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São realizadas intervenções para desobstrução do canal e assistência a moradores atingidos pelo alagamento na região ocorrido na semana passada.

 

Aos poucos, os moradores da comunidade Osório Villas-Boas, em Campinas de Pirajá, estão retomando as atividades de rotina, após o alagamento da região por conta das fortes chuvas que caíram na capital baiana na semana passada. A situação causou inúmeros transtornos e resultou na retirada de famílias das próprias residências, segundo informações da Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps).

Por conta do incidente, dezenas de pessoas precisaram ser retiradas do local com o auxílio de botes e pessoal do Salvamar. Ainda de acordo com a Semps, gradualmente os moradores estão sendo reconduzidos aos seus lares. Cerca de 135 famílias já foram cadastradas para receber o auxílio emergencial da Prefeitura.

De acordo com a Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), a água que invadiu as casas da comunidade já foi totalmente escoada com a ajuda de cinco bombas de sucção. No fim de semana, foi iniciada a ação de alargamento do canal que corta a comunidade em aproximadamente 5m, o que vai ajudar a aumentar a vazão de água para o local. A intervenção está sendo realizada com apoio da empresa Via Bahia, que administra a BR-324.

Além disso, mais de 120 toneladas de entulhos - dentre madeira, terra e plástico - já foram removidos do local. A limpeza está sendo realizada com o auxílio da Limpurb, que também promove a roçagem do córrego que passa pelas imediações da comunidade. A área total de atuação atinge um raio de 5km.

"Continuamos com o trabalho de desobstrução do canal, que ocorrerá até a completa limpeza do sistema. Ainda estamos realizando o escoamento de água em um terreno baldio distante das casas, com área semelhante à de um campo de futebol. Além disso, estamos criando algumas áreas secas ao redor do canal e pequenas barragens, para possibilitar o trabalho dos profissionais", explica o titular da Seman, Marcílio Bastos.

Ainda segundo o secretário, a desobstrução do canal e o trabalho no entorno da comunidade são realizadas em sete pontos simultâneos e prosseguem por tempo indeterminado. As equipes da Seman trabalham em esquema de plantão 24 horas.

Saúde - De acordo com o subcoordenador da Vigilância em Saúde Ambiental da SMS, Ricardo Lourenço, as ações empreendidas pela Prefeitura na região são baseadas nos preceitos estabelecidos pela Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada aos Desastres Naturais (Vigidesastres). Dentre as atribuições estão o desenvolvimento e a execução de medidas buscando reduzir a exposição da população a situações de risco, como inundações, deslizamentos, secas e incêndios florestais, assim como a redução das doenças e demais agravos decorrentes destes problemas.

A Sala de Situação de Emergência, como está sendo chamada a reunião de órgãos envolvidos nesta ação, é composta por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Semps, Seman e Codesal. "Este tem sido um trabalho exitoso até o momento. Estamos realizando esta operação pela segunda vez em menos de um ano. A primeira experiência com este tipo de ação conjunta foi efetuada com sucesso em 2015 quando, por conta dos incidentes envolvendo a chuva e também por causa do rompimento de uma adutora, foi necessária a cooperação entre órgãos para garantir o bem-estar da população de Salvador. Foi algo que deu tão certo que foi reconhecido nacionalmente", relata Ricardo Lourenço.

Dentre as ações empreendidas na comunidade Osório Villas-Boas estão o deslocamento de equipes com médicos, enfermeiros e psicólogos para o local do incidente; o encaminhamento dos casos suspeitos de enfermidades para as unidades de saúde mais próximas, concentrando as atenções aos casos envolvendo doenças de veiculação hídrica, como leptospirose e hepatites, e atualização da carteira vacinal -  de responsabilidade da Vigilância Epidemiológica do município.

Além disso, o Centro de Controle de Zoonoses realizou a triagem dos animais desses moradores, que também precisaram ser levados para o abrigo municipal, para futuras vacinação e castração. Cerca de 300 animais de estimação devem ser atendidos, conforme levantamento inicial.

Foi realizada ainda borrifação de inseticida para combater possíveis focos do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Foram executados ainda fiscalização e controle dos alimentos e das acomodações dos abrigados, além de ordenamento do abrigo para controle de possíveis doenças que possam aparecer devido à aglomeração de pessoas e pelo contato com águas infectadas.

À Embasa foi solicitado um acréscimo na quantidade de cloro na água destinada à comunidade, para prevenir surgimento de doenças, devido à mistura de água potável com esgoto causada pelo alagamento.

Codesal - A Defesa Civil de Salvador (Codesal) informa que as residências da comunidade estão sendo avaliadas pelos técnicos do órgão. Até o momento, apenas uma casa foi declarada sem condições de voltar a receber habitantes e foi condenada pelos engenheiros do município. A residência foi construída em cima do canal do bairro e pode desabar a qualquer momento. A imediata demolição do imóvel será solicitada à Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom). Ainda segundo a Codesal, todas as residências afetadas pelo alagamento foram evacuadas.

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