Com uma operação de transporte 30% maior do que a montada em 2015, a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Mobilidade (Semob), já transportou mais de 6,5 milhões de pessoas na folia de 2016. Somente a frota que circula 24 horas cresceu de 600 para mil veículos. Outro grande destaque da mobilidade da folia é o Expresso Carnaval, que já transportou cerca de 20 mil pessoas este ano.
Os dados foram apresentados neste domingo (07) pelo secretário de Mobilidade, Fábio Mota, durante coletiva de balanço na Sala de Imprensa Oficial da Carnaval. “Este ano está bem melhor do que o ano passado. Pelos dados da quantidade de pessoas transportadas percebemos isso. Se estamos conseguindo transportar mais gente é porque está fluindo melhor. Principalmente na Garibaldi e no Vale do Canela, que eram problemas sérios. A volta para casa também está bem melhor. Ainda temos problemas na Centenário, mas são muito menores do que no ano passado”, comemorou.
De acordo com o secretário, o número de pessoas transportadas é 10% maior que em relação ao mesmo período do ano passado. “Este ano o Carnaval está mais cheio e as pessoas estão conseguindo chegar em casa mais rápido e com mais conforto do que ano passado. Estamos com uma frota 30% maior do que 2015. Mil ônibus estão rodando 24 horas. Aumentamos também a frota de transporte complementar, que está com 300 veículos e agora chegando até a Barra. Ao todo, são 2912 rodando pela cidade”, destacou.
A melhoria também aconteceu para os usuários de táxis. “Temos 15 pontos de táxis fiscalizados 24 horas. Nestes pontos estamos distribuindo tabela referencial, com valor das corridas para qualquer ponto da cidade, evitando as cobranças exorbitantes e melhorando a fiscalização. Por isso nosso apelo é para que as pessoas só peguem táxis nos pontos regulamentados”, frisou.
Colocar mortalha, colar, turbante, maquiagem e muita água de cheiro. Esse é o ritual que as mais de 30 percussionistas do afoxé Filhas de Gandhy realizam antes de sair para curtir o Carnaval. Foi assim na noite de ontem (6), no primeiro andar da sede do bloco no Pelourinho, e vai ser assim nesta segunda-feira (08) no Circuito Dodô (Barra-Ondina) e terça-feira (09) no contrafluxo do Osmar, na Rua Carlos Gomes, sempre a partir das 16h. O bloco desfila há 37 anos no Carnaval de Salvador.
Percussionista do bloco desde 2006, quando foi indicada por uma amiga para participar do grupo, a comunicóloga Suzana Batista revelou que o principal elemento para ser filha de Gandhy é não deixar faltar alegria. “Temos os colares, o turbante e os instrumentos, mas o que não pode faltar é o sorriso no rosto. Nós vamos para a rua para levar axé aos corações”. Entre os instrumentos que ela toca estão xequerê, agogô e atabaque.
Já para dona Isolina, membro da diretoria e presente há 36 anos no bloco, o item mais importante para integrar o grupo é ter harmonia e paz no coração. "O principal objetivo é levar alegria para as pessoas. O que a gente espera é que elas tenham um Carnaval alegre e cheio de paz. Nós queremos levar leveza e amor para os corações", destacou.
Para ser uma integrante do bloco também é preciso muita disciplina. Os ensaios acontecem uma vez por semana durante duas horas. Além disso, as meninas desfilam uma vez por mês nas ruas do Centro Histórico atraindo os olhares de turistas e baianos. “A gente faz uma verdadeira festa e vai arrastando gente por onde passamos. Os ensaios são intensificados em outubro para que saia tudo certo no Carnaval e ver as pessoas encantadas com a nossa passagem é maravilhoso", disse dona Isolina.
De acordo com a produção do bloco, além das percussionistas, cerca de 400 associadas se uniram ao grupo durante o percurso no Circuito Batatinha, na noite de ontem. Já amanhã e na terça-feira a expectativa é que esse número atinge mais de 800 mulheres.
A vice-presidente da entidade, Gessy Gesse, parabenizou a decisão do prefeito ACM Neto em impulsionar o Carnaval para o público pipoca. “Havíamos perdido as origens do nosso Carnaval. O incentivo aos blocos sem cordas é um resgate da nossa história. Ainda quero estar viva para ver o Carnaval voltar a ser como era antes. Quando as pessoas se divertem na pipoca elas chegam com o coração mais aberto e isso se reflete até na queda nos índices de violência”, apostou.
A tradicional “pipoca” de Saulo leva milhares de foliões ao Circuito Osmar (Campo Grande) na tarde deste domingo (7). O cantor, primeiro da fila, já está no terceiro ano consecutivo do projeto sem cordas, cantando para os foliões que admiram seu trabalho. Saulo salientou a mudança existente na festa e que melhora a cada ano. “Eu sinto o Carnaval se transformando, e isso é bacana. A gente sai do lugar de conforto e arrisca outras coisas. No meu caso, a minha pipoca é uma realidade. Eu experimentei na Barra, sexta-feira, e agora estou vendo essa galera aqui, promovendo a igualdade, isso é perfeito”.
O artista, que desfilará amanhã (8) também no Campo, Grande enfatizou a participação popular. “Hoje será lindo e amanhã também. A participação das pessoas, seja criança, idosos, é muito importante e eu respeito muito quem sai na pipoca. Aqui a gente consegue que todo mundo venha, participe, dance, se abrace. Aqui as cordas são os braços das pessoas”.
O prefeito ACM Neto acompanha o desfile de Saulo do Camarote Oficial da Prefeitura. O cantor, por sinal, foi uma das atrações da abertura oficial do Carnaval, na última quarta-feira, quando arrastou uma multidão no cortejo entre a Praça Castro Alves e o Terreiro de Jesus. Ele tem apostado nos sucessos antigos e nas canções do novo álbum, chamado “Baiuno”, segundo disco solo, lançado em 2015.
Com quase oito anos de atividade, a banda da Guarda Municipal de Salvador (GMS) desfilou ontem (6) pelas ruas do Centro Histórico alegrando a tarde de turistas e baianos que apreciam o Carnaval no modelo mais antigo. Este é o terceiro ano em que a banda, que conta com 19 integrantes, se apresenta nos circuitos carnavalescos. O grupo tem programação na folia até a próxima terça-feira (9), sempre às 16h, no Circuito Batatinha.
De acordo com o maestro da banda, Hamilton Fernando, o repertório do grupo é preparado e adaptado para manter as tradições da folia, mas sem perder a contemporaneidade. "Tocamos desde frevo a axé, porque não podemos perder as origens, mas no nosso repertório também temos músicas atuais, como o 'Show das poderosas', da Anitta, e agora o 'Paredão da metralhadora', da Vingadora. A gente mescla pagode com as marchinhas e as pessoas adoram", destacou.
Além de encantar o público pelas ruas que passou pela alegria contagiante dos integrantes, a banda contou este ano com um convidado muito especial. O Júlio César, de 4 anos, é filho do guarda Marcio Maciel, guitarrista. Segundo Isa Sara, esposa do músico, é uma festa poder estar próxima do esposo e incentivar o filho a gostar de música e de Carnaval. "Venho todos os anos acompanhar o Marcio. Este ano trazer o Júlio para tocar pandeiro durante o desfile foi maravilhoso. O instrumento que ele mais gosta é o trompete, mas, para ele, fazer parte de toda essa movimentação já é uma festa".
O desfile dos músicos conta com uma seleção de marchinhas e frevos de edições passadas, como "Cabeleira do Zezé" e o eterno sucesso "We are Carnaval". Para o turista de Brasilia Henrique Luciano, que acompanhou atentamente ao desfile dos músicos ontem, são de atrações como essas que o Carnaval precisa. "Para mim os trios elétricos não tem graça. Essa é a primeira vez que venho para o carnaval do Centro Histórico e estou encantado. Volto para minha cidade na segunda, mas não ficaremos com saudade porque a gente com certeza vai voltar", disse.
Com o sucesso das edições anteriores os músicos também têm feito participação em outros eventos e campanhas com fins educativos e instituições de ensino durante o ano. “A banda veio para estreitar as relações da Guarda com a população, através de ações sociais, e que quebrem aquele paradigma de que a corporação só possui a segurança patrimonial entre suas atividades”, frisou Hamilton Fernando.
Durante coletiva de imprensa na manhã deste domingo (07), na Sala de Imprensa Oficial do Carnaval, o presidente da Saltur, Isaac Edington, falou sobre alguns momentos de lentidão registrados nos dois principais circuitos da festa, em especial no Dodô (Barra-Ondina), no desfile de ontem (06). De acordo com Edington, o problema foi causado por algumas entidades que não respeitaram os horários de saída ou permaneceram muito tempo paradas em frente aos grandes camarotes.
“Vamos conversar novamente com eles (as entidades) porque infelizmente alguns insistem em parar em frente a grandes camarotes, o que retarda as apresentações e causa alguns problemas, atrasando o circuito como um todo. Nosso apelo é para que as entidades façam suas apresentações no horário regular para que todos tenham seu espaço e para que a Prefeitura continue fazendo esse grande Carnaval”, ressaltou.
De acordo com o presidente da Saltur, a maioria dos blocos cumpre os horários, mas a "pequena minoria" acaba prejudicando todos. “O problema é que um atraso obriga o ajuste até o final do desfile. Ontem em Ondina, num determinado momento, ficamos 30 minutos sem atração no final do circuito porque alguns insistiam em ficar muito tempo parados em frente a grandes camarotes. Tivemos que utilizar até a força policial para fazer um bloco andar. A gente não precisa e não quer agir dessa forma”, disse.
“Outro problema deste sábado foram os trios da Bahiatursa. Os responsáveis insistiam em não cumprir a determinação dos fiscais da Saltur, atrasando também o desfile e a gente espera que isso não aconteça mais e não prejudique a totalidade das atrações", acrescentou Isaac Edington.
Balanço positivo – Para o presidente da Saltur, o balanço do Carnaval 2016 é extremamente positivo. O sábado da folia foi marcado por circuitos cheios e os foliões brincando com tranquilidade e pelo início das festas nos bairros. Outros pontos fortes foram o Terreiro do Samba, na região da Cruz Caída (Praça da Sé), e o Palco Multicultural, no Terreiro de Jesus, que tem programação voltada para os amantes do reggae, hip hop e rap.
“Há algum tempo a gente não tem no Carnaval um espaço para o reggae, para o hip hop, para o rap. Eu diria que isso dentro do conceito Pelourinho Dia e Noite, que a prefeitura iniciou ano passado, o espaço trouxe uma movimentação grande para bares e restaurantes. A gente nunca viu o Terreiro de Jesus com tanta gente e ao mesmo tempo um clima de muita tranquilidade. Parecia um lounge, com as pessoas nos restaurantes curtindo a programação do palco”, comemorou.
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