Apreciadores da cultura oriental poderão mergulhar nos costumes e tradições milenares no Festival da Cultura Japonesa de Salvador – Bom Odori, que terá início nesta sexta-feira (26). O evento, que será realizado até domingo (28) no Parque de Exposições na Paralela, é organizado pela Associação Cultural Nippo Brasileira de Salvador (Anisa) e apoiado pela Prefeitura de Salvador.
O evento promete uma programação extensa repleta de música, dança, artes marciais, atividades lúdicas, exposição, gastronomia, oficinas e palestras. A expectativa é que o evento reúna público superior a 50 mil pessoas nos três dias de atividades. Nesta edição o festival terá como tema "Ganbarimashou", termo que significa "vamos fazer o nosso melhor" ou "vamos em frente, juntos".
Durante o Bom Odori, o público ainda poderá desfrutar de pratos variados e tradicionais da culinária japonesa. Estarão presentes mais de 20 restaurantes especializados em sushi, tempurá, udon, lamén e outras iguarias. O festival ainda contará com a presença de grandes nomes da gastronomia japonesa, a exemplo dos chefs Marlene Fukushima, Mary Sugimoto, Rodrigo Ávila e do sushiman André Matias.
Dentre os destaques haverá exibições de danças, workshops e lutas como karatê, judô, sumô e kendô, demonstrações de gateboll e o kenkotaisso com ginástica para saúde, oficinas culturais de origami, kirigami, culinária e bonsai). A programação completa com as atrações que estarão disponíveis ao público nestes três dias de evento pode ser conferida através do site www.bonodorisalvador.com.br .
Ingressos – Até esta quinta-feira (25) os ingressos podem ser adquiridos por um valor promocional. Os preços variam por dia e ficam entre R$10 (sexta-feira) e R$15 (sábado e domingo). Crianças até oito anos não pagam. A compra pode ser feita nos principais shoppings da cidade (Balcão de Ingressos e lojas Pida e Pagoda) e através da plataforma on-line Ticket Maker (https://ticketmaker.com.br/event/xiv-festival-da-cultura-japonesa-salvador/).
Criados para dinamizar o setor cultural em Salvador, após o flagelo econômico provocado pela pandemia, foram lançados nesta terça-feira (23), no Teatro Gregório de Mattos (TGM), no Centro, os novos editais do Polo Criativo Boca de Brasa, com o objetivo de fortalecer e gerar novas oportunidades voltadas para a economia criativa, a partir da abertura de novos espaços, capacitação, formação de mão de obra especializada e investimento financeiro e técnico, com vistas para o crescimento do setor na cidade. A iniciativa contou com as presenças do prefeito Bruno Reis, do presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, da titular da Semdec, Mila Paes e diversas autoridades municipais.
De acordo com o prefeito, essa é mais uma iniciativa para fortalecer e apoiar os artistas e desenvolvedores do setor na cidade. “Salvador hoje tem diversos movimentos culturais. Esse é um dos polos que devemos estimular, com espaços físicos, as ações nas comunidades para desenvolver essas atividades. E para isso é muito importante o projeto Boca de Brasa. Sabemos que o setor tem capacidade de gerar emprego e renda, além de projetar e descobrir talentos para o Brasil e para o mundo. Temos um histórico de apoio ao setor cultural, com investimento que contemplou cerca de 13 mil pessoas, além da Lei Aldir Blanc, que nem todas as prefeituras do Brasil conseguiram utilizar”, avaliou Bruno Reis.
A titular da Semdec destacou a necessidade de explorar a economia criativa, que, apesar de visível, ainda é incipiente na capital baiana. "Hoje o setor cultural representa somente 1,5% do nosso PIB, o que ainda é muito pouco. Queremos reduzir as desigualdades em nossa cidade e estamos trabalhando setores ainda não desenvolvidos adequadamente na capital baiana, buscando fortalecer uma atividade econômica ainda pouco explorada na cidade, como é o caso da economia criativa. Sabemos que o potencial a desenvolver ainda é enorme e que pode impactar bastante no crescimento do PIB de nossa cidade, mapeando quem atua neste setor, empresas, pessoas, etc. Hoje temos formalmente o dado de que cerca de 20 mil pessoas atuam nesta área, mas sabemos que o número é muito maior”.
Fernando Guerreiro explicou um pouco do que virá por aí a partir do lançamento destes editais. “Hoje temos um histórico de 109 atividades e cerca de 70 mil pessoas alcançadas, desde o início do projeto, até 2022. Agora, com planejamento até 2024, vamos abrir mais seis novas unidades do Boca de Brasa, situadas em Ilha Amarela, no Mané Dendê, região do Subúrbio, e em Itapagipe, com a construção de um novo Teatro Sesi no Largo do Papagaio. Além disso, aliado à Semdec, teremos a formação de profissionais para a área cultural, dentre outras ações voltadas para o setor”.
Polo Criativo – O projeto Polo Criativo Boca de Brasa é desenvolvido através da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Emprego e Renda (Semdec), com a perspectiva de fomentar a cadeia da produção cultural e movimentar a economia criativa da cidade. O edital para a formação dos Polos Criativos é voltado para organizações da sociedade civil (OSCs) e as inscrições estão abertas até o próximo dia 12 de setembro.
Nesta edição de estreia, cada proposta aprovada atuará em um dos cinco Polos Criativos, que contemplam toda a extensão das regiões administradas pelas Prefeituras-Bairro de Cajazeiras, Centro-Brotas, Cidade Baixa, Subúrbio-Ilhas e Valéria. Os projetos devem prever a implementação de ações formativas no âmbito das Escolas Criativas Boca de Brasa, que promovam a seleção, formação, certificação e difusão de iniciativas culturais e criativas nos seus respectivos territórios. A perspectiva é de que as próximas edições do edital contemplem as demais regiões administrativas.
Já as Escolas Criativas Boca de Brasa são entendidas como os processos formativos e criativos oferecidos às iniciativas culturais existentes nos territórios, que visam a capacitação e qualificação artística, técnica e empreendedora. A proposta é que elas contribuam para a dinamização e potencialização dos Espaços Boca de Brasa. As propostas que constituem as Escolas Criativas podem ser executadas tanto nos Espaços Boca de Brasa, quanto em edificações da própria OSCs e/ou em outras instalações apropriadas existentes no território.
Cada uma das cinco propostas selecionadas receberá R$500 mil para executar o projeto e terá 14 meses, a partir da assinatura do Termo de Colaboração, para executar a proposta. O resultado dos trabalhos formativos vai compor a programação do Festival Boca de Brasa. Informações e esclarecimentos poderão ser obtidos junto à FGM, através do telefone (71) 3202-7832 (de segunda a sexta-feira das 13h às 17h) ou através do e-mail This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it..
Pelo menos metade das atividades previstas no projeto deve ser realizada nos Espaços Boca de Brasa, localizados em seus respectivos Polos. As demais ações poderão ser realizadas em outros espaços culturais ou instituições – públicas, privadas ou comunitárias – do território. A perspectiva é descentralizar as ações nestas regiões e contribuir para o estímulo ao empreendedorismo, inovação e atuação em rede, como também promover a ocupação e dinamização desses espaços.
Oficina – Após o evento de lançamento dos Polos Criativos Boca de Brasa, o Teatro Gregório de Mattos recebeu a Oficina de Orientação aos Proponentes, voltado para os interessados em submeter seus projetos ao edital. A oficina apresenta desde as etapas de submissão dos projetos, os requisitos e os documentos necessários, os critérios de avaliação, até os processos de contratação do proponente no novo mecanismo de fomento.
Ao compreender que a cultura é um direito do cidadão, a Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos (FGM), promove o projeto Boca de Brasa Movimentando o Novo Mané Dendê, que acontece no próximo sábado (13), das 9h às 16h, na Escola Municipal Senador Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, no Rio Sena. A programação cultural integra a Feira Social do Novo Mané Dendê.
Na grade de atrações, os Talentos do Mané Dendê se apresentam no Palco Aberto Boca de Brasa. O microfone fica à disposição para que os artistas locais possam realizar intervenções em seu segmento cultural. A proposta é possibilitar um espaço de visibilidade e de valorização para artistas residentes do Novo Mané Dendê, onde eles possam apresentar seus trabalhos para um público massivo.
A programação também apresenta o resultado das Oficinas Coletivizando Arte, que ofereceram à população local cursos de iniciação ao teatro, ao canto e à dança promovidas pelo Coletivo 4. A iniciativa introduziu os alunos em aulas práticas e teóricas de diferentes linguagens artísticas com o propósito de descobrir e estimular novos talentos.
“O Boca de Brasa está chegando para movimentar ainda mais a cultura e as artes do Novo Mané Dendê. Oficinas, diálogos, apresentações e palco aberto para fortalecer as artes do Subúrbio. Possibilitar que as comunidades dos bairros abarcados pelo Mané Dendê tenham acesso aos meios de produção e fruição cultural e artística”, destaca o gerente de equipamentos culturais, Chicco Assis.
Convidados – Além dessas atrações, o projeto conta com artistas convidados da região. Léo Oliveira sobe ao palco para trazer toda a força da música gospel. O grupo Arca de Olorum, originário do Rio Sena, promove uma intervenção percussiva na Feira.
O reggae também tem espaço na programação com o cantor MAVI, que apresenta seus principais sucessos. O coletivo Kalifa marca sua presença através do rapper Cold Mansa e dos MCs EV e Ananda Savitri.
O show principal será comandando pelo grupo Afrocidade. O grupo promove uma apresentação com todas as suas influências musicais, que vão do pagode e passa pelo arrocha, reggae, dub e ragga, tendo sempre os ritmos percussivos como a base de sua identidade. O público pode imergir em suas letras, que retratam o cotidiano e reflete sobre as desigualdade e consciência racial.
Literatura infantil – Ainda na programação da Feira, a partir das 9h, o projeto Kaê Erê marca presença no evento. Estão previstas intervenções artísticas, oficina, cantinho da leitura e brincadeiras, cuja proposta é apresentar o processo de leitura como um hábito prazeroso e divertido para os pequenos.
Através de remendos, dobras, cortes, nós e retalhos, a Oficina de Bonecas Abayomi apresenta às crianças a possibilidade de se criar a própria boneca. Essa é uma técnica ancestral de confecção. Com muita alegria e diversão, o palhaço Tiziu realiza uma performance que provoca a graça e o riso. Seu propósito é trazer mais leveza à vida. Além disso, há muita brincadeira com os jogos Kaê Erê e Yotá Shisima.
Mané Dendê – O projeto Mané Dendê é um amplo programa de infraestrutura e saneamento de Salvador, englobando uma iniciativa de grande impacto econômico e social que pretende transformar vidas e se tornar um programa referência nacional. A ação abrange toda a bacia do rio Mané Dendê, afluente do rio do Cobre, beneficiando cerca de 31 mil pessoas em cinco bairros, Rio Sena, Alto da Terezinha, Plataforma, Itacaranha e Ilha Amarela.
A intervenção prevê alcançar cerca de 800 mil m² de área, contemplando melhorias nos eixos de saneamento e qualidade ambiental das bacias e das águas do rio. O projeto contribuirá diretamente para a melhoria das condições sanitárias e ambientais, redução dos riscos de vulnerabilidade por inundações e melhora das condições urbanas para a população.
Além disso, contempla investimentos para melhorar os níveis de educação e cultura sanitária da população e o desempenho das instituições responsáveis pelo funcionamento sustentável da infraestrutura.
A Escola Municipal Saturnino Cabral, localizada em Cosme de Farias, vai celebrar o Dia do Folclore, cujo dia oficial é 22 de agosto, com uma programação especial na sexta-feira (26), às 9h e às 15h. Na ocasião, a escola será aberta para os pais de alunos, que terão a oportunidade de assistir às apresentações dos alunos, que mostrarão personagens populares de cada região do país.
Para a ocasião, o professor Renato Borges, que ensina crianças do 2º ano, apresentará o personagem Bumba Meu Boi aos estudantes. Ele conta que se reuniu com demais professores da instituição para elaborar o projeto de folclore com os alunos.
“Cada turma ficou com uma região do Brasil e nós, do 2º ano, ficamos com o Nordeste. Para celebrar as manifestações deste local, construímos juntos um Bumba Meu Boi, que é uma lenda do Maranhão que virou festa e se estendeu para outras regiões do Brasil”, contou Borges, afirmando ainda que as crianças estão empolgadas em apresentar a lenda, após participar de todo o processo de construção da atividade.
Segundo o docente, a proposta é que, através deste personagem, as crianças possam conhecer o folclore brasileiro. “É importante trabalhar esse elemento na sala de aula, que ajuda no letramento das crianças. Fizemos atividades como a lista de materiais utilizados na confecção do boi, a consciência do uso de materiais reciclados na montagem do personagem, além de trabalhar o corpo na dança e no teatro, já que as crianças vão apresentar a lenda de forma dramatizada e caracterizada”, completou.
O Teatro Gregório de Mattos (TGM), no Centro, recebe esta semana a exposição Salvador na Linha, da fotógrafa baiana Marisa Vianna. A abertura acontece na sexta-feira (19), às 18h, na Galeria da Cidade, e a mostra segue aberta à visitação gratuita até o dia 4 de novembro.
A iniciativa é uma realização da Fundação Gregório de Mattos (FGM), com produção da Multi Planejamento Cultural e apoio da Objetiva. O acervo é composto por 27 imagens em técnica mista, onde a arte milenar do bordado é aplicada à fotografia impressa em tecido. A expografia é assinada pelo artista visual Luis Parras.
As obras bordadas são um convite à contemplação. As fotografias escolhidas fazem parte do acervo de Marisa Vianna, que é autora de registros memoráveis de Salvador e acumula quatro décadas de experiência em documentar a paisagem cultural baiana. Algumas das imagens partem de fotos icônicas da sua carreira, outras são inéditas e todas têm em comum o registro de paisagens urbanas alinhavadas com novos contornos e recriadas através de fios de luz e cor.
Marisa conta que a iniciativa de unir o bordado à fotografia surgiu na pandemia, quando a saudade a levou a se debruçar sobre a cidade a partir das suas fotografias e a realçar os seus detalhes por meio do bordado. “O meu foco é destacar um e outro aspecto, como uma ladeira iluminada, as cordas dos saveiros, os matizes dos telhados, as sinuosidades dos becos e ruelas, a infinidade de flores e cores, e assim fazer com que cada pessoa possa se conectar apenas com a imagem e seguir na sua viagem afetiva”, comenta a artista.
A atitude do visitante em Salvador na Linha é definitiva para construir a experiência proposta pela exposição. “Não basta olhar, é preciso parar e se conectar à obra para conseguir ver. O visitante é convidado a se dar esse tempo”, destaca Marisa.
Professor de capoeira no Subúrbio 360, em Coutos, o Mestre Zé Pequeno afirma que a expressão cultural é uma forma de tirar os jovens das ruas e das telas dos celulares, tablets e televisão. Na unidade, os encontros acontecem todas segundas e sextas-feiras, das 17h às 18h para dos 5 aos 7 anos, das 18h às 19h para jovens de 8 até 18 anos, e das 19h às 20h30 para adultos.
O próprio professor afirma que a capoeira o ajudou, através de uma pessoa que deu a ele a oportunidade de aprender a arte. “A capoeira que faço é socioeducativa. A gente aprende, socializa, ressocializa, educa de forma direta e com muita disciplina", declara Zé Pequeno.
Capoeira Viva – Outra forma de incentivo é através do edital Capoeira Viva, da Fundação Gregório de Mattos (FGM), que chega à terceira edição em 2022. A ação vai investir R$300 mil em 17 projetos de pessoas físicas ou jurídicas, a serem realizados na capital baiana. Em fase de análise de projetos, a iniciativa deve divulgar o resultado no final deste mês.
De acordo com o gerente de Patrimônio Cultural da FGM, Vagner Rocha, os mestres, contramestres e professores, oriundos de diversas comunidades de Salvador, têm reconhecido a importância do edital para possibilitar a realização de outras ações e ampliar o trabalho sociocultural da capoeira. “Para nós, da FGM, é importante manter e anualmente lançar o prêmio, justamente por reconhecer a importância da capoeira para formação dos cidadãos, de jovens e adultos conscientes da importância, do trabalho coletivo, de gingar com as dificuldades da vida”.
Atuante no grupo de Capoeira Mangangá, o artista e capoeirista Tonho Matéria destaca a importância do Capoeira Viva. “Apesar de ainda não alcançar de forma ampla todos os capoeiristas, contempla projetos e isso é importante, pois ajuda a construir a história. Afinal de contas, a capoeira se espalhou e criou a sua própria diáspora, valorizando e eternizando diversos mestres como Jelom, Acordeon, João Grande e Pastinha. É uma força desse povo que veio da África e que trouxe para nós, descendentes, essa cultura riquíssima não só como luta de resistência, mas trouxe a música, que chamávamos de batuque e que se transformou no samba chula”, contextualiza.
Guarda Municipal – Como parte do trabalho social realizado pela corporação, a Guarda Civil Municipal (GCM) também promove aulas de capoeira para comunidade, em parceria com a instituição Morada dos Bambas. As atividades, realizadas há cinco anos, são voltadas para crianças e jovens da comunidade no entorno da base da Guarda e trazem como metodologia a teoria e prática de capoeira abordando a musicalidade, história, hierarquia, além de primeiros socorros e palestras sobre prevenção à violência.
Reconhecimento mundial – A roda de capoeira e o ofício dos mestres são reconhecidos como patrimônio material desde 2008 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2014, passaram a ser considerados como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Quem chega nas escolas municipais Agripiniano de Barros e Eduardo Dotto, ambas em Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário, percebe que há nos locais uma atmosfera diferente, com sons musicais entrelaçados com sorrisos de crianças, que preenchem todos os espaços. As unidades de ensino possuem essa característica por terem um diferencial: o ensino de música na sua grade curricular.
Além de possibilitar que as crianças desenvolvam suas habilidades, através de diversas técnicas musicais, como canto coral e instrumentos, as crianças participam de uma iniciativa voluntária do professor Alex Rocha, que estimula a evolução das crianças, com aulas extras de música no contraturno das classes regulares.
Artur Oliveira, de 10 anos, é aluno da Escola Eduardo Dotto e descobriu na música um lugar de aconchego para a alma. “Eu gosto muito de tocar flauta por causa do som que a gente faz com ela, mas, de verdade, eu amo as aulas de música. O professor traz o teclado para a gente cantar com ele e é maravilhoso. Eu gosto de estudar música em casa, mas na aula é diferente. É muito bom”, contou.
As aulas do professor Alex envolvem o uso de teclados, flautas e até chocalhos improvisados, com garrafas pet e arroz. As flautas são ofertadas, gratuitamente, para que as crianças possam iniciar a aprendizagem com um instrumento acessível, fácil e que pode instigar o aluno a aprender a tocar outros instrumentos.
Mariah da Silva Santos, 10 anos, estuda na Escola Municipal Agripiniano de Barros. Ela, que já está aprendendo a leitura de partituras, afirma que a música caminha lado a lado com sua vida. "Eu gosto muito das aulas do professor Alex. Eu me sinto muito empolgada e em todas as aulas aprendo alguma coisa nova. Ter o professor todas as terças-feiras me deixa muito feliz", afirmou.
A mãe da pequena, Gracileide da Silva Santos, afirmou que a música possibilitou que Mariah pudesse desenvolver sua fala e lidar com aspectos como a timidez. Para ela o acesso à aprendizagem musical através do ensino pública foi um presente.
“Este ano é o primeiro dela na rede municipal e, quando ela contou em casa que havia aulas de música na escola, não imaginava que ia encontrar um trabalho tão específico sobre música aqui. Eu percebo que a música na vida da minha filha revela o que há de melhor nela. A música liberta”, contou emocionada.
Voluntário – Alex Rocha oferta seu tempo para fomentar a iniciação musical com aulas extras há 15 anos. Neste período, calcula que já distribuiu mais de 450 flautas, amadoras e profissionais, para alunos que se empenharam no estudo da música. “Eu não tenho ambição de ter um carro do ano, ou uma casa na praia. Minha ambição é ver o sorriso destes meninos, é o que me faz milionário. Minha riqueza são meus alunos”, contou.
Rocha sonha em tornar a iniciativa um projeto com melhor estrutura e amplo, de forma a beneficiar ainda mais crianças do Subúrbio e, quem sabe, de toda a cidade. “Os alunos fazem as atividades, se comportam, mostram interesse nas aulas, e ao atingir 100 pontos, com base em várias avaliações, eu premio o aluno com uma flauta amadora. Quando percebo o empenho, troco por uma flauta profissional e convido para a aula extra. Não faço por obrigação. Faço porque este é o meu objetivo de vida. É a minha missão levar o ensino da música para transformar a realidade dessas crianças”, contou.
Aprendizagem – Os benefícios para o público juvenil que têm essa iniciação musical são múltiplos. A música no ambiente escolar, além de aproximar as crianças da unidade de ensino e de toda a comunidade acadêmica, proporciona melhor expressão corporal, trabalha memória, dicção, concentração e diversas habilidades que contribuem positivamente para as crianças.
Para a gestora da Eduardo Dotto, Bárbara Santa Rosa, as aulas de música dão para as crianças a oportunidade de sonhar. “Os alunos aqui são extremamente carinhosos e educados e as aulas para eles são momentos para acreditar que tudo de bom pode acontecer através da música. Você consegue o amor do mundo inteiro, através da música e nossos alunos aprenderam isso. Eles têm um olhar sobre a música diferenciado e conseguem encontrar nela um suporte para tudo na vida”, finalizou.
A partir desta quarta-feira (17), Salvador sedia a terceira edição da Jornada do Patrimônio Cultural Salvador, que traz como tema “O Legado da Semana de 22 na Soterópolis”. Promovido pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), o evento acontece até o sábado (20) e será transmitido ao vivo pelo canal da FGM no YouTube (www.youtube.com/c/fundacaogregoriodemattos). Os interessados podem fazer a inscrição através do site www.culturafgm.salvador.ba.gov.br e terão certificado de participação.
O encontro tem o objetivo de discutir as influências e as inspirações provocadas pela Semana de Arte Moderna na produção do patrimônio cultural da capital baiana. No primeiro dia, às 10h, o professor Luiz Alberto Ribeiro Freire realiza a conferência de abertura com o tema “Modernidades Baianas”.
Na sequência, às 14h, acontece a primeira mesa temática que discute sobre “Vanguarda literária e artística na Bahia: o alvorecer de um novo tempo”. Nela, o professor Renato da Silveira aborda “As Tradições Afro-brasileiras na Modernidade Baiana”, enquanto que o professor Gildeci de Oliveira Leite traz reflexões sobre “A Poesia do Rebelde Édison Carneiro”.
Às 15h30, a segunda mesa começa com a proposta de compreender “As Influências do Modernismo no Urbanismo e na Arquitetura”. Para a discussão, compõe a conversa a professora Ana Carolina Bierrenbach, com o tema “O modernismo e a produção arquitetônica soteropolitana na primeira metade do século XX”; a professora Juliana Cardoso Nery, com “As múltiplas expressões do moderno na constituição do patrimônio construído da Ufba”; e o professor Heliodório Sampaio traz “Diógenes Rebouças – pioneiro da Arquitetura e Urbanismo Moderno na Bahia”.
Segundo dia – Na quinta-feira (18), a partir das 14h, a terceira mesa aborda “Tradição e Modernidade na construção do Patrimônio Histórico de Salvador”. Para essa sessão, foram convidados o professor Nivaldo Andrade, que falará sobre “Arquitetura e Patrimônio na Década de 1920 em Salvador”; a professora Neila Dourado Gonçalves Maciel, que analisa “A Representação das Culturas Negras na Arte Moderna em Salvador e o Discurso de Identidade Local/Nacional”, e o professor Maurício Chagas traça a trajetória de Lina Bo Bardi em “Salvador: Vanguardas Europeias e Cultura Popular”.
Às 15h30, a Jornada recebe o cantor e compositor Tuzé de Abreu para a Mesa-Show. Conhecido como um dos músicos mais completos do país, ele é responsável por inúmeras músicas interpretadas por inúmeros artistas. Novos Baianos, Chico Buarque e Caetano Veloso são alguns exemplos de suas parcerias musicais. As produções de Tuzé passeiam entre a música popular, experimental e erudita. Atualmente, ele compõe o quadro de músico da Orquestra Sinfônica da Ufba.
Demais dias – Para encerrar a Jornada, nos dias 19 e 20 de agosto, de forma inédita, o evento promove o Circuito Lina Bo Bardi. Através de visitas guiadas, o participante terá a oportunidade de conhecer as edificações onde foram implantados os projetos dessa famosa arquiteta ítalo-brasileira do movimento modernista aqui em Salvador. O circuito prevê a visitação ao Teatro Gregório de Mattos (TGM), Museu de Arte Moderna, conjunto Coati, Casa do Olodum e Casa do Benin. As inscrições para o Circuito estão encerradas.
A diretora de Patrimônio e Humanidades da FGM, Milena Tavares, ressalta que o movimento modernista chega de forma tardia em Salvador, mas é responsável por influenciar a cultura local. “Convidamos participantes para compreendermos melhor este movimento e também a valorizar e se apropriar do patrimônio desta época na nossa cidade”, destaca.
Educação patrimonial – A Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador é uma ação de educação patrimonial que acontece através do Programa Salvador Memória Viva, da FGM. A proposta busca a produção de conhecimento, divulgação e valorização do patrimônio cultural material e imaterial de nossa cidade.
A terceira coleção do Selo João Ubaldo Ribeiro, promovido pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), foi lançada na noite desta quinta-feira (28), no Teatro Gregório de Mattos (TGM), no Centro da cidade. A solenidade contou com as presenças do presidente da FGM, Fernando Guerreiro; da titular da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), Andrea Mendonça; do secretário de Governo, Júlio Fon; de Emília Ribeiro, filha de João Ubaldo Ribeiro; e dos autores das oito obras contempladas pela publicação.
A abertura da programação contou com a leitura com interpretação da crônica “O Verbo For”, de João Ubaldo Ribeiro, pelos escritores Aícha Pinheiro e Paulo Atto. Depois, os autores contemplados pelo selo foram certificados e, em seguida, autografaram os livros para o público.
O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, destacou como a leitura pode ser transformadora e destacou a importância do incentivo à produção literária para formação social e cultural de um povo. “É um momento especial para mim porque fui formado pela leitura, além de ouvinte. Uma história só ganha vida quando ela é lida. Do mesmo modo que um espetáculo teatral vive a partir do momento que vai para o palco. A partir de agora, esse projeto ocupa esse cenário e passa a ter outra percepção”, afirmou.
Capas de artistas plásticos – Esta edição tem um diferencial: todas as capas das obras foram feitas por artistas plásticos baianos, a exemplo de Juarez Paraíso, Bel Borba, Justino Marinho e Larissa Seixas. Ou seja, além da obra literária, os leitores terão obras de arte exclusivas nas mãos. A partir da próxima semana, a coleção será distribuída para as bibliotecas municipais e comunitárias da capital baiana. A Academia de Letras da Bahia, o Gabinete Português de Leitura e as embaixadas dos países lusófonos também receberão exemplares.
A gerente de biblioteca, livro e leitura da FGM, Jane Palma, explicou que o selo possui três vertentes, contemplando leitores, escritores e a cadeia econômica da cidade. "A importância deste selo é múltipla. É um projeto que tem como objetivo fomentar a leitura, já que vamos jogar no mercado de leitores oito novos livros, mas que também movimenta a cadeia econômica do livro, dando a oportunidade de venda das obras daqui a um ano. E há também o incentivo à criatividade literária", contou.
A autora do livro de crônicas "Fuxico, resenha e mexerico nas esquinas e buzus de Salvador", Daiana Soares, afirmou que o selo oportuniza que novos escritores possam surgir no cenário literário e cultural da cidade, aquecendo este mercado. "O livro contém várias crônicas que escrevi no ônibus a caminho do trabalho e foi todo escrito no celular. Isso serve de exemplo para que outras pessoas possam ter a coragem de colocar para fora seus textos e perder a vergonha de expor sua escrita. O suporte é você quem cria", reforçou.
Homenagem ao 2 de Julho – A edição dessa coleção foi realizada pela editora baiana Caramurê e tem como intuito fomentar a cadeia produtiva da literatura em âmbito local. Com 27 anos de tradição, a empresa se dedica quase exclusivamente à publicação de autores da Bahia, cuja consolidação no mercado editorial se pauta pela qualidade e design dos seus livros.
A expectativa da FGM é que em outubro seja lançado o edital Selo João Ubaldo Ribeiro – Ano IV, que selecionará obras de escritores de Salvador para a publicação da coletânea. Nesta edição haverá uma novidade: uma categoria de produção literária voltada ao 2 de Julho, data magna da Bahia. A homenagem ocorrerá como parte das comemorações pelo bicentenário da Independência do Brasil na Bahia, a ser celebrado em 2023.
Lançado em 2014, o Selo João Ubaldo Ribeiro é viabilizado por meio de edital público. A ação consiste em selecionar e publicar anualmente obras inéditas de autores soteropolitanos e/ou residentes em Salvador, nos gêneros contos, crônicas, dramaturgia, literatura infantil, poesia e romance.
O seu canal de comunicação com o nosso site. Caso tenha dúvidas, sugestões ou solicitações de serviços, por favor, mande mensagem que teremos prazer em respondê-la.