 36 anos, também trabalha no mercado e relatou as melhorias no local. “A reforma foi muito positiva. Antes era esgoto a céu aberto. Agora vamos ter mais conforto e melhores condições para atrair mais clientes. O negócio de trabalhar com o público é o tratamento, tratar os clientes bem e sempre sorrindo”, afirmou.
Usina solar - A usina solar foi entregue pela Prefeitura e pela Neoenergia Coelba e terá a capacidade de gerar 21.909 kWh de energia por mês, o que representa uma economia anual da ordem de R$180 mil para as famílias da comunidade. No primeiro mês de operação das usinas, a energia gerada foi distribuída para 193 unidades que já haviam feito a adesão ao projeto, resultando em uma redução média de 37% no valor da conta de energia.
“O sistema fotovoltaico no Mané Dendê é um dos projetos desenvolvidos por meio de uma cooperação entre a Prefeitura de Salvador e a Neoenergia Coelba que visa o desenvolvimento sustentável da cidade. Os moradores do empreendimento terão uma redução nos custos mensais ao mesmo tempo que está sendo produzida uma energia mais limpa. Toda a sociedade baiana sai ganhando com este tipo de parceria”, destacou a superintendente de Eficiência Energética da Neoenergia, Ana Christina Mascarenhas.
Além do benefício da energia solar, a Neoenergia Coelba também viabilizou a troca de 123 geladeiras antigas por equipamentos com Selo Procel no Mané Dendê. Durante o evento, novos equipamentos foram entregues às famílias interessadas. Os moradores do residencial também foram contemplados com a troca de lâmpadas ineficientes por LED.
Ao som de “O Guarani” de Heitor Villa Lobos, o espetáculo “Aos Pés do Caboclo” foi iniciado na noite deste sábado (29) na Praça 2 de Julho, no Campo Grande. A apresentação, performada pelo Balé Folclórico da Bahia, abriu os festejos da Independência da Bahia e encantou o público que foi ao local para acompanhar a estreia.
O prefeito Bruno Reis assistiu à apresentação e aproveitou para convidar os soteropolitanos para a próxima sessão, neste domingo (30), às 19h. “Um verdadeiro sucesso. O espetáculo 'Aos Pés do Caboclo' não poderia ser encenado em outro lugar que não aqui, literalmente no pé do caboclo. Uma iniciativa da Fundação Gregório de Mattos (FGM) para valorizar a nossa cultura, nossa história e nossa arte, dentro dos festejos do 2 de Julho, a data mais importante da Bahia”, afirmou.
“É um espetáculo belíssimo, que há 46 anos foi apresentado por Lia Robatto e a gente resgatou agora com o Balé Folclórico, com Zebrinha e Vavá Botelho, com artistas, dançarinos e belíssimos figurinos. Esse espetáculo é um dos pontos altos das apresentações que teremos do 2 de Julho, data importante para enaltecer os heróis da independência, que permitiram que tivéssemos nossa soberania popular, a democracia, que o Brasil avançasse tanto, com benefícios para toda a população”, acrescentou o prefeito.
Para o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, a encenação, que contou com mais de 100 bailarinos, foi um momento de muita emoção. “Temos, mais uma vez, o teatro e a dança no 2 de Julho, um espetáculo histórico que foi apresentado em novembro de 1977, o ano em que comecei no teatro. Então é emocionante essa homenagem a Lia, e trazendo a excelência do Balé Folclórico da Bahia. Eu espero que inclusive esse espetáculo saia da Bahia e seja apresentado em outros lugares”, destacou.
A homenageada Lia Robatto não escondia a alegria e a expectativa de ver os artistas em cena. “Eu assisti a um ensaio antes e hoje, aqui, eu tenho certeza que será lindo. Fiquei encantada com o ensaio. A abordagem do Balé Folclórico é outra época. Quando montei o espetáculo, ele tinha um cunho político, libertário, e esse é mais de exaltação ao heroísmo, às etnias, à cultura. Está lindo e tem uma pegada indígena muito bacana. Estou feliz em ser homenageada, de lembrarem quase 50 anos depois, fico muito contente”, afirmou.
Após o espetáculo, Lia agradeceu a todos os presentes. “Vocês proporcionaram a recepção do talento de Vavá e Zebrinha. O músico e arranjador Cabo, que cuidou da orquestra que foi importante, é lindo ver a participação. O lindo da dança é que ela consegue integrar várias linguagens. Figurinos deslumbrantes que preencheram a praça, estou feliz e emocionada. Toda homenagem é ótima e ainda mais no meio de amigos e dançarinas”, declarou.
Minutos antes de entrar em cena, o fundador e diretor-geral do BFB, Vavá Botelho, contou que a emoção estava à flor da pele. “Estou muito emocionado, principalmente agora depois da concentração em que o coletivo indígena puxou as orações e foi emocionante. A energia é grande e todos estão empenhados e concentrados, e felizes em fazer parte do evento. Eu, particularmente, por ter vivenciado com Lia muitas coisas na vida. Então este momento é extremamente importante”, disse.
Diretor artístico do espetáculo, José Carlos Arandiba, o Zebrinha, ressaltou que a memória é um dos movimentos intelectuais mais importantes na comunidade. “E o Balé Folclórico se permitir fazer isso, a trazer Lia Robatto, grande mestra da dança, com um espetáculo que foi icônico na época, trazendo sua memória e falando dela em um evento, homenageando os esquecidos, excluídos do 2 de Julho, e dividir a tarefa com a comunidade indígena, com pessoas de Salvador, é impressionante. Estou deveras emocionado”, afirmou.
Bailarino há mais de 30 anos, Dudé Conceição faz parte do Balé Folclórico na montagem e conta que, mesmo após tanto tempo de dança, a ansiedade ainda mexe com ele. “A emoção está acima da média, e a gente espera fazer um grandioso espetáculo aqui hoje. Estou feliz e um pouco nervoso. Estou aqui representando meu povo, através da dança. É lindo”.
Representante dos povos originários indígenas da etnia Tupinambá de Olivença, Kireymbab Trakaja, de 33 anos, conta que ficou feliz com o convite. “Eu me sinto realizado por ser ouvido, por ter espaço para apresentar nossa luta, nosso coletivo, porque somos uma diversidade de povos, e é o início de mais uma luta, uma conquista de muitas que virão. O espetáculo está lindo, muito encantado, e sinto de verdade a emoção no coração”, revelou.
Com direção artística de Zebrinha, o espetáculo foi encerrado ao som do Hino ao 2 de Julho, entoado pela banda da Marinha.
Apresentações culturais – Além do espetáculo “Aos pés do caboclo”, outras atrações culturais também vão fazer parte da programação em celebração à Independência do Brasil na Bahia. Na segunda-feira (1º), às 17h, o Cortejo Afro vai se apresentar no Largo de Pirajá.
Na terça-feira (2), das 9h às 12h, ocorre uma apresentação performática de teatro do grupo Dois do Sete, no Pelourinho. Às 14h, a Avenida Sete de Setembro, no trecho entre a Praça Castro Alves e o Campo Grande, será palco do 2º Festival de Fanfarras e Balizas. Em seguida, das 17h30 às 21h30, será realizado o Encontro de Filarmônicas com o maestro Fred Dantas e participação da Banda de Música da Guarda Municipal, Filarmônica Ambiental de Camaçari, Filarmônica Ribeirinhos do Vale do São Francisco (Xique-Xique), Filarmônica Lyra Ceciliana (Cachoeira), Filarmônica Guerreiros do Sol (Dias D’Ávila) e Oficina de Frevos e Dobrados.
Na quarta-feira (3), às 17h, no Campo Grande, o público poderá conferir a apresentação do Coral da Cidade do Salvador, o show do cantor Gerônimo e Banda Mont Serrat, em homenagem ao 2 de Julho, e o Baile da Independência com a Orquestra do Maestro Fred Dantas e convidados.
Na próxima quinta-feira (4), às 19, será a vez do show especial com a cantora Mariene de Castro, também no Campo Grande. Por fim, na sexta-feira (5), às 18h, ocorre a tradicional Volta da Cabocla, com o retorno dos carros emblemáticos partindo do Campo Grande e sendo recebidos com o Samba de Caboclo, às 20h, no Largo da Lapinha. De 12 a 14 de julho, ocorre ainda a Festa de Labatut, no fim de linha de Pirajá.
Reportagem: Ana Virgínia Vilalva/ Secom
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