Cerca de 63,2 mil foliões utilizaram o Expresso Salvador para curtir o Carnaval entre quinta-feira (16) e sábado (18). Os ônibus saem dos shoppings Salvador, Salvador Norte e Paralela, e deixam os foliões em três pontos próximos ao Circuito Dodô. O serviço funciona até a terça-feira (21), das 13h às 6h do dia seguinte, com saídas previstas a cada 20 minutos. Somente no sábado (18), foram cerca de 25,9 mil usuários do serviço.
Foliões que utilizaram o Expresso aprovaram a iniciativa. O vendedor Fernando Rodrigues, 35 anos, e a assistente administrativa Maíra Purificação, 40, pegaram neste domingo (19) um ônibus do para curtir o Carnaval na Barra e elogiaram a ação da Prefeitura de Salvador para dar maior conforto e comodidade no deslocamento às pessoas que vão aproveitar a folia.
“Estou achando ótimo, uma novidade boa. Foi realmente uma excelente ideia”, disse Fernando. Já Maíra, que está grávida, destacou o roteiro feito pelos ônibus. “Eu gostei do roteiro. O local onde para também é próximo do circuito. Fica muito mais cômodo”, disse ela.
O corretor Claudio Henrique Carvalho classificou a iniciativa como excelente. “Um serviço, inclusive, de muita qualidade”, disse ele, que também esperava o Expresso Salvador no ponto do Salvador Shopping para curtir o Carnaval com mais quatro pessoas da família. Carvalho disse que já havia utilizado o serviço no sábado (18) e também em outros anos e que o padrão de qualidade foi mantido.
O embarque é realizado em um ponto de ônibus especialmente instalado ao lado de cada shopping, enquanto o desembarque poderá ser feito de acordo com a linha escolhida pelo usuário.
Este ano, cinco linhas fazem o translado dos foliões. São elas: Salvador Shopping x Ondina, Salvador Shopping x Barra, Salvador Norte Shopping x Barra, Salvador Norte Shopping x Ondina e Shopping Paralela x Barra. Os pontos de desembarque foram instalados em locais estratégicos, próximo aos principais pontos do circuito.
Na Barra, o ponto fica localizado próximo ao Victoria Center; em Ondina, próximo ao antigo Colégio Isba; e na Avenida Anita Garibaldi, próximo do Instituto de Geociências da Ufba. Além disso, o folião não precisa retornar na mesma linha de ida, podendo optar pela melhor forma de ir e voltar da folia.
Este ano, o valor do bilhete é de R$15 por trecho, ida ou volta dos circuitos, enquanto o cartão exclusivo do Expresso custa R$7. Quem já possui o cartão adquirido em anos anteriores, não precisa comprar novamente, basta recarregar com os créditos desejados. Cada cartão pode ser utilizado até dez vezes ao dia, portanto, grupos inteiros podem utilizar apenas um cartão, sem a necessidade que cada um tenha o seu.
Outros serviços - Até terça-feira (21), os usuários poderão contar com linhas especiais, criadas exclusivamente para a folia, além dos serviços de mais de 7 mil táxis, dos mototáxis e ascensores, que têm atendimento modificado. Quem for usar transporte por aplicativo, terá nove pontos estratégicos para embarque e desembarque ao longo do circuito.
Dezessete pontos de táxis e mototáxis foram implantados especialmente para a festa em pontos estratégicos para facilitar a chegada e saída dos foliões aos circuitos. Um deles será exclusivo para táxis especiais e oito para mototáxis.
O período de dois anos sem a realização do Carnaval em Salvador não foi capaz de diminuir o amor dos foliões pela festa. Ocupando as ruas para celebrar a vida, baianos e turistas de todas as idades afirmam que não faltam motivos para aproveitar o retorno da folia de Momo.
Vilma Crusoé veio de Vitória da Conquista (a 518 km da capital) exclusivamente para brincar no Carnaval soteropolitano depois de 35 anos ausente da folia. Ela parabenizou a organização da festa e afirmou que o jejum causado pela pandemia foi o empurrão que faltava para sair na avenida.
“Está tudo funcionando muito bem e com várias atrações para o folião pipoca. Isso é sensacional porque se você fica restrito a sair em blocos, preso a cordas, nem sempre você pode bancar o bloco que é muito elitizado. A pipoca tem proporcionado essa mistura de classes, raça e gênero, e está uma maravilha”, detalhou entusiasmada.
A soteropolitana Sheila Cardoso celebrou o retorno da festa curtindo a pipoca do Mudei de Nome. “É fantástico a gente poder voltar a reviver tudo isso. A gente pensava que o Carnaval não ia mais poder acontecer e estar aqui é surreal. É um presente de Deus”, contou entusiasmada.
Moradora do bairro do Garcia, Edvania Queiroz aproveitou o dia para curtir a programação do circuito Osmar (Campo Grande) com a família. “Sou o tipo de foliã que vem todos os anos. Senti muito pelos anos que não teve Carnaval. Amo ver todos os blocos e artistas passarem, em especial Léo Santana, que eu ainda não vi esse ano. Estou na expectativa”, afirmou.
O antropólogo Adriano Leal, 42 anos, afirmou a folia, por ser um espaço plural, consegue proporcionar alegria para todos os envolvidos. “É uma questão empírica de estarmos aqui vivendo a cultura, energia e vendo todas as classes sociais juntas em um só propósito. É um dos períodos do ano que mais a cidade pulsa, ainda mais Salvador que tem um potencial cultural tão grande. É o momento que a gente exibe para o mundo inteiro nossa cultura, belezas naturais e nossa gente, que é o diferencial da festa. Carnaval para mim é sinônimo de alegria e esperança de dias melhores”, contou.
Ainda tem mais - Amanhã (20), penúltimo dia oficial da folia, a festa continua com atrações para todos os gostos em diversos circuitos e palcos ofertados pela Prefeitura. No circuito Osmar, por exemplo, os desfiles iniciam às 12h com a Banda Didá. Depois o público vai poder curtir Daniel Vieira, Commancherê, Pipoca Doce com Carla Perez, Bloco da Saudade, Fernando Ferraz e mais 24 grandes atrações.
No circuito Dodô (Barra/Ondina) a animação ficará por conta da banda TH, Kart Love, Bell Marques, Filhos e Filhas de Gandhy, Ivete Sangalo, Xanddy Harmonia, Durval Lelys e mais 18 atrações diversificadas.
Confira a programação completa tanto das atrações disponíveis para o folião pipoca quanto os demais trios do maior e melhor carnaval de rua do mundo em: www.carnaval.salvador.ba.gov.
Neste ano, os irmãos Armandinho, Aroldo, André e Betinho celebram o centenário do pai, Osmar Macêdo, tocando todos os dias de folia momesca nos maiores e mais tradicionais circuitos.
Depois de levaram o som das marchinhas e dos antigos carnavais ao Campo Grande ontem (18), a partir deste domingo (19) até a terça-feira (21), o grupo desfila na Barra/Ondina, rendendo todas as homenagens ao patriarca da festa.
"É uma emoção muito grande estar aqui comemorando o velho Osmar. Ele que preparou a gente para isso, para essa história. São mais de 50 anos participando da festa, é maravilhoso. E agora no Carnaval são muitas homenagens, vamos para a festa, brincar com alegria, porque o Carnaval é para isso", celebra Armadinho.
Formada em 1973, a banda Armandinho, Dodô e Osmar é um dos grupos mais antigos em atuação, mantendo a formação dos quatro irmãos. Os artistas se confundem com a própria história da música baiana e brasileira, renovada e contada por meio das canções que marcaram época e fizeram da guitarra baiana a primeira voz da folia regional.
Biografia - Nascido em 22 de março de 1923, Osmar Álvares de Macêdo é um dos criadores do trio elétrico. Engenheiro de formação, passou da engenharia mecânica para a música com a mesma maestria e criatividade, características que lhe eram peculiares para compor, fazer arranjo, tocar nas gravações de discos e nos shows na Bahia e Brasil afora.
Homenageando o Corpo de Bombeiros da Bahia, o cantor Tony Sales, vocalista da banda Parangolé, arrastou uma multidão com seu pagodão durante passagem pelo Circuito Osmar (Campo Grande), na tarde deste domingo (19). O cantor abriu o desfile cantando famosos sambas de roda e hits autorais, como a aposta para o carnaval deste ano: a canção Bombeiro.
Entre as canções apresentadas na passarela oficial estão ‘Gererê’, da banda Gera Samba, ‘Hoje só amanhã’ e ‘Influenciadora’. Para a foliã Geisa Machado, a Tony merece vencer todos os prêmios de música do carnaval. “Eu estou aqui a mil, com a adrenalina lá em cima. Tony é o maior cantor do pagode baiano na atualidade. Todo sucesso é merecido. Espero que [Bombeiro] vença a disputa da melhor música do carnaval. É muito alegre e dançante”, afirmou.
Acompanhada do namorado, a carnavalesca Andressa Paranhos não conteve a alegria em retornar ao carnaval no Circuito Osmar após dois anos. “Estava com saudades demais. Foram dois anos sem o carnaval de Salvador. Dois anos na sofrência das lives, mas agora voltamos”. E completou sobre a passagem da banda Parangolé: “Tony mostrou porque é atualmente um dos grandes nomes do Carnaval de Salvador”.
O Carnaval do Campo Grande ainda conta com grandes participações neste domingo (19), como Aline Rosa, Afrocidade, Jau, Timbalada e Pagodart. A programação completa pode ser acessada no site carnaval.salvador.ba.gov.br.
Pelo sexto ano, idosos e pessoas com deficiência podem curtir o Carnaval de Salvador com segurança e uma visão privilegiada dos circuitos nos Camarotes Acessíveis. No espaço localizado no Campo Grande, foliões de longa data mataram a saudade da festa e aproveitaram as atrações que passaram pelo circuito Osmar no domingo (19).
Chicleteira das antigas, Maria Júlia, 77 anos, aproveitou o Camarote Acessível do Campo Grande pela segunda vez. A primeira foi em 2020, antes da pandemia, quando também visitou o espaço localizado no circuito Dodô, em Ondina. Neste domingo, saiu de Stella Maris, acompanhada da filha, para vir ao Centro. “Daqui a pouco, vou descer e tomar uma”, garantiu, enquanto a filha atestava as boas condições de saúde da mãe.
Eleita Rainha do Carnaval no Abrigo Dom Pedro II, Heloísa Portela, 78 anos, era pura animação no camarote, apesar das dificuldades de se locomover, que a obrigam a usar um andador. Ela vive no abrigo localizado em Piatã, gerido pela prefeitura de Salvador por meio da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), também responsável pelos Camarotes Acessíveis.
“É minha primeira vez no camarote. Está maravilhoso”, disse Heloísa, que relembrou os tempos em que ia para a rua. “Sempre fui da pipoca”, ressaltou. Antiga moradora da Liberdade, ela revelou que, entre suas preferências carnavalescas, sempre esteve acompanhar a saída do Ilê Aiyê no Curuzu.
Também morador do abrigo, Carlos Alberto Luz, 69 anos, estava ansioso pela passagem dos Commanches do Pelô, por causa das memórias de antigos Carnavais, quando costumava aproveitar muito a festa. “Eu ia demais para o Pelourinho e a Praça Castro Alves”, contou. Também visitante de primeira viagem do Camarote Acessível, ele elogiou a iniciativa da prefeitura.
São três camarotes montados nos circuitos. Além do espaço do Campo Grande, voltado apenas para idosos, há também um na Piedade (exclusivamente para pessoas com deficiência) e outro em Ondina, este voltado para ambos os públicos. Foram disponibilizadas pela prefeitura 120 vagas no Campo Grande, 150 na Piedade e 200 em Ondina.
Banda da Guarda Civil – Além das atrações que passaram pelo circuito Osmar, a banda de música da Guarda Civil Municipal também fez a alegria do público do camarote acessível com marchinhas.
“O nosso objetivo é levar música para aquelas pessoas que não conseguem chegar nos circuitos. A prefeitura, felizmente, tem esse camarote, mas mesmo assim algumas pessoas não têm acesso”, disse o guarda civil Leandro Magalhães, encarregado da banda de música. Durante o Carnaval, a banda da Guarda também se apresentou em locais como as Obras Sociais Irmã Dulce e o Instituto de Cegos da Bahia, acrescentou Leandro.
O Mudei de Nome arrastou uma pipoca bem colorida e animada no circuito Osmar (Campo Grande), em seu tradicional pranchão, palco móvel criado pelo grupo, que permite acompanhar os músicos bem de pertinho. No repertório, canções da axé music, frevo, samba-reggae e autorais.
Atrás do trio, a foliã Beatriz Andrade, 36, não parava um só minuto de pular. “Eu sempre acompanho a banda, gosto muito da proposta. Aqui eu brinco à vontade e é como se a gente voltasse no tempo e vivesse o Carnaval de rua raiz”, opina.
A empresária Alessandra Neder, 47, teve a experiência de sair pela primeira vez na festa pipoca e disse ter gostado muito da experiência. “Eu vim com vários amigos porque é uma atração que sempre há muitas famílias curtindo com muita paz. É um carnaval diferenciado”, diz.
Um dos integrantes da banda, Ricardo Chaves explicou que o grupo recebeu convite da Prefeitura de fazer o pranchão como atração pipoca para o folião. “Acreditamos na proposta, e hoje o Mudei de Nome é marca afetiva do Carnaval de Salvador”, disse o artista, ao lado de Magary Lord, Jonga Cunha e Ramon Cruz.
O Mudei de Nome retorna na terça (21), último dia de Carnaval, a partir das 12h45 para a alegria dos foliões que estiverem no circuito Osmar.
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