Último dia oficial do Carnaval de Salvador, mas a festa continua, nesta terça-feira (5), nos circuitos oficiais e também nos bairros. Tem muita música, mistura de ritmos e atrações que prometem não deixar ninguém parado. Para isso, toda uma estrutura foi montada em nove bairros da cidade, com palco, sanitários químicos, e apoio da Guarda Civil Municipal e Polícia Militar.
O dirigente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, fez uma avaliação do Carnaval nos Bairros. "Temos a preocupação de prover conteúdo de qualidade. Nossas contratações foram feitas para equalizar os circuitos. Temos mais de 200 apresentações no Carnaval dos Bairros, que conseguem reter mais de um milhão de pessoas. Temos recorde de apresentações musicais, além de oferecer um leque grande de ritmos”, disse.
Praça Nelson Mandela - Na Liberdade, a festa começou às 19h com a Banda Musical da Bahia. A banda baile, fundada em janeiro de 1976, animou o público presente no bairro com um repertório eclético, lembrando hits deste Carnaval e da folia de outros tempos, animando o público que lotou o espaço.
O grupo é liderado pelo músico Ivan Dias, que falou sobre a apresentação. “Já tenho 43 anos de estrada. Já tocamos em vários bairros. Fico muito animado em me apresentar nos bairros, e aqui na Liberdade foi muito legal, agregou um bom público, que curtiu o nosso repertório”.
Logo em seguida, o cantor e compositor Carlos Pita apresentou o melhor do frevo elétrico, relembrando sucessos de outros artistas e canções de autoria própria, com um repertório bastante variado. Para Pitta, que já tem mais de dez anos se apresentando em bairros, a descentralização da folia é importantíssima.
“Os circuitos principais não comportam todo mundo. É preciso descentralizar e proporcionar aos bairros que brinquem com a mesma qualidade da avenida e dos grandes circuitos. Hoje, apresentamos o frevo elétrico, que há 14 anos toco, a exemplo das canções de Moraes Moreira e dos Irmãos Macedo”, disse. Completando a programação do bairro, sobem ao palco ainda hoje os cantores Virgílio, John Robert e a cantora Márcia Short.
Público - A dona de casa Ana Lúcia, de 30 anos, estava com a filha Adriana, de 6, na Liberdade. “Acho melhor ficar perto de casa, sem problemas. Para mim é bom ter carnaval no bairro, pois senão estaria em casa. Eu amo a Liberdade, me sinto bem aqui”.
A paulista Leda Silva está pela primeira vez em Salvador e resolveu curtir a folia na localidade junto com a família. Ela estava acompanhada do marido Paulo e da cunhada, e disse estar muito feliz. “Minha irmã mora no bairro e estamos felizes em poder curtir na porta de casa. O melhor Carnaval do mundo é aqui”, afirmou.
O afro Muzenza, tradicional bloco da folia soteropolitana, emocionou os foliões com uma história de superação no Circuito Osmar (Campo Grande), na noite desta terça-feira (5), último dia do Carnaval. Após um acidente de trânsito, a empresária e comunicóloga formada pela Universidade de Bergamo (Itália) Josy Brasil sofreu uma lesão na medula e hoje é cadeirante. Entretanto, a nova realidade não destruiu os sonhos da passista que já se apresentou até em palcos fora do Brasil.
“Estou há um ano e meio como cadeirante. Leva um tempo para a ficha cair, para você aceitar a situação. Não dava para ficar chorando pelo que ainda não tem cura. Mas, depois do ocorrido, eu comecei a participar de concursos, refazer minha vida. Não me cobrando, apenas procurando melhorar minha condição atual. Tudo o que fiz foi com a intenção de ajudar as pessoas que estão em condições similares à minha”, contou.
Rainha - Josy foi escolhida para ser a rainha do Muzenza no Carnaval 2019. Ela dividi o trono com o rei Siry Brasil, que há 14 anos está no posto. O bloco, que completa 38 carnavais este ano, desfila na avenida com o tema “Afrofuturismo”.
“É a primeira vez que me apresento no Brasil, mas ao longo de 11 anos atuei na Itália. Sempre quis ser rainha de um bloco afro. É uma realização. No entanto, nunca pensei que seria como cadeirante. De toda forma, valeu, pois é um legado e serve para mostrar do que um cadeirante é capaz”, afirmou a rainha.
A superação de Josy inspirou outros cadeirantes que tiveram uma ala exclusiva no bloco. “Hoje, o que existe aqui é inclusão. É uma prova de inclusão grande e sendo rainha do bloco é um valor adquirido. É uma responsabilidade grande, principalmente, por ser mulher e cadeirante. Eu nunca vi uma rainha de bloco carnavalesco cadeirante, nem fora do país. Está sendo uma experiência de vida”, disse a rainha do Muzenza.
O Bloco - O Bloco Afro Muzenza do Reggae surgiu no bairro da Liberdade, em 1981, como um tributo ao músico jamaicano Bob Marley. Há mais de três décadas fortalecendo a identidade do afro-reggae, o Muzenza apresenta o suingue do reggae em sintonia com a percussão baiana. Com canções de conscientização social e igualdade entre os povos, o grupo abraça o som do samba reggae, ritmo criado na Bahia.
A partir desta Quarta-feira de Cinzas (6), a desmontagem das estruturas instaladas nos circuitos do Carnaval 2019, como camarotes, praticáveis, arquibancadas e postos operacionais, deverá ser concluída em até 15 dias – ou seja, próximo dia 21. O prazo, estipulado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), visa garantir a segurança da população e a recuperação de áreas públicas nos circuitos oficiais da folia, conforme o artigo 53 do Decreto 20.505/2009. A multa para quem descumprir a determinação é de R$2.281,16 por dia de atraso.
Após a desmontagem, cada empresa responsável pelas estruturas terá um prazo de dez dias para recuperação de calçadas, caso tenham sido danificadas. A restauração é obrigatória e prevista também no decreto. As notificações já foram entregues nesta terça-feira (5) em todos os camarotes.
Desde o início do ano, quando começaram a ser montadas as estruturas, todos os responsáveis pelos camarotes foram notificados para seguir as regras de segurança estabelecidas na legislação. Também devem obedecer aos horários de carga e descarga e evitar materiais em vias públicas e nos passeios, sem atrapalhar a passagem de pedestres.
Ambulantes e barreiras – Os ambulantes e vendedores licenciados que atuaram no Carnaval com barracas, food trucks, isopor ou tabuleiro deverão fazer a retirada dos materiais e equipamentos nesta Quarta de Cinzas (06), até as 10h. A fiscalização será feita pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop).
Já as 111 barreiras de trânsito fixas e móveis colocadas pela Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) nas imediações dos circuitos Dodô (Barra/Ondina) e Osmar (Centro) começarão a ser retiradas após os desfiles dos últimos trios nesses percursos. Da mesma forma ocorrerá com a desmontagem das seis bases operacionais do órgão, localizadas no Politeama, Ondina, Avenida Centenário, Rua da Paciência (Rio Vermelho), Princesa Isabel (Graça) e Garibaldi.
O som de fanfarras, blocos e marchinhas atraiu diversas famílias ao Circuito Batatinha, no Pelourinho e nas praças da Sé e Castro Alves, nesta terça-feira (5), último dia oficial do Carnaval de Salvador.
Próximo da Casa de Jorge Amado, a administradora Alice Manuela, curtia com os filhos, irmãos, sobrinhos, tios e primos, uma apresentação no local. “O Pelourinho enriquece toda nossa cultura. Estar aqui é ser baiano. A segurança e tranqüilidade nos deixam trazer nossos filhos e sobrinhos para curtir aqui à vontade. É o Carnaval tradicional de Salvador também”, afirma Alice.
A representante comercial Bárbara Azevedo trouxe a mãe, Conceição, para assistir os desfiles das fanfarras que percorrerem as estreitas ruas do Centro Histórico da cidade. “Estamos sempre por aqui. É mais tranqüilo, e tem as fantasias, coisa linda demais. É a melhor opção para fugir da agonia dos outros circuitos”.
Diversidade - No Pelourinho, a Prefeitura de Salvador montou a Arena Multicultural, onde se apresentaram diversas atrações locais. Para o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, o espaço, localizada no Terreiro de Jesus, foi palco de atrações de pluralidade rítmica, entretendo baianos e turistas que preferem sair dos circuitos tradicionais.
“É um espaço que tem muito a ver com Salvador. A cidade é de fato multicultural. Do mesmo jeito que a gente tem espaço para a axé music, que toma conta da cidade, a gente também tem espaço para o hip hop, reggae e samba. Essa demanda de dar oportunidade para nossos artistas, dar um palco para que eles possam se apresentar. O Carnaval de Salvador é de todos os ritmos”, avalia Isaac Edington.
Com o sucesso “Chão da praça”, Moraes Moreira iniciou a apresentação no projeto Pôr do Sol, na Praça Castro Alves, nesta terça-feira (5), último dia de folia em Salvador. Ele se apresentou ao lado do filho, o músico Davi Moraes, e tocou vários sucessos que contam a história do Carnaval. “Eu sou meio que dono dessa praça. Então, vai chegando, galera”, disse o primeiro cantor de trio elétrico ao iniciar o show.
O professor Alessandro Correia levou a esposa, Andréia Santos, e os dois filhos pequenos, Dante e Maitê, para curtir o som do baiano de Ituaçu. A praça que homenageia o Poeta dos Escravos tem um significado especial para o casal.
“Há 25 anos começamos a namorar, era uma terça-feira de Carnaval. Desde 1994 estamos juntos. Depois disso, sempre curtimos o Carnaval de Salvador por aqui. O clima aqui é bem família ao som de Moraes”, disse o educador. Entre as músicas favoritas do casal estão “Chame gente” e “Eu sou o Carnaval”.
Hospedada na casa de uma amiga em Salvador, a médica carioca Tânia Chaves revelou que curte a folia desde o primeiro dia oficial da festa. “A gente não parou um dia. Hoje ela escolheu a Castro Alves para a gente começar a noite. Aqui é um encontro de energia, um clima muito legal, as crianças brincando, tudo bem família, com tranquilidade”, afirmou, depois de tirar várias fotos com a amiga Laiz Lima.
Lotação máxima - Segundo o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, cerca de 50 mil pessoas estiveram diariamente no projeto Pôr do Sol. Em sua avaliação, e este ano o projeto atingiu seu ápice.
“Foi um processo que a gente começou a fazer no ano passado, justamente para tentar devolver à Praça Castro Alves o brilho que já teve no passado, levando grandes atrações para lá. Isso deu certo no ano passado, e então as pessoas já tinham a expectativa para esse ano. Funcionou muito bem desde o primeiro dia. É um lugar icônico da cidade de Salvador, que está sendo requalificado, com aquela vista da Baía de Todos-os-Santos. E, quando junta tudo isso, é maravilhoso para a Praça Castro Alves”, pontua.
Shows - O projeto Pôr do Sol começou no domingo (3), com apresentações de Baby do Brasil, Larissa Luz, Luedji Luna e Xenia França. Na segunda-feira (4), a bordo do trio elétrico Armandinho, Dodô & Osmar, os irmãos Armandinho, Betinho, Aroldo e André Macêdo transformam a praça em um verdadeiro baile. Além de Moraes Moreira, também se apresentam, nesta noite, Márcia Short, Elaine Fernandes e Katia Guimma.
Pela quarta vez, o Camarote do Nana, localizado em Ondina, é premiado com o certificado Ouro de "Melhor Camarote que Promove o Carnaval Sustentável". Além do Nana, também receberam a mesma certificação os camarotes Club e Salvador. O prêmio faz parte da campanha “Eu Promovo o Carnaval Sustentável”, uma ação da Prefeitura que chega à quinta edição, através da Secretaria da Cidade Sustentável, Inovação e Resiliência (Secis).
Diversos aspectos levaram o Nana a ser destaque entre os certificados Ouro em 2019. Dentre elas estão a utilização de alimentos orgânicos no buffet, separação dos resíduos para coleta seletiva em parceria com cooperativas, seleção do óleo e armazenamento em bombonas e inventário de gases lançados na camada de ozônio.
Além disso, nas redes sociais, promoveu a cultura da paz, o respeito as mulheres e se posicionou contra o racismo. Já no quesito de estrutura, foi aplicado total acessibilidade para pessoas com dificuldades motoras com rampas e elevadores.
Outros espaços que também aderiram à campanha este ano foram o Camarote.Com, Via Folia, Pier 345, Maré Alta, Premier e Expresso 2222. De acordo com o subsecretário da Secis, João Resch, é necessário estimular a prática de atitudes que promovam um desgaste menor do meio ambiente em uma festa tão grandiosa como o Carnaval.
“Fomentar a sustentabilidade no Carnaval é importante, principalmente nos camarotes. Essa vertente sustentável tem que ser aprimorada para que se crie um costume e seja aplicado em todos os espaços", destacou.
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