Carnaval

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O cantor Moraes Moreira vai embalar o público presente na Praça Castro Alves, com sucessos de antigos carnavais, no último dia do projeto Pôr do Sol, nesta terça-feira (05). O show começa às 18h e, além do ex-Novo Baiano, também se apresentam no local as cantoras Márcia Short, Elaine Fernandes e Katia Guimma.

“No ano passado eu toquei em uma sexta e a praça ficou lotada. Foi lindo! As grandes canções sobre a praça são minhas e estão vivas no coração das pessoas. Eu sou um Carnaval em cada esquina. Essa praça é minha e do poeta Castro Alves. Meu lugar é ali”, diz Moreira.

Baiano de Ituaçu, Moraes estará acompanhado do filho Davi Moraes. “Vou fazer um show histórico. Pode esperar muita alegria, muita história e reflexão sobre o Carnaval. A expectativa é a melhor possível. Baianos, vão para praça me esperar”, convida.

Por do Sol - O projeto Pôr do Sol, que chega ao terceiro ano, começou no domingo (03), com apresentações de Baby do Brasil, Larissa Luz, Luedji Luna e Xenia França. Ontem (04), à bordo do trio elétrico Armandinho, Dodô & Osmar, os irmãos Armandinho, Betinho, Aroldo e André Macedo transformam a praça em um verdadeiro baile.

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“A Praça Castro Alves é do povo, como o céu é do avião”. Tradição que é tradição não perde o posto nunca. Palco dos grandes encontros de trios nos anos 1970, com a presença dos novos baianos Caetano Veloso, Baby do Brasil, Pepeu Gomes e tantos outros artistas, a Prefeitura escolheu a praça do poeta para abrigar, pelo terceiro ano, o projeto Pôr do Sol, que hoje (04) recebe um show, em cima do trio, dos Irmãos Macedo.

A bordo do trio elétrico Armandinho, Dodô & Osmar, os irmãos Armandinho, Betinho, Aroldo e André Macêdo transformam a Praça Castro Alves num verdadeiro baile com clássicos carnavalescos, em apresentação que acontece agora, tendo iniciado às 18h.

Num clima de antigos carnavais, eles relembram os sucessos da carreira, com a pegada "trieletrizada" já conhecida do grupo. À medida que o sol baixava, uma multidão se concentrava na praça, dançando ao som de sucessos como "Chame Gente".

O grupo também pretende apresentar música nova na folia deste ano: “Carnaval na Babilônia”, de Aroldo Macedo e Maria Vasco. A canção, com sonoridade marcante dos Irmãos Macedo, traz a história de um rei que baixa uma medida provisória em que todos os seus súditos são liberados para sonhar.

Emblemático - De acordo com o presidente da Saltur, Isaac Edington, o projeto tem como objetivo levar as pessoas novamente “a um dos locais mais emblemáticos do nosso Carnaval". "A Praça Castro Alves tem uma das vistas mais lindas de Salvador e o espaço ao mesmo tempo tem uma simbologia grande pro Carnaval. Então, esse ano voltamos a repetir o sucesso dessa ação com esses artistas maravilhosos”, disse.

O instrumentista Armandinho falou um pouco da apresentação antes do show começar. “A Praça Castro Alves é palco de grandes momentos, de encontros de trio, tem uma historia muito bacana. Eu acho que as guitarras baianas e nossa sonoridade vai mostrar isso, trazendo muitas lembranças”.

Defensor do Carnaval sem cordas, o artista aplaude a iniciativa de democratizar o acesso do público aos diversos artistas. “O trio elétrico nasceu sem cordas. Essa tradição a gente mantém até hoje e fico feliz e contente em ver que outros trios estão aderindo a esse movimento, pois o Carnaval foi feito paro povo. Então, para que corda? A Pipoca é que está com a corda toda”, afirmou.

Clima familiar - O clima familiar imperou na apresentação. Famílias, amigos, grupos curtiam e cantam junto com os irmãos. O paraibano Arthur Navarro curtia ao lado da esposa Germana. “Sempre venho ao Carnaval e tiro um dia pra ver Armandinho. Sou fã. Faço a programação do meu Carnaval sempre guardando um tempo pra ver eles. Muito bom ver a Prefeitura valorizando a Castro Alves”, disse Navarro.

A professora aposentada Dilka Gramacho, 84 anos, curtia a festa com a vizinha Rosangela. “Todo ano venho ver o Carnaval e adoro Armandinho. Está muito calmo, muito bom”, afirmou. Para ela, o resgate da Castro Alves dá oportunidade de brincar perto do trio. “Está maravilhoso e quero mais”, concluiu.

Programação – A programação na Praça Castro Alves se encerra nesta terça-feira (5), com Moraes Moreira. Também se apresentam Márcia Short, Elaine Fernandes e Katia Guimma.

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Durante o período carnavalesco, a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) intensifica as blitze de alcoolemia para inibir o uso de álcool por condutores que prestam serviço durante a festa. Cerca de 400 motoristas ligados a secretarias e órgãos municipais envolvidas na Operação Carnaval passam pelo teste do bafômetro diariamente. Até o início da tarde desta segunda-feira (4), foram realizados 1.185 testes.

O coordenador responsável pela operação, Francisco Cláudio Mangieri, explicou que a iniciativa ocorre impreterivelmente todos os anos e que é uma segurança não apenas para os motoristas, mas também para a população. “Estamos sempre promovendo essa ação durante o Carnaval porque é uma forma de zelar pela integridade dos cidadãos nesse período. A gente sempre alerta aos motoristas que, se eles se colocaram à disposição para trabalhar, precisam renunciar ao uso do álcool, pois não combina com direção”, frisou.

Durante o Carnaval, os veículos a serviço da gestão tem o abastecimento bloqueado através de sistema diariamente para que o condutor tenha que comparecer na sede da Transalvador, nos Barris, para realizar o teste o bafômetro. Após o teste, tendo o resultado negativo para álcool, os profissionais são liberados para efetuar o abastecimento.

De forma a garantir que o profissional tenha que comparecer ao órgão, a Transalvador também limita neste período o quantitativo de litros de combustível por abastecimento. A média é de vinte litros. A ação, que utiliza o mesmo sistema online nos últimos quatro anos, tem se mostrado eficaz. Nenhum motorista foi notificado pelo uso de álcool durante todos os dias de festa.

Penalidades – Ao ser constatada a infração de qualquer cidadão, e o teor alcoólico ser menor ou igual a 0,3mg/L, o condutor é autuado com base na Lei Seca. Caso o teor alcoólico seja superior a 0,3mg/L, já configura crime de trânsito e o condutor é encaminhado à delegacia para que sejam adotados os procedimentos legais.

Veículos a serviço – Todos os veículos que não participam da Operação Carnaval são bloqueados via satélite durante o período de folia. A medida evita que motoristas que não estejam trabalhando no período utilizem o carro de forma indevida e gerem custos ao município.

 

 

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Os metaleiros estão felizes com o Carnaval de Salvador e tremulam camisas pretas no Coqueiral de Piatã. Neste terceiro dia de Palco do Rock, hoje (04), dez novas bandas tocam para centenas de fiéis, celebrando a cena musical alternativa em plena folia soteropolitana.

Dentre as bandas que fizeram a cabeça dos metaleiros estavam os Carburados Rock Motor, do vocalista Nonô. "O Palco do Rock democratiza a música na capital baiana. Viemos mostrar que há outro lado cultural do rock, que existe público, e um bom público, vindo não apenas de Salvador, mas de vários lugares, para prestigiar o evento", disse.

A banda tem como influência musical grupos como Garotos Podres, Ratos de Porão e Sepultura, e trouxe um repertório cheio de músicas com temáticas relacionadas ao universo do motociclismo e críticas às mazelas sociais.

Sobem ainda ao palco na noite de hoje (04) as bandas Ander Leds, Alibal Conspiracy, Death Tales, Electric Poison Kattah (PR), Act of Revenge, Crematorium (PE), Motherfucker e Bruma.

Diferencial - O que o segurança Lucas Britto, de 25 anos, sente em relação ao Palco do Rock representa o sentimento dos colegas presentes no evento. "Eu acho isso aqui maravilhoso. A gente vê todo mundo se divertindo nesse período, e também queremos fazer isso. Nosso Carnaval é aqui", afirmou ele, que está presente no evento na noite de hoje.

Henrique Luan, 22, veio pela primeira vez ao Palco do Rock e já avisou que irá retornar em 2020. "Show de bola. Isso aqui é um diferencial nessa época do ano. Espero que esse espaço continue sendo permanente. A Prefeitura acerta em cheio valorizando a cena alternativa em pleno Carnaval", comentou.

O frentista Geslei Nascimento, 40, estava na praia com a família, percebeu o movimento do evento e resolveu trazer todo mundo para curtir os shows. "Achei bem criativo a ideia desse festival. Mais uma opção pra galera curtir no Carnaval", afirmou.

Programação - Nesta terça (05), último dia oficial de folia, o Palco do Rock vai contar com as bandas Todo Meu Ódio, Batrakia, Indominus, Guga Canibal, Arcantis, Ynys Wydryn, Behavior, Alkimenia (PE) e Jackeds. Os shows começam sempre às 17h.

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No ano em que chega aos 70 anos – completados no último dia 18 – o bloco de afoxé Filhos de Gandhy chega ao Circuito Dodô (Barra/Ondina) levando o tapete da paz, nesta segunda-feira (4). Quem participou da festa no início do desfile de hoje foi um dos mais famosos filiados da agremiação, o cantor e compositor Gilberto Gil.

Em 2019, a fantasia do Gandhy veio com um detalhe especial, ideia do artista plástico e carnavalesco Alberto Pitta: tons em dourado para celebrar a longa trajetória e a cor do bloco Badauê, em homenagem à memória do capoeirista, educador social e fundador da entidade Moa do Katendê, morto em 2018.

O tema, “Êla Tempo”, foi escolhido em respeito à ancestralidade e a todos os que contribuíram para a evolução da instituição. Tempo que rege o caminhar, as decisões e o destino das pessoas e permitiu que os Filhos de Gandhy chegassem ao dias de hoje como símbolo de resistência.

O atual presidente, Gilsoney de Oliveira, explica que a entidade vem prezando pela qualidade dos integrantes – este ano, são 3 mil. “Buscamos associados que prezem pelas tradições e costumes, que combatam qualquer tipo de assédio ou desrespeito. Somos uma nação ecumênica, recebemos participantes de todas as religiões”.

Trajetória – A história do bloco demonstra a luta, a força e a tradição do bloco mais antigo de Salvador em atividade. Era o dia 18 de fevereiro de 1949 – uma sexta-feira – quando pouco mais de 30 homens, estivadores do porto de Salvador, com lençóis brancos como vestes, tranças de cebola na cabeça e tamancos nos pés, resolveram colocar um bloco na rua. O nome do grupo foi uma forma de homenagear o líder religioso Mahatma Gandhi, que havia morrido no ano anterior. Nascia, assim, o Filhos de Gandhy.

Mesmo em época de falta de trabalho nos portos e política de arrocho salarial, gerados pela crise do pós-guerra, o grupo foi criado como forma de resistência e vem seguindo firme neste propósito ao longo dos anos. Da casa do estivador Aurélio, em Coutos, a caminhada foi longa até chegar à sede própria no Pelourinho, doada em 1992 pelo então governador Antônio Carlos Magalhães.

No início da década de 1950, ocorreu a mudança da classificação de bloco para afoxé e foram incorporados os destaques: lanceiros e fuzileiros (responsáveis por fiscalizar e assegurar a ordem dentro do afoxé), o camelo maior e o elefante. Nos anos de 1974 e 1975, enfrentando problemas administrativos, a entidade não desfilou no Carnaval, fato que foi um golpe muito duro para os associados e admiradores, após 25 anos de desfiles ininterruptos.

Força – Depois das ausências e sob o comando do novo presidente, o mestre Camafeu de Oxóssi, e com ajuda de um Livro de Ouro, comumente utilizado para arrecadar fundos, saiu com um modesto grupo de menos de 100 pessoas. Nos anos seguintes, personalidades baianas como Gilberto Gil, Jorge Amado e o próprio ACM passaram a ajudar o afoxé.

Em 1999, o grupo criou o Centro Cultural Gandhy, com o objetivo de atender crianças, adolescentes e seus familiares da comunidade do Centro Histórico. No local, é promovido um trabalho socioeducativo e profissionalizante, que realiza atividades culturais, esportivas e lazer, além de reforço escolar.

O grupo ganhou força e visibilidade através dos anos e o tapete branco que encanta e emociona, luta para manter a tradição de um verdadeiro candomblé de rua, protegido por Oxalá e Ogum, representados nas cores branca e azul das vestes e colares. O Padê para Exú antecede todas as saídas do grupo, pedindo proteção para o caminho do desfile.

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Das portas, janelas e calçadas das casas e na própria rua é possível ver a animação dos moradores do Nordeste de Amaralina que ocupam o circuito Mestre Bimba neste penúltimo dia oficial de folia. Pessoas de todas as idades aproveitam a festa que terá mais de 60 atrações até o fim do Carnaval. “É um Carnaval cultural e da família”, diz Cândido Ferreira Filho, comerciante do local e coordenador da festa há 4 anos.

Segundo ele, apesar do Carnaval no bairro já ocorrer há 16 anos, apenas em 2012 foi batizado de Circuito Mestre Bimba. A festa é desde então oficial e conta com apoio da Prefeitura na organização dos serviços públicos, a exemplo de trânsito, segurança e banheiros químicos, além da divulgação da programação. “É uma parceria é fundamental para o sucesso da festa”, avalia.

Nesta segunda-feira (4), as atrações do circuito começaram com o desfile do bloco infantil Balãozinho, seguido pelos travestidos do As Nordestinas, criado em 2015 e que, com muita irreverência, perucas e cílios postiços, brincam nas ruas do bairro atrás do som do paredão.

Travestidos - Com o lema "Ser diferente faz a diferença", o bloco, com quase 80 participantes, se destaca por ser o único do circuito sem fins lucrativos, conforme diz Armando Conceição, 38 anos, um dos diretores da agremiação. “Nossa proposta é gratuita e por adesão”. Acompanhando Armando estão bailarinas, fadas, borboletas, baianas e dançarinas de cabaré.

O folião Cláudio Castro, de 30 anos, em seu primeiro ano no bloco, conta que veio curtir a festa a convite dos amigos. “Minha irmã me ajudou com a fantasia de Minnie e com a maquiagem”, diz Castro, que estava acompanhado do irmão e dos primos. “Todos entraram na brincadeira de se travestir. Um vai chamando o outro. É bom demais”, comemora.

A folia acontece também entre os casais. Janilde Cardoso, 40 anos, ajuda na produção e acompanha seu esposo, Wagner Oliveira, 35 anos, há quatro anos. “Ela não libera o ‘vale-night’ e vem ‘na cola’ o tempo todo”, conta Wagner, que afirma não trocar o Carnaval no Nordeste de Amaralina pelo da Barra ou Campo Grande. O folião, mesmo com braço enfaixado, faz todas as coreografias atrás do som do bloco.

A programação diversificada, a segurança e a família reunida é o que Pedro Macêdo, 30 anos, aponta como pontos fortes do Carnaval no Mestre Bimba, que arrasta vários moradores do Nordeste de Amaralina. Vestido de "mãe solteira", ele conta que o bloco começou seguindo um carro de cafezinho sonorizado e hoje já tem carro próprio com som mecânico. “Aqui a gente brinca com liberdade e tranquilidade”, explica.

Homenagem – O nome do circuito é uma homenagem ao criador da Capoeira regional, Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba. Dizem os moradores que Mestre Bimba descia a ladeira do bairro com muita frequência para jogar capoeira no local que hoje se chama Praça dos Capoeiristas, situada em Amaralina. Mestre Bimba foi também um educador, tirando a arte da marginalidade e formando diversos capoeiristas por meio de suas aulas, que eram também lições de vida.

 

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