A importância das irmandades negras para a resistência e preservação da cultura afro-brasileira será tema da série "Patrimônio É...", da Fundação Gregório de Mattos (FGM), que acontece às 15h30 desta terça-feira (7), na Igreja do Rosário dos Pretos, no Largo do Pelourinho. O encontro terá mediação da jornalista Val Benvindo e contará com a participação dos palestrantes Analia Santana, membro da Irmandade do Rosário dos Pretos do Pelourinho; Neci Santos Leite, conhecida como Mãe Nenel, ialorixá e membro da Confraria Negra Feminina mais antiga do mundo, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte; e o padre Lázaro Muniz, pároco da igreja do Rosário dos Pretos. A entrada é gratuita e aberta ao público.
O gerente de Patrimônio Cultural da FGM, Vagner Rocha, destaca que as irmandades, especialmente as negras, para além da questão religiosa, desempenharam um papel fundamental no contexto opressor da escravidão ao estabelecer laços inter-étnicos, ao auxiliar na compra de cartas de alforrias e garantir sepultamento digno aos seus membros, dentre outras ações de apoio.
"Ao se constituírem como espaços de resistência e fé, ao longo dos séculos, as irmandades negras preservaram práticas e rituais essenciais para compreendermos as estratégias de sobrevivência dos africanos na diáspora. Nesse sentido, ao pensar no futuro das irmandades negras, é necessário conhecer o seu passado para seguir honrando o legado dos antepassados que, com muito suor e luta, ergueram um templo como a Igreja do Rosário dos Pretos, por exemplo", afirma Rocha.
Ainda segundo o gestor, as irmandades negras são patrimônios de fé da Bahia. "A partir dessa perspectiva, o Patrimônio É... vai abordar seus contextos de criação, as transformações pelas quais passaram e os desafios para garantir a preservação e continuidade pelas próximas gerações", conclui.
Salvador passa a ter de volta um dos espaços mais emblemáticos de valorização e história do povo negro na cidade e no país. O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), situado na Rua das Vassouras, no Centro Histórico, foi reinaugurado nesta segunda-feira (6) depois de ficar três anos de portas fechadas devido à pandemia da Covid-19. A ação ocorre após a Prefeitura fechar parceria e concluir a primeira etapa de obras de revitalização do equipamento, que reabre com a premiada exposição “Um Defeito de Cor”.
Neste primeiro momento, as intervenções envolveram adequação de espaços internos como manutenções de paredes, sistema elétrico e de ar-condicionado, iluminação e melhorias no piso. Mais duas etapas estão previstas para ocorrer, sendo uma delas a reforma do anexo do museu, cujo projeto está em atualização para abertura de licitação. Na outra, a Prefeitura articula cessão de um edifício ao lado do próprio Muncab, visando ampliar a estrutura. O investimento total é R$ 15 milhões.
“Vamos fazer aqui um complexo que vai levar o Muncab a ser o maior museu da cultura afro-brasileira das Américas, como tem que ser. Esse equipamento vai resgatar e valorizar a história do povo negro da nossa cidade, sendo mais um ponto de visitação para milhares de baianos e turistas, ajudando a gente a consolidar Salvador como principal destino turístico do Brasil”, destacou Bruno Reis.
A reinauguração do Muncab integra a programação do Novembro Salvador Capital Afro, iniciativa municipal para celebrar e valorizar a ancestralidade e cultura de matriz africana. “Esse local não apenas preserva nossa história, mas também educa as gerações futuras sobre a importância da cultura negra. Vamos, além de investir em obras, trabalhar para aquisição de acervos e para promoção deste espaço como destino”, completou o prefeito.
O Muncab funciona no prédio do antigo Tesouro do Estado da Bahia, sendo criado em 2009 como realização de um sonho coletivo do movimento negro. “Esse é espaço de reflexão, de reconexão, de preservação e valorização das artes e dos artistas negros. Esse museu pertence a toda a comunidade e a gente fica muito feliz de estar reabrindo as portas”, disse a diretora do local, Cintia Maria.
A gestora acrescentou que a expectativa é que o Muncab tenha uma infraestrutura museológica de ponta. “Isso vai possibilitar que a gente possa receber grandes exposições internacionais, pois o museu passará a cumprir todos os parâmetros para recebê-las”, salientou.
Para o titular da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), Pedro Tourinho, a volta do museu é um marco na história da capital baiana. “Três pontos tornam o Muncab fundamental para nossa cidade. Esse é um local de tributo à nossa ancestralidade, de oportunidades para aprendermos sobre as lutas, belezas, conquistas e desafios enfrentados pelo povo negro ao longo da história, assim como um símbolo de inclusão onde a cultura afro-brasileira é celebrada e valorizada”, listou.
Já a secretária da Reparação (Semur), Ivete Sacramento, afirmou que festejar o Novembro Negro é executar ações concretas em prol de políticas raciais. “Tudo que a gente tinha para discutir em termos de promoção da igualdade racial, já discutimos. Agora temos que fazer o que ainda falta. O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira vai resgatar nossa cultura para além da gestão municipal. Salvador tem que adotar espaço através de visitação e divulgação”, reforçou.
Exposição - A partir desta segunda (6), o Muncab volta a receber o público com a exposição “Um Defeito de Cor”. Até o dia 12, o acesso será gratuito e os ingressos já podem ser retirados através do link (https://linkme.bio/muncab). Depois disso, a entrada será feita mediante pagamento de R$ 20 inteira e R$ 10 meia. O funcionamento é de terça a domingo, de 10h às 17h.
Com cerca de 370 obras de mais de 100 artistas do Brasil e do mundo, “Um Defeito de Cor” chega a Salvador após estreia no Museu de Arte do Rio. A exposição conta a história de Kehinde, uma africana escravizada que, após muitas adversidades, consegue sua liberdade e parte em busca do filho. O acervo conta com pinturas, esculturas, fotografias e material audiovisual e ficará à mostra até 3 de março de 2024.
“A sensação que eu tenho é que a história voltou para casa. A gente precisa parar de pensar que podemos abrir mão das nossas instituições, parar de pensar que a gente pode abrir mão de uma potência negra que se expressa e conta a sua história”, salientou a autora do livro homônimo que inspira a exposição, Ana Maria Gonçalves.
A atriz estadunidense Angela Bassett esteve no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, neste sábado (4), e visitou a exposição Um Defeito de Cor, inspirada no livro homônimo da autora Ana Maria Gonçalves. A atriz, que será premiada com um Oscar honorário ainda neste mês, está na capital baiana para participar do Festival Liberatum, que integra a programação especial para o mês de novembro realizada pela Prefeitura. A visita foi guiada pelas diretoras do museu, Cíntia Maria e Jamile Coelho, e pelo secretário de Cultura e Turismo (Secult) de Salvador, Pedro Tourinho.
Na exposição, que possui mais de 370 obras de 100 artistas do Brasil e do mundo, a atriz pode conhecer a história do livro, considerado um marco na literatura afrofeminista, através de obras de Mestre Didi, YedaMaria e Ayrson Heráclito. “Um defeito de Cor” narra a história de uma africana escravizada que, após muitas adversidades, consegue sua liberdade e parte em uma jornada em busca do filho. A narrativa aborda de forma profunda e sensível a experiência da escravização no Brasil e a busca pela identidade e liberdade.
Durante a ocasião, Angela Bassett foi homenageada com o prêmio Liberatum pela sua trajetória e pioneirismo cultural. Em seu discurso, a atriz afirmou estar imensamente agradecida pela compaixão e calor com que foi recebida, junta a sua família e amigos, pelos brasileiros e revelou sempre ter tido o sonho de conhecer o Brasil, suas belezas naturais, cultura e as lindas pessoas negras que o constituem.
Para Jamile Coelho, a presença de uma atriz como Angela é representativo de todo o processo diaspórico concebido pelo museu. “Estamos em um dos maiores museus de cultura afrodiaspórica das Américas. Então, essa conexão que a gente tem do lado de lá e que a gente traz para as Américas representa um marco histórico na cultura desse país”.
Cintia Maria reforça o caráter histórico da visita de Angela Basset e da reabertura do Muncab, que passou por revitalização. “Estamos fazendo todo esse movimento e está sendo histórico o museu fazer essa prévia da reabertura com a presença de diversos artistas e intelectuais negros do mundo inteiro. A visibilidade para o Muncab é enorme, é um presente para a cidade, especialmente nesse Novembro Salvador Capital Afro”.
A programação de novembro en Salvador também terá festivais como Afropunk, o Festival Internacional do Audiovisual Negro (Fianb) e o Festival Salvador Capital Afro, focado na economia criativa negra da cidade. Além da Caminhada da Liberdade, promovida pelo Fórum das Entidades Negras e o Desfile Salvador Capital Afro, no dia 25 de novembro, com o Carnaval adiantado dos blocos Afro.
Atenta ao cenário epidemiológico da Covid-19, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador realizará o 'Happy Hour da Vacina' entre terça-feira (7) e quinta-feira (9) para intensificar o acesso ao imunizante. Unidades de saúde, drives e locais de grande circulação de pessoas estarão abertos até às 20h para que a população garanta a proteção contra o coronavírus.
Toda programação será divulgada nesta segunda-feira (6).
A vice-prefeita e titular da SMS, Ana Paula Matos, afirma que a vacina é a medida mais eficaz para combater a transmissão do vírus. "Estamos observando o cenário de notificações e essa intensificação vacinal é uma forma de fortalecer a proteção da população, bem como conter o aumento do número de casos, principalmente os graves. O vírus continua circulando, mas a grande diferença para continuarmos com um quadro epidemiológico sob controle é a imunização, por isso, peço a colaboração da população para que busque os nossos serviços e colabore no enfrentamento à doença", afirmou.
Nesta segunda-feira (6) a vacina contra a Covid-19 está disponível em mais de 100 salas de vacina fixas do município das 08h às 16h. A lista completa de unidades, bem como documentação, aprazamentos e público-alvo estão no site http://www.saude.salvador.ba.gov.br/ e no Instagram @smssalvador.
Dados bivalente
O público alvo habilitado para receber a bivalente corresponde a 815,4 mil indivíduos (idosos, gestantes, puérperas, quilombolas, indígenas, pessoas com deficiência permanente, trabalhadores da saúde, imunossupressos, etc). Desse total, 225 mil pessoas já foram protegidas com o imunizante, o que equivale a 27,5% de cobertura.
A estratégia bivalente contempla também o grupo de 12 anos ou mais. Para este público, a SMS já dispensou quase 500 mil doses.
A atriz estadunidense Angela Bassett esteve no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, neste sábado (4), e visitou a exposição Um Defeito de Cor, inspirada no livro homônimo da autora Ana Maria Gonçalves. A atriz, que será premiada com um Oscar honorário ainda neste mês, está na capital baiana para participar do Festival Liberatum, que integra a programação especial para o mês de novembro realizada pela Prefeitura. A visita foi guiada pelas diretoras do museu, Cíntia Maria e Jamile Coelho, e pelo secretário de Cultura e Turismo (Secult) de Salvador, Pedro Tourinho.
Na exposição, que possui mais de 370 obras de 100 artistas do Brasil e do mundo, a atriz pode conhecer a história do livro, considerado um marco na literatura afrofeminista, através de obras de Mestre Didi, YedaMaria e Ayrson Heráclito. “Um defeito de Cor” narra a história de uma africana escravizada que, após muitas adversidades, consegue sua liberdade e parte em uma jornada em busca do filho. A narrativa aborda de forma profunda e sensível a experiência da escravização no Brasil e a busca pela identidade e liberdade.
Durante a ocasião, Angela Bassett foi homenageada com o prêmio Liberatum pela sua trajetória e pioneirismo cultural. Em seu discurso, a atriz afirmou estar imensamente agradecida pela compaixão e calor com que foi recebida, junta a sua família e amigos, pelos brasileiros e revelou sempre ter tido o sonho de conhecer o Brasil, suas belezas naturais, cultura e as lindas pessoas negras que o constituem.
Para Jamile Coelho, a presença de uma atriz como Angela é representativo de todo o processo diaspórico concebido pelo museu. “Estamos em um dos maiores museus de cultura afrodiaspórica das Américas. Então, essa conexão que a gente tem do lado de lá e que a gente traz para as Américas representa um marco histórico na cultura desse país”.
Cintia Maria reforça o caráter histórico da visita de Angela Basset e da reabertura do Muncab, que passou por revitalização. “Estamos fazendo todo esse movimento e está sendo histórico o museu fazer essa prévia da reabertura com a presença de diversos artistas e intelectuais negros do mundo inteiro. A visibilidade para o Muncab é enorme, é um presente para a cidade, especialmente nesse Novembro Salvador Capital Afro”.
A programação de novembro en Salvador também terá festivais como Afropunk, o Festival Internacional do Audiovisual Negro (Fianb) e o Festival Salvador Capital Afro, focado na economia criativa negra da cidade. Além da Caminhada da Liberdade, promovida pelo Fórum das Entidades Negras e o Desfile Salvador Capital Afro, no dia 25 de novembro, com o Carnaval adiantado dos blocos Afro.
Fotos e texto: Ascom Secult
A partir das 13h desta segunda-feira (6), o Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (Muncab) reabre ao público com a premiada exposição “Um Defeito de Cor”, dando seguimento ao Novembro Salvador Capital Afro. Como parte deste momento, a autora do livro homônimo que inspira a exposição, Ana Maria Gonçalves, irá realizar uma roda de conversa gratuita, às 16h30, no segundo piso do Muncab, para falar sobre a obra. Na semana de reabertura do museu, até o dia 12, o acesso será gratuito e os ingressos já podem ser retirados através do link (https://linkme.bio/muncab), assim como para a palestra de Ana Maria Gonçalves.
A reabertura do Muncab integra a programação do Novembro Salvador Capital Afro, iniciativa da prefeitura de Salvador para celebrar e valorizar a ancestralidade e cultura afro-baiana que constituem a cidade mais negra fora da África. Com cerca de 370 obras de mais de 100 artistas do Brasil e do mundo, “Um Defeito de Cor” chega a Salvador após estreia no Museu de Arte do Rio, que recebeu cerca de 165 mil pessoas nos 11 meses em que esteve em exibição. A exposição conta a história de Kehinde, uma africana escravizada que, após muitas adversidades, consegue sua liberdade e parte em busca do filho.
Cintia Maria, diretora do museu, afirma que a reabertura do Muncab em parceria com a Prefeitura de Salvador é parte do compromisso de continuar preservando o patrimônio material e imaterial da cultura afro-brasileira. “Estamos promovendo a discussão sobre a herança afro-diaspórica e a importância da representatividade na sociedade atual. É um convite para entender e valorizar o tecido diversificado que compõe o Brasil, de modo a nos fortalecermos como sociedade. Celebramos a diversidade, mas também reconhecemos as injustiças e as desigualdades que persistem”.
Na roda de conversa, que será mediada por Chicco Assis, diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais da Fundação Gregório de Mattos (FGM), o público terá a oportunidade única de conhecer a fundo a história do livro, considerado um marco na literatura afrofeminista. “A reabertura do Muncab é um marco importante para o fortalecimento das memórias afro-soteropolitanas, do legado que deixaremos para as gerações vindouras. Ter a exposição e a escritora Ana Maria Gonçalves entre nós provoca uma ampla reflexão: que outras histórias dos nossos Brasis ainda precisam ser contadas para anular a visão do patriarcado branco eurocêntrico que ainda hoje insiste em ser equivocadamente imposta nos livros, nas escolas, na mídia?”, provocou Chico.
Ainda na programação de reabertura do Muncab, Wole Soyinka, primeiro escritor negro vencedor do Nobel de Literatura irá participar do talk “A consciencia do escritor”, às 15h. Ao lado da também escritora e pesquisadora Camila Apresentação, a palestra irá abordar o papel do escritor num mundo turbulento. O talk já está com ingressos esgotados e é a última atração do Festival Liberatum em Salvador.
Texto: Ascom Secult
O Festival Liberatum, evento internacional de criatividade, reflexão e celebração da cultura, começou nesta sexta-feira (3) trazendo para Salvador personalidades mundiais como as atrizes Viola Davis e Angela Bassett e o escritor Wole Soyinka. A programação gratuita, que ocorre no Centro de Convenções até domingo (5), foi aberta às 10h com a presença do prefeito Bruno Reis e seguiu com a mesa Uma Vida Dedicada à Cultura, com a ministra da Cultura Margareth Menezes e o dançarino e produtor cultural Gil Alves. O festival é gratuito e todos os ingressos foram esgotados logo no primeiro dia de disponibilização.
Com programação focada no protagonismo negro no Brasil e no mundo, uma das atrações mais aguardadas deste primeiro dia foi a mesa Afrodiáspora, com as atrizes Viola Davis e Taís Araújo, além da empreendedora cultural Melanie Clark e do ator e produtor Julius Tennon. Davis é reconhecida mundialmente por seus papéis em séries e filmes, entre eles o de protagonista no longa-metragem A Mulher Rei, lançado em 2022, que conta a história de um grupo de guerreiras que tenta proteger o reino africano de Daomé, por volta de 1820.
Viola falou sobre a importância de que diferentes histórias sejam contadas nas grandes produções audiovisuais. "Eu acho que você acaba percebendo que tudo o que te disseram sobre ser uma atriz negra é mentira. As limitações sobre as histórias, sobre o que as pessoas querem ver, eu chamo essas coisas de opressão internalizada. Quando o mundo diz para vocês que apenas uma certa parte da população, da história, é importante. Eu sempre acreditei que quando você faz algo como artista, que é honesto, as pessoas querem ver e isso me empoderou", disse.
Viola Davis entrou para o seleto grupo artístico do EGOT (Emmy, Grammy, Oscar e Tony Awards), alcançando todos os principais prêmios da indústria do entretenimento mundial, tornando-se a 18ª personalidade no mundo e a terceira mulher negra a conquistar esse feito. Também foi considerada pela revista Times uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2012 e em 2017. Casado com Davis, Julius Tennon é ator e produtor de cinema. Juntos, eles abriram a própria produtora, Juvee Productions, responsável por projetos como o longa A Mulher Rei.
Tennon comparou a experiência de visitar Salvador à que teve em Cape Town, na África do Sul, durante as gravações do filme. "Estar naquele solo como uma pessoa mais velha pela primeira vez foi profundo, um sentimento igual ao de estar aqui com vocês. Eu posso dizer que foi algo avassalador e inesperado. Depois de uma semana lá, estava caminhando sozinho e subitamente os ancestrais me sequestraram e eu comecei a chorar, porque eu senti aquele pertencimento, eu estava abraçado. E agora eu até me emocionei pensando nisso, assim como eu estou emocionado em olhar para os rostos lindos de todos vocês", disse.
A atriz carioca Taís Araújo, uma das mais famosas e relevantes atrizes negras do Brasil, falou sobre a importância do evento acontecer em Salvador: "Aqui é um pólo cultural e criativo gigantesco do país, então é muito importante que essa discussão comece em Salvador e que passe por todo o país e que ganhe o mundo, levando as ideias que vão ser colocadas aqui hoje", disse.
"Acho que um festival como o Liberatum serve muito para isso, discutir como é que a população negra quer ser retratada, como é que a gente quer contar as nossas histórias. Eu quero escutar outras pessoas negras, quero conhecer pessoas novas e depois realizar em cima das ideias que foram colocadas aqui. Se o primeiro ano do evento está sendo assim, tão grande, acho que no ano que vem tem a chance de ser muito maior, de atrair ainda mais pessoas. Então, que o Liberatum cresça mesmo e que seja essa plataforma de narrativas negras", completou Taís Araújo.
O Festival Liberatum tem mais uma mesa nesta sexta-feira: Redesenhando a Cultura Preta no Imaginário Popular, com o modelo estadunidense Alton Mason, os produtores de moda baianos Pedro Batalha e Hisan Silva e a deputada federal Erika Hilton, a partir das 17h. Já às 20h, será realizado o prêmio e gala de honra cultural Liberatum para a cantora Alcione, em evento exclusivo para convidados.
Novembro SCA - O Festival Liberatum é o primeiro evento do Novembro Salvador Capital Afro, programação cultural que se estenderá na capital baiana durante todo este mês trazendo ainda festivais internacionais de música, como o Afropunk Bahia, e de cinema, como o Festival Internacional do Audiovisual Negro do Brasil (Fianb), além de eventos de moda negra, festivais de afroempreendedorismo e afrofuturismo, desfiles de blocos Afro e a reabertura do Museu Nacional de Cultura Afro-Brasileira (Muncab).
Titular da Secult, Pedro Tourinho destacou que o Liberatum é a prova de que Salvador está conectada com o mundo: "Ele não está aqui por acaso. Traz talentos internacionais para conversar com os nossos talentos, lideranças culturais para falar com nossas lideranças culturais. É a prova de que Salvador está conectada, de que as pessoas têm interesse em todo esse movimento para potencializar a nossa cultura e os nossos talentos para que a gente possa ganhar o mundo", disse.
Essa é a primeira vez em que a plataforma mundial Liberatum chega ao Brasil, e Salvador foi a cidade escolhida pela organização por conta do seu legado cultural afro-diaspórico, sendo a cidade mais negra fora de África. O festival tem a co-realização da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult).
Nascido em 2001 para apresentar ao público programas artísticos notáveis, visionários culturais e agentes de mudança, o Liberatum já realizou eventos em Hong Kong, Estados Unidos, Papua-Nova Guiné, Reino Unido, Marrocos, Itália, Turquia, México, Espanha, Índia, França, entre outros países.
Programação - O Festival Liberatum também traz para Salvador a atriz Angela Bassett, que será homenageada com o prêmio de Pioneira Cultural. Reconhecida por interpretar mulheres negras fortes em obras como Malcolm X, Pantera Negra e no filme sobre a biografia de Tina Turner, a homenageada é uma das principais porta-vozes internacionais do evento sobre cultura negra, diversidade e inclusão.
Outro participante é o escritor nigeriano Wole Soyinka, primeira pessoa negra a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Ele participará de uma mesa gratuita na segunda-feira (6), no Museu Nacional de Cultura Afro-brasileira (Muncab).
O show gratuito de encerramento será realizado no próximo domingo (5), com apresentações do grupo estadunidense Ground Zero Blues, e de artistas baianos como Lazzo Matumbi, Ilê Ayiê, Orquestra Afrosinfônica, Luedji Luna e Márcio Vitor. A programação também prevê homenagens a figuras ilustres como Vovô do Ilê e Débora da Banda Feminina Didá.
Programação do Festival Liberatum:
4 de Novembro
Ciclo de palestras no Centro de Convenções:
10h - Afrofuturismo (Ancestralidade, Inovação e Transformação) (Paulo Rogério e Tânia Neri)
11h30 - O Corpo como Ferramenta Política (Edgar Azevedo, Paloma Elsesser e Teodoro)
13h - De Quem é o Papel de Promover a Diversidade (Seu Jorge, Rossy de Palma e Hiran)
14h30 - Liderando nos Tempos Atuais (Alan Soares, Monique Evelle, Maurício Mota e Nina Silva)
16h - O Poder Transformativo da Arte (Kehinde Wiley, Bernardo Conceição e Bruno Rocha)
5 de novembro
Show de Encerramento na Praça Cayru a partir das 17h:
Honraria à Angela Bassett
Ground Zero Blues Club + Lazzo Matumbi
Ilê Aiyê e convidados
Afrosinfônica convida Luedji Luna e Márcio Victor (Psirico)
6 de novembro
Palestra no Museu Nacional de Cultura Afro-Brasileira (Muncab
15h - Wole Soyinka
Reportagem: Priscila Machado e Vitor Villar / Secom PMS
O prefeito Bruno Reis anunciou que o Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (Muncab) será reinaugurado na próxima segunda-feira (6). O anúncio foi feito pelo prefeito nesta sexta-feira (3) durante a abertura do Festival Liberatum, que acontece no Centro de Convenções de Salvador, na Boca do Rio, até o próximo domingo (5). A solenidade contou ainda com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do secretário de Cultura e Turismo de Salvador, Pedro Tourinho, da vice-prefeita da capital baiana, Ana Paula Matos, dentre outras autoridades.
O festival, que é gratuito, integra a programação do Novembro Salvador Capital Afro e vai reunir atrações como as atrizes Viola Davis e Angela Bassett, a cantora Alcione, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. A programação ainda terá o vencedor do prêmio Nobel de literatura, o nigeriano Wole Soyinka.
“A Prefeitura tem a honra de colaborar como co-participante do Liberatum. Quero aqui agradecer a presença de convidados estrangeiros que vieram para abrilhantar ainda mais esse mês em que nós vamos celebrar a cultura afro na nossa cidade. Então, novembro vai ser um mês de negócios na área da cultura, de imersão de temas da cultura afro, da geração de empregos, de hotéis lotados na nossa cidade, vamos chegar a 90% de ocupação. Quero agradecer a Pablo (Ganguli, líder da organização Liberatum) pela organização deste evento e por ter acreditado em nossa cidade”, afirmou o prefeito.
O Festival Liberatum 2023 visa promover diálogos de valorização do multiculturalismo, diversidade e inclusão na cidade em que mais de 80% da população é afrodescendente. Todas as palestras e eventos serão transmitidos ao vivo, via TikTok, garantindo interação com o público em tempo real.
Bruno Reis destacou a programação do Novembro Salvador Capital Afro, que foi lançado no mês de agosto pela Prefeitura e conta com um inédito calendário de eventos com o apoio da gestão municipal que se estenderá por todo o penúltimo mês do ano. O foco da programação é exaltar a ancestralidade negra da capital baiana.
“Eu quero destacar a identidade que nós temos e essa grande potência. Identidade porque somos a cidade mais negra fora da África, e a potência porque sem sombra de dúvidas a nossa negritude é um dos nossos principais ativos. Queremos que esse mês de novembro seja de negócios na cultura, de oportunidades, queremos que o mês de novembro seja reconhecido no Brasil e no mundo para que milhares de visitantes venham aqui conhecer e se conectar com suas raízes. Afinal de contas, Salvador é a capital afro das Américas”, disse Bruno.
O secretário Pedro Tourinho ressaltou a programação do Liberatum e do Novembro Salvador Capital Afro. “A gente tem grandes lideranças da cultura negra do mundo que vieram para cá para participar, para se envolver. Viola Davis anunciou ontem que vai abrir uma empresa aqui, e abrir também um programa para potencializar criativos. Então está tudo acontecendo. Essa é a primeira semana, ainda vai vir muita coisa aí nas próximas semanas. É uma felicidade enorme, porque a gente sempre soube, acreditamos muito que temos esse potencial”, afirmou o secretário Pedro Tourinho.
Muncab - A reabertura do Muncab é parte desta programação. “A Prefeitura, ao longo desse mês, está realizando diversos eventos. Vamos inaugurar a primeira etapa do Muncab. Será o maior museu das Américas com toda a história e toda a importância da cultura afro e do povo negro em nossa cidade”, salientou o prefeito.
Em junho deste ano, a Prefeitura fechou parceria com o Muncab, viabilizando R$ 15 milhões para a compra de acervo e execução de obras pendentes para finalizar o espaço de exibições. Localizado em dois prédios no Centro Histórico, onde funcionou o antigo Tesouro do Estado da Bahia, o museu é um dos maiores da América Latina sobre a cultura afrodiaspórica.
A programação do Novembro Salvador Capital Afro conta com festivais de música e de cultura negra, como o Afropunk e o Candyall e Tal, e de cinema negro, como o Fianb (Festival Internacional de Audiovisual Negro do Brasil), trazendo atrações nacionais e internacionais. Também terá o lançamento do projeto Rolês Afro, pacote de roteiros turísticos que será lançado pela Prefeitura de Salvador focado no patrimônio afrodiaspórico da capital baiana.
Liberatum - O Festival Liberatum nasceu em 2001 e já teve eventos em locais como Hong Kong, Estados Unidos, Papua-Nova Guiné, Reino Unido, Marrocos, Itália, Turquia, México, Espanha, Índia, França, entre outros. Esta é a primeira vez do festival no Brasil. Entre os participantes, a atriz Angela Bassett será homenageada com o prêmio de Pioneira Cultural. Reconhecida por interpretar mulheres negras fortes em obras como “Malcom X” e “Pantera Negra”, a homenageada é uma das principais porta-vozes internacionais do evento sobre cultura negra, diversidade e inclusão.
“A chegada do Festival Liberatum ao Brasil acontece em um momento muito importante da história do nosso país. Com nosso país de volta à agenda global e sediando eventos com relevância internacional tem um grande impacto para fomento cultural, promoção do turismo e geração de legado local”, disse Flávio Saturnino, Diretor de Comunicação da Liberatum Brasil.
O show gratuito de encerramento, no próximo domingo (5), conta com apresentações de Ground Zero Blues, Lazzo Matumbi, Ilê Ayiê, Orquestra Afrosinfônica, Luedji Luna e Márcio Vitor. A programação também prevê homenagens a figuras ilustres como Vovô do Ilê e Débora (Didá).
A II Copa América de Handebol Master 2023 acontece de 1º a 5 de novembro em Salvador, reunindo as principais seleções de países das Américas: Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, República Dominicana, Argentina e Porto Rico. O evento acontece em parceria com a Prefeitura de Salvador, através da Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre).
Os atletas de várias gerações, de 28 times e sete países, irão disputar a categoria Master, distribuídos entre feminino 30+/37+/44+/50+/55+ e masculino 35+/42+/49+/55+/60+.
"Salvador, a cada final de semana, sedia eventos esportivos de grande porte. Tivemos, de forma inédita, a primeira edição da Virada Esportiva Salvador com a participação de quase 5 mil atletas das mais diversas modalidades. Na semana passada, recebemos a Liga Nacional de Futevôlei com times tradicionais de todo o país e, neste, teremos este evento grandioso que servirá de referência para o Handebol Master com equipes de todo o mundo. Tudo isso nos estimula a investir cada vez mais em políticas públicas para o esporte", destacou o secretário da Sempre, Júnior Magalhães.
Na quarta-feira (1), foi realizado o Congresso Técnico. Quinta-feira (2), os jogos começam a partir das 8h30, com confrontos em diversas arenas, como Estação Cidadania São Marcos e Itapuã, Sudesb e Ginásio Poliesportivo Cajazeiras. Ainda, às 20h, está marcado o ato de abertura oficial do campeonato, na Estação Cidadania São Marcos.
Na sexta-feira (3) e sábado (4) e domingo (5), a programação continua das 8h30 às 18h30. Já no domingo (5), ocorrem os jogos finais e premiações, na Arena de Esportes da Bahia, e no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras.
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