Mesmo no Carnaval há quem não abra mão das sandálias de salto alto para curtir a folia. O problema é que esse acessório pode ocasionar traumas ortopédicos, a exemplo de problemas nos pés, joelhos até a coluna. Desde o início do Carnaval, foram realizados nos módulos de saúde da Prefeitura instalados nos circuitos da folia 268 atendimentos ortopédicos, grande parte deles sofridos por mulheres.
“Esses calçados são inadequados porque o salto não dá a estabilidade que as mulheres precisam para andar no meio da multidão, por exemplo. É importante prezar também pelos cuidados com a saúde e não só com a beleza, para que sejam evitadas torções e até mesmo fraturas”, alerta o médico Ivan Paiva, gerente executivo de atenção às urgências da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
Embriaguez - As mulheres também são maioria quando o assunto é atendimento com quadro de embriaguez. Dos 437 foliões assistidos nos módulos instalados nos circuitos por uso excessivo do álcool, 58% dos pacientes foram do sexo feminino. “Quando você junta o álcool e o salto alto no Carnaval o resultado não pode ser muito diferente. Torções, fraturas e dores na coluna são prejuízos físicos que podem durar até depois da folia”, finaliza Paiva.
Um ônibus perdido no meio da multidão? A ilusão é provocada pelo cantor Gerônimo, que trouxe o “Buzanfan” – ônibus transformado em trio – ao Circuito Osmar (Centro), na tarde desta terça-feira (5). A novidade, que estreou no pré-Carnaval Furdunço, no último dia 24, no Circuito Orlando Tapajós (Ondina/Barra), veio com tudo na Passarela Nelson Maleiro (Campo Grande).
O “ônibus da alegria”, como define o próprio artista, veio trazendo uma apresentação repleta de ritmos latinos com roupagem baiana e clássicos como “Lambada da Delícia (“Já é Carnaval, cidade”), “É D’Oxum” e “Eu sou negão”. “Vamos todos! Não existe veículo mais democrático que o ônibus!”, afirmou.
Roberto Santos, de 34 anos, saiu de casa cedo, vestiu a camisa do bloco do trabalho e foi atrás de um trio diferente no último dia de Carnaval em Salvador, nesta terça-feira (5). Mas ele não correu para o Circuito Osmar (Campo Grande) só para brincar. Roberto é gari, e estava preparado com sua vassoura, retirando tudo que é lixo que ficava pelo caminho.
Ele conta que, para desempenha a função da forma correta, é necessário que o funcionário seja comprometido com horário e tenha "força". "Tem que ser pontual, prestar atenção no que o fiscal tá dizendo e ter força pra varrer", explica.
Apesar do trabalho braçal debaixo do sol quente da capital baiana, Roberto conta que é possível se divertir também. "Gostei muito de ver Léo Santana passando, porque ele é do povo mesmo. Ele veio de baixo, e agora tá ali em cima", refletiu sem, em nenhum momento, deixar o trabalho de lado.
Na quarta-feira (6), dia do tradicional Arrastão, ele vai ficar em casa, descansando os dias de varredura, quando trabalhou das 6h às 14h. "Amanhã vou deitar", revela.
Toneladas - Segundo a Empresa de Limpeza Urbana do Salvador (Limpurb), foram retiradas das ruas da cidade 1.422,31 toneladas de lixo de quinta-feira (28) a segunda-feira (04). Foram 1.451 agentes de limpeza, como Roberto, envolvidos na operação. A Limpurb ainda disponibilizou 2.998 mil banheiros químicos, 70 containers climatizados e 1.580 serventes sanitários químicos.
A banda La Fúria passa nesta terça-feira (5), no Circuito Osmar (Centro), resumindo a vontade dos foliões pipoca no último dia oficial de folia em Salvador: “Hoje não quero voltar pra minha casa, não”. Esse é um dos versos do hit “Fábio Assunção” que, ao lado de “Teile e Zaga” e “Manoel”, dentre outras canções na voz de Bruno Magnata, anima o público na Passarela Nelson Maleiro (Campo Grande).
Quem vê assim de longe, lá do alto, pensa que é fácil. Mas a rotina de um puxador de bloco envolve muito trabalho, sacrifício e hábitos que variam de artista para artista. A cantora Ravena, por exemplo, que faz dupla com o irmão Juan na folia de Salvador, começou a maratona de preparação para cantar hoje (05) à noite na Barra desde cedo. Juan e Ravena se apresentam por volta das 21h45 no Circuito Dodô, em apresentação que deve durar de quatro a seis horas.
Essa preparação começou com corrida na praia e exercícios físicos. A alimentação regrada é feita com acompanhamento nutricional. Ravena diz que chega a perder dois quilos por show. Por isso, no cardápio muito carboidrato, proteína e frutas. Mas, de vez em quando, ela foge da dieta. “Este ano já comi sarapatel três vezes”, confessa.
O aquecimento vocal é feito duas horas antes da apresentação, junto com um fonoaudiólogo. Com 1,68 de altura e pesando 55 kg, Ravena é adepta da moda Boho, ou Hippie Chic. “Sou fã desse estilo desde sempre. Gosto de saiões, batas, vestidos longos. Hoje vou colocar umas penas na cabeça”, anunciou.
Gerônimo - A preocupação com o visual não se restringe às cantoras. Eles também são vaidosos. Gerônimo, que desfila nesta terça-feira (05) no Circuito Campo Grande, no trio independente da Prefeitura, usa um modelo colorido, inspirado no fuxico, produzido pela mãe, dona Nenea, de 86 anos. Na cabeça, a marca do artista, a pena, hoje na cor azul. ”Uma homenagem ao orixá Ogum, para abrir os caminhos”.
O autor de canções como “Eu sou negão” e “Jubiabá”, conta que acordou cedo, fez exercícios de relaxamento e toma um café reforçado. “Almoçar só mais tarde, comer demais dá moleza”. A voz ele aquece utilizando instrumentos de sopro e revela um truque. “Tomo uma dose de Whisky. Como não estou dirigindo o Buzanfan (nome do trio), posso beber”.
Mesmo sem seguir uma dieta alimentar, Gerônimo chega a perder de três a quatro quilos no percurso, que pode durar de seis a oito horas. Diz que tudo vale a pena e promete cantar para os orixás, para Deus e para os foliões.
Marca patrocinadora da folia de Salvador comemora resultados obtidos até aqui
O Carnaval de Salvador é período de se divertir, mas também de garantir renda para a família. Por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), a Prefeitura beneficiou 10 mil ambulantes para trabalhar na folia, inclusive com a entrega de kits. O resultado tem sido positivo, pois, de acordo com Sindicato dos Vendedores Ambulantes da Bahia, houve um incremento de 17% a 20% nas vendas apenas no Circuito Dodô (Barra-Ondina).
O dinheiro das vendas garante o sustento familiar do mês. De quinta-feira até agora, Marlucia da Silva, de 44 anos, que trabalha com o comércio de bebidas no circuito Dodô, já vendeu 70 caixas. O lucro de R$ 220 por dia vai complementar o que ela ganha como profissional de serviços gerais: “É uma ajuda porque meu marido está desempregado e nós temos três filhos e quatro netos. Esse trabalho surgiu em boa hora”.
O segredo para vender bem, segundo ela, é fazer a propaganda e ter simpatia. “Meu marido está sempre chamando os clientes, anunciando o preço. E eu me arrumo, deixo o cabelo colorido e mantenho o sorriso no rosto. Converso com as pessoas e conquisto a clientela”, diz.
A rotina, no entanto, envolve dedicação. O casal dorme diariamente próximo ao ponto, pois o deslocamento do material é inviável. Antes de começar a vender, eles tomam banho em um dos chuveiros disponibilizados pela Semop e, por volta das 13h, compram três sacos de gelo para agradar o paladar dos clientes, que gostam da cerveja bem gelada. Lá para as 2h, o gelo é renovado.
Patrocinador - A cervejaria patrocinadora do Carnaval, a Ambev, está bem satisfeita com o retorno dos investimentos obtidos com a comercialização da Skol Puro Malte e já comemora os bons resultados. O gerente regional de Marketing da empresa, Maurício Landi, afirma que tudo tem saído melhor que o planejado.
“É o terceiro ano consecutivo no Carnaval de Salvador e estamos saindo muito felizes. Lançamos a Skol Puro Malte 40 dias antes da festa, e foi um sucesso. Todo mundo com Skol Puro Malte na mão. A gente sai vibrando com o resultado do Carnaval”, assinala.
Para Landi, a parceria da cervejaria com a Prefeitura fez a diferença. “Avaliamos de forma muito positiva, a Prefeitura fomentando o Carnaval de rua para turistas e também para o soteropolitano”, afirma, destacando que a presença maciça de visitantes também tem sido um diferencial nas vendas. Segundo a Secult, 800 mil turistas vieram passar o Carnaval na capital baiana.
O gerente faz questão de destacar que a festa nos bairros, descentralizando o Carnaval, também foi uma iniciativa bastante positiva para impulsionar a economia. A Prefeitura montou palcos com diversas atrações culturais em diversas localidades.
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