A Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) já recolheu 1.119 mil toneladas de lixo nos circuitos e bairros que receberam atrações do Carnaval, no período de quinta a domingo de festa. A quantidade de material este ano é um pouco maior ao registrado no período de 2018, quando foram coletados 1.062 mil toneladas.
Ontem (4), quinto dia de Carnaval, o órgão recolheu em todo o roteiro carnavalesco 302,84 toneladas, 10% a menos que no ano passado, quando foram 333,96. Além da coleta, os serviços realizados pelos agentes englobam lavagem de vias e logradouros, instalações, limpeza e manutenção de sanitários públicos. Tudo para dar plenas condições ao folião sair às ruas para pular atrás do trio.
Para este Carnaval, a Limpurb conta com 1.451 agentes de limpeza, 1.580 colaboradores trabalhando com os sanitários químicos, 225 equipamentos, 14 cooperativas e uma associação de catadores em parceria com o órgão. Ainda foram distribuídos em locais estratégicos 2.998 sanitários químicos e 70 sanitários-contêineres climatizados (com 555 posições).
Basta andar pelos circuitos do Carnaval de Salvador para entender que o tema da festa não poderia ser outro. Realmente, "O Mundo Escolheu Salvador". Milhares de turistas brasileiros e de outros países optaram pela maior festa de rua do planeta.
A presença maciça dos visitantes nas ruas se reflete no crescimento dos dados da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), que calcula um aumento de 11% no fluxo turístico da cidade durante a chamada alta estação, se comparado ao mesmo período do ano passado.
Ainda segundo a Secult, durante os dias de Carnaval, Salvador terá recebe 800 mil visitantes, com perspectiva de injeção de R$ 1,8 bilhão com gastos envolvendo hospedagem, alimentação, compra de abadás e camarotes, entre outros segmentos da cadeia produtiva.
A musicista Flávia Belchior, 36 anos, e a socióloga Isabel Mansur, 39 anos, cariocas, fazem parte dessas estatísticas. Elas vieram de férias para passar 15 dias, incluindo o Carnaval, e optaram em hospedar-se em um hotel mais distante da folia, em Jardim Armação, orla de Salvador.
Belchior não pensou duas vezes em aceitar a sugestão da companheira, que há dez anos viveu sua primeira experiência na folia de Momo e resolveu voltar neste ano. Questionada pela reportagem sobre a impressão da festa, após uma década, ela então responde: “Hoje é um evento do povo, muito mais inclusivo do que quando estive aqui no passado”, declarou.
A sensação foi compartilhada pela estreante. “Estou achando incrível. Vejo nas ruas o fortalecimento do povo negro, dos movimentos sociais, vejo pouca corda, quase nenhum abadá. Realmente uma folia democrática”, disse ela, que já programa voltar para o Carnaval de 2020.
Turista apaixonado - Veterano na folia, o carioca de nascença e morador de Brasília Bruno Feitosa, 36 anos, é enfático ao dizer: “Não existe melhor festa de rua no mundo”. Ele contou que já esteve em alguns carnavais dentro e fora do Brasil, mas nenhum é tão bom quanto a festa da capital baiana. Feitosa diz que já desfilou em Recife e em escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo.
“Esse povo, essa gente, essa troca, a receptividade da galera e dos artistas é algo único dessa terra. A energia do Carnaval daqui é incrível, não existe em nenhum lugar do mundo. Só vivendo a experiência para entender. Venham e entenderão o que estou dizendo”, declarou ele, intitulando-se um apaixonado pelo Carnaval de Salvador.
Franceses - A capital baiana como destino para o Carnaval também atraiu a família francesa Félix, que desembarcou em Salvador para passar uma semana de férias durante o Carnaval. Acompanhado pela esposa e os dois filhos adolescentes, o francês Olender Félix, 59 anos, afirmou que foi dele a ideia de vir para Salvador. Perguntado pela reportagem sobre sua avaliação da festa, ele então abre um largo sorriso e gesticula com as mãos, dando a entender o quanto está feliz em participar da festa.
Em mais um balanço de saúde de hoje (05) com dados do Carnaval, os módulos assistenciais da Prefeitura contabilizaram 4.081 atendimentos no acumulado da quinta-feira até a manhã desta terça (05). O circuito Barra/Ondina foi o que mais recebeu demandas (2766), seguido Campo Grande (1176). A região do Centro Histórico permanece registrando o menor número de casos (137).
No total, 79% das ocorrências são de natureza clínica, como dores nos membros inferiores, cefaleia e ferimentos acidentais. Já os casos ortopédicos correspondem a 7% (268) do total de atendimentos.
As mulheres seguem liderando os atendimentos, com 50,4% das ocorrências, assim como a faixa etária de 20 a 29 anos (35%). Desde o início do Carnaval, os adultos de 40-49 anos são os que menos procuraram assistência médica nos postos localizados nos circuitos (13,8%).
Outro índice que segue estável é o de transferências para unidades de retaguarda. No total, 123 pacientes foram deslocados das unidades dos circuitos, principalmente para avaliação especializada (66), radiológica (23) e tomográfica (12). O Hospital Geral do Estado (43), UPA Brotas (19) e UPA Vale dos Barris (18) foram os principais destinos.
Já foram 1.920 testes rápidos realizados, 17 diagnósticos positivos para HIV, 159 reagentes para sífilis, além de 3 para hepatites virais. Esse é o balanço parcial do projeto Fique Sabendo contabilizado no penúltimo dia da folia em Salvador.
Até às 22h desta segunda de Carnaval, cerca de 480 pessoas procuraram o serviço, com maioria do sexo masculino. O posto da Rua Dias D’Ávila, na Barra, foi o local que mais realizou testes (1.068), seguido da unidade do Multicentro Carlos Gomes (852). As unidades funcionam até hoje (05), das 9h às 21h, no Centro, e das 12h às 22h, na Barra.
Aqueles que obtiverem sorologia positiva contam com a assistência de uma equipe multidisciplinar, que realiza a triagem e os encaminha para diagnóstico, exames e tratamento em uma das unidades de referência da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Proteção – Desde o início da folia até a manhã desta terça (05), equipes da SMS já distribuíram um pouco mais de um milhão de preservativos masculinos nos circuitos oficiais da festa para estimular a prática do sexo seguro e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis.
Este ano, a SMS está disponibilizando ainda a "pílula do dia seguinte" para as mulheres que tenha tido relações sexuais consentida sem proteção anticoncepcional ou camisinha. De quinta-feira (28) até esta segunda (04), 9 usuárias buscaram os postos para administração do contraceptivo.
Agenor Mangueira, de 62 anos, foi pego de surpresa quando estava saindo do terminal de ônibus da Estação da Lapa por agentes da Superintendência de Trânsito do Salvador (Transalvador), que realizavam o teste do bafômetro. Estava sendo executada mais uma operação preventiva da autarquia durante o Carnaval.
"Acho ótimo a realização dessa operação. É importante. Isso traz mais segurança pra gente. Tenho certeza que vai dar negativo aí, aqui só bebe é água", garantiu Agenor. E ele estava certo, o resultado foi negativo.
De acordo com a titular da Gerência de Educação para o Trânsito (Gedut), Miriam Bastos, já foram fiscalizados 3,52 mil condutores ligados à Prefeitura, incluindo os credenciados para circular no evento. Todos os resultados foram negativos. "Esse número é um reflexo do processo educativo que a Transalvador vem fazendo ao longo do ano", afirmou.
Além da Lapa, a operação também foi realizada na Estação Pirajá, pela manhã. À tarde, os agentes irão fiscalizar condutores credenciados em pontos de mototáxis e táxis espalhados pelos circuitos do Carnaval.
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