Texto: Ascom SMS
Com o objetivo de fortalecer o cuidado integral e ampliar o acesso às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics), a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador realizou, nesta quarta-feira (6), a abertura do II Maio das Pics. A atividade, sediada na Universidade Federal da Bahia (Ufba), contou com uma palestra voltada a profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), reunindo trabalhadores dos 12 Distritos Sanitários do município.
A ação marca o início da programação do II Maio das Pics, iniciativa da SMS que promove, ao longo do mês, atividades voltadas à valorização, qualificação e ampliação dessas práticas na rede municipal de saúde. A agenda inclui momentos formativos, trocas de experiências e ações voltadas ao fortalecimento do cuidado integral no SUS.
A atividade integra a programação do 5º Congresso de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Congrepics), um dos principais espaços de diálogo sobre as PICS no Brasil, que reúne gestores, profissionais e instituições de diversas regiões do país.
Na abertura, realizada no Salão Nobre do Palácio da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), esteve presente a representante da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador Mônica Campos, subcoordenadora da Estratégia de Saúde da Família, da Diretoria da Atenção Primária à Saúde, reforçando o compromisso do município com o fortalecimento dessas práticas e com a consolidação de um modelo de cuidado integral no Sistema Único de Saúde (SUS).
Nesse cenário, Salvador se destaca pelo avanço na implementação dessas práticas na rede municipal, especialmente na Atenção Primária, consolidando-se como referência no cuidado integral.
As Pics compreendem um conjunto de práticas terapêuticas voltadas à promoção da saúde, prevenção de agravos, reabilitação e recuperação, com ênfase na escuta acolhedora, no fortalecimento de vínculos e na compreensão do indivíduo em sua totalidade. Ao considerar a relação entre corpo, mente, ambiente e sociedade, essas práticas contribuem para um modelo de cuidado mais humanizado e centrado nas necessidades dos usuários.
Em Salvador, a implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC) vem consolidando uma rede ativa e comprometida, com diversas ações ofertadas nos serviços de saúde. O II Maio das PICS se configura como um espaço estratégico de troca de experiências, integração entre profissionais e valorização das iniciativas que já fazem parte do cotidiano da assistência.
“As Práticas Integrativas ampliam as possibilidades terapêuticas no SUS e fortalecem um modelo de atenção mais acolhedor, sensível e resolutivo. Celebrar os 20 anos da política nacional é reconhecer a importância desse avanço e seguir investindo em uma rede cada vez mais preparada para cuidar das pessoas de forma integral”, destacou o diretor da Atenção Primária à Saúde, Augusto Vidreira.
A ação impacta diretamente a população soteropolitana ao promover o acesso a práticas que incentivam o autocuidado, melhoram a qualidade de vida e contribuem para a prevenção de doenças. Ao fortalecer essas estratégias, o município avança na construção de um SUS mais humano, integrado e eficiente.
Texto: Ascom Semdec
A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), discutiu nesta quarta-feira (6) oportunidades no setor de saúde da capital baiana, durante painel do Index 2026, considerado o maior evento da indústria do Nordeste.
A moderação do debate foi feita pela diretora de Desenvolvimento Econômico da secretaria, Luciana Buck. O encontro reuniu especialistas para debater o futuro do segmento tecnológico e médico na cidade.
O principal foco do painel foi a articulação para consolidar em Salvador o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS), uma iniciativa que visa integrar academia, poder público e iniciativa privada. Para a gestão municipal, o fomento a este nicho representa uma virada de chave para a modernização da economia local.
Durante a discussão, a diretora da Semdec pontuou que o momento atual é de desenho de estratégias e expansão de parcerias para viabilizar o ecossistema. “Tem sido uma corrente em que um vai dando a mão ao outro e essa rede está crescendo. Para termos sucesso e criar este complexo, temos que unir serviços, tecnologia e equipamentos médicos, envolvendo ativamente o governo, o setor privado e a academia”, afirmou Luciana.
Atração de indústrias - O debate evidenciou que Salvador possui os diferenciais necessários para atrair a atenção do mercado externo e interno. Fundador da Solvum e presidente da Associação Baiana de Startups (ABAS), Mateus Couto afirmou que a cidade pode ser referência global na gestão de processos de saúde. Para ele, a implantação do complexo é um dos maiores planos para alavancar a escalabilidade tecnológica de forma rápida na região.
O ambiente favorável aos negócios já se reflete no interesse prático de expansão de indústrias nacionais. Yuri Crispim, diretor industrial da MSB Medical System do Brasil, empresa atuante na criação de dispositivos inovadores para cirurgias, revelou que a meta do setor deve ser internalizar processos para reduzir a dependência de importações. Diante do potencial da cidade, ele revelou planos de investimento na capital baiana. “Estamos querendo expandir para Salvador, com maquinário e tecnologia, para contribuir diretamente com a criação do complexo econômico da saúde local”, afirmou Crispim.
Qualificação - Para dar suporte ao interesse industrial, a qualificação dos profissionais é um pilar inegociável. Segundo Tatiana Nery, gerente executiva de Negócios de Saúde e Biotecnologia do Senai Cimatec, o Brasil superou grande parte de sua dependência científica, mas há uma necessidade urgente: a formação precisa acompanhar as demandas reais do mercado. Apenas assim a indústria local poderá concorrer com gigantes internacionais, como a China.
Economista e coordenador do Observatório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Thobias Silva lembrou que a reforma tributária trará redução de impostos, aumentando a competitividade do país. “Para atrair para Salvador, é preciso mostrar o que a cidade tem a oferecer. Seus diferenciais passam por mostrar a capacidade dos entes públicos e acadêmicos de ter qualificação de mão de obra, além de estrutura para quem vier para cá”, avaliou o especialista.
O Plano Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (PMSPDS), considerado um marco na atuação da Prefeitura de Salvador na área da segurança pública, foi aprovado nesta quarta-feira (6) pela Câmara Municipal. O projeto, encaminhado pelo Executivo em dezembro do ano passado, consolida um conjunto de ações integradas voltadas à prevenção da violência, fortalecimento da Guarda Civil Municipal (GCM), ampliação do videomonitoramento e promoção da cultura de paz na capital baiana.
O PMSPDS estabelece princípios, diretrizes e objetivos da política municipal de segurança, prevendo integração entre órgãos públicos, ações preventivas e articulação com os governos estadual e federal. O plano reúne 46 metas e 241 ações, distribuídas entre iniciativas contínuas e medidas de curto (1 a 2 anos), médio (3 a 5 anos) e longo prazo (6 a 10 anos).
Entre os principais investimentos previstos estão a instalação de mais 6,3 mil câmeras de vigilância em diversos pontos da cidade, a implantação do Centro de Controle e Operações (CCO), em construção no bairro do Lobato, e a realização de um novo concurso público para ampliar o efetivo da Guarda Civil Municipal. O orçamento destinado à área é estimado em R$ 5,6 bilhões até 2028, podendo alcançar R$ 14,3 bilhões até 2035.
Com a aprovação do plano, a cidade deverá alcançar a marca de 10 mil câmeras de videomonitoramento integradas entre poder público e iniciativa privada. Atualmente, a Prefeitura possui 3,7 mil equipamentos em funcionamento e pretende ampliar esse número para 5 mil câmeras públicas, além de outras 5 mil em parceria com o setor privado.
Na mensagem ao Legislativo, o prefeito Bruno Reis ressaltou que o projeto é um avanço para a capital baiana. “Trata-se de uma política de Estado, e não de governo, que busca consolidar um pacto social duradouro entre o Poder Público e a sociedade soteropolitana, garantindo que a paz urbana deixe de ser uma expectativa e se torne uma realidade vivida nos bairros, nas escolas, nas praças e nos lares da nossa cidade”, salientou.
Diagnóstico – O plano foi elaborado pela GPública Consultoria e começou a ser desenvolvido em abril de 2024. O processo incluiu diagnóstico da violência na capital, oficinas técnicas, audiências públicas, entrevistas com gestores municipais, guardas civis e conselheiros tutelares, além da elaboração de planejamento orçamentário para a próxima década.
O documento também se baseou em levantamento realizado nas dez regiões administrativas de Salvador. Segundo a consultoria, 1.224 pessoas participaram de pesquisa sobre percepção da violência, representando mais de 50 bairros da capital. Entre os entrevistados, 72,87% afirmaram não estar satisfeitos com a segurança da cidade, enquanto 64,29% relataram já terem sido vítimas de furto ou roubo.
A estratégia municipal está estruturada em quatro eixos: Proteção Cidadã; Qualidade e Meio Ambiente Seguro; Pacificação Social; e Fortalecimento Institucional das Forças de Segurança Municipal. Entre os objetivos previstos estão a prevenção e redução da criminalidade, melhoria da qualidade do ambiente urbano, ampliação da assistência social, promoção de oportunidades para jovens, fortalecimento da segurança comunitária e modernização da Guarda Civil Municipal.
Texto: Ascom CHS
A programação educativa da Casa das Histórias de Salvador (CHS) e da Galeria Mercado, ao longo do mês de maio, segue diversificada com atividades culturais voltadas à valorização da memória, da ancestralidade e das expressões artísticas ligadas à cultura soteropolitana. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através da plataforma Sympla ou no link disponível nos perfis oficiais dos equipamentos culturais no Instagram.
O destaque do mês é a oficina “Gastronomia Ancestral”, que acontece no dia 16, das 9h às 12h, e propõe uma imersão nos saberes e fazeres da culinária afro-baiana. Conduzida pela pesquisadora da gastronomia ancestral e especialista no ecossistema do dendê, Danielle Sales, e pela consultora especializada no desenvolvimento de projetos de impacto social, Tânia Cachoeira, a atividade tem o dendê como elemento central e aborda a relação entre alimentação, território e identidade cultural, valorizando práticas que atravessam gerações nas comunidades do entorno da Baía de Todos-os-Santos.
Abrindo a programação, no dia 9, às 14h, o projeto Soró recebe o espetáculo infantil “Mariar Um Mar de Poesias”, com criação e atuação das atrizes e arte-educadoras Emillie Lapa e Natalyne Santos, propondo uma experiência que atravessa música, teatro e poesia a partir da tradição oral e da ancestralidade negra. Em cena, as artistas constroem uma narrativa sensível que dialoga com diferentes públicos, explorando sonoridades afro-brasileiras e o universo simbólico do feminino.
A programação inclui também mais uma edição do Cineclube, no dia 21, às 13h30, no 3º andar da CHS, uma sessão especial com exibição de três produções audiovisuais seguidas de bate-papo com seus realizadores. A atividade reúne o documentário “T de Tubarão”, dirigido por Pólen Acácio, que aborda memórias e vivências de uma comunidade no Subúrbio Ferroviário de Salvador, evidenciando os impactos da intervenção industrial e os processos de ressignificação do território.
Além disso, haverá exibição do curta de ficção “Catraca”, de Raiane Vasconcelos, que acompanha dois irmãos em suas estratégias e descobertas para conquistar o primeiro pagamento de passagem de ônibus; e “Buzú, o curta”, de Lindiwe Aguiar, que retrata o cotidiano em uma linha de transporte público da cidade como um espaço de encontros, afetos e diversidade.
Nos dias 22 e 29, das 16h30 às 18h30, o público poderá participar da ação “Dançando Histórias: Entre Passos e Histórias - Vivência de Forró”, conduzida pelo professor e intérprete de Libras artístico, TJ Weber.
A proposta articula dança, música e memória a partir do forró como expressão cultural coletiva, com encontros realizados na área externa do Mercado Modelo e intervenções no território do Comércio. A iniciativa se expande para além do aulão aberto, propondo uma conexão entre dança, música e projeção pelas ruas.
Encerrando a programação, nos dias 25, 27 e 29 de maio, das 18h30 às 20h30, acontece a formação online “Entre Vozes e Letras: Escritas Negras em Movimento”, ministrada pela arte- educadora, poeta, escritora e produtora cultural, Regina Luz. Voltada a educadores, artistas e demais pessoas interessadas, o curso promove uma imersão na literatura afro-brasileira, com foco em práticas pedagógicas e artísticas alinhadas à educação antirracista.
Agenda de maio na Casa das Histórias de Salvador e Galeria Mercado:
Projeto Soró - Espetáculo Mariar Um Mar de Poesias
Data: 9 de maio - Sábado
Horário: 14h
Local: Casa das Histórias de Salvador
Inscrição: Clique aqui
Oficina Gastronomia Ancestral com Daniele Sales e Tânia Cachoeira
Data: 16 de maio - Sábado
Horário: 9h às 12h
Local: Mirante - Arquivo Público de Salvador/CHS
Inscrição: Clique aqui
Cineclube - Exibições: “T de Tubarão”, “Catraca”, e "Buzú, o curta" + bate-papo com os diretores Pólen Acácio, Raiane Vasconcelos e Lindiwe Aguiar, respectivamente
Data: 21 de maio - Quinta-feira
Horário: 13h30
Local: 3º andar - CHS
Inscrição: Clique aqui
Dançando Histórias - Entre Passos e Histórias: Vivência de Forró com TJ Weber
Datas: 22 e 29 de maio - Sextas-feiras
Horário: 16h30 às 18h30
Local: Entrada da Galeria Mercado
Inscrição: Clique aqui
Entre Vozes e Letras - Escritas Negras em Movimento com Regina Luz (Formação online)
Datas: 25, 27 e 29 de maio - Segunda, quarta e sexta-feira
Horário: 18h30 às 20h30
Formato: Online via Google Meet
Inscrição: Clique aqui
Texto: Priscila Machado / Secom PMS
A Prefeitura de Salvador, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), orienta a população a reforçar os cuidados de prevenção contra a raiva, doença letal que pode infectar animais domésticos e seres humanos. O alerta ocorre diante do registro anual de casos da doença em morcegos na capital e da proximidade da campanha nacional de vacinação antirrábica.
A médica-veterinária e chefe do Setor de Informações em Zoonoses, Ana Lúcia Galvão, explica que a enfermidade é causada por um vírus e pode ser transmitida entre animais e também de animais para pessoas. “Em Salvador, estamos há cerca de 15 anos sem registrar casos de raiva em cães e gatos, que são animais domésticos e de estimação. No entanto, não houve um ano sequer sem registros de raiva em morcegos. Este ano, já testamos três morcegos positivos”, alerta.
Segundo a especialista, o principal risco é quando cães ou gatos entram em contato com morcegos infectados, especialmente aqueles encontrados caídos e com alteração de comportamento. “O cão ou gato pode tentar brincar com o morcego e acabar sendo mordido, contraindo a raiva. Quando isso acontece na rua, o tutor pode não perceber. Pode ser uma mordida ou arranhão pequeno, que passa despercebido. Nesses casos, o animal pode desenvolver a doença, principalmente se não estiver vacinado. Por isso, a vacinação é tão importante”, destaca.
A orientação é que qualquer pessoa que encontre um morcego caído dentro de casa ou em outro ambiente, principalmente em locais com presença de cães e gatos, entre em contato com a Prefeitura pelo Disque Salvador 156. O animal exposto pode receber vacinação para bloquear a progressão da infecção. Quando a imunização ocorre antes do aparecimento dos sintomas, as chances de desenvolvimento da doença são mínimas.
Em casos de mordida por animal com suspeita de raiva, a recomendação é lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, menor será o risco de infecção. Os sintomas podem surgir entre 45 e 90 dias após a exposição.
Vacinação – Ana Galvão reforça que a vacinação antirrábica é fundamental para cães e gatos. “É importante vacinar os animais que convivem conosco. Devemos ter atenção especial com os nossos pets, mas também com os animais semidomiciliados que vivem nas ruas. Muitas pessoas acreditam que basta oferecer alimento e água, mas também é preciso protegê-los dessas doenças fatais. Se for possível conter o animal e levá-lo a um posto de saúde, isso deve ser feito”, orienta.
O CCZ oferece vacinação antirrábica para cães e gatos em aproximadamente 94 unidades de saúde do município. A imunização está disponível durante todo o ano. Além disso, campanhas de vacinação são realizadas anualmente nos bairros da cidade. A previsão é que a campanha nacional ocorra entre julho e agosto, período em que Salvador tradicionalmente se destaca pelo número de animais vacinados.
Filhotes podem ser imunizados a partir dos 90 dias de vida. Após 30 dias, devem receber uma segunda dose de reforço. A partir daí, a vacinação passa a ser anual. Manter o cartão de vacinação atualizado é fundamental para garantir a proteção dos animais.
Letalidade – A veterinária explica que, sem a profilaxia adequada após a contaminação, que pode ocorrer por mordedura, arranhadura ou contato da saliva do animal infectado com mucosas, a doença não tem cura. “Existem apenas três casos registrados no mundo de sobrevivência à raiva, mas os pacientes ficaram com sequelas graves. É uma doença com quase 100% de letalidade”, afirma.
Após se multiplicar nas células musculares, o vírus atinge o sistema nervoso central. Por isso, os sintomas são predominantemente neurológicos, tanto em humanos quanto em animais. Entre os sinais estão irritabilidade intensa, alucinações, convulsões, paralisia, tremores, dormência na região afetada e alterações de sensibilidade. Até mesmo uma corrente de vento pode desencadear espasmos ou convulsões. Também são comuns a aerofobia, que é o medo do vento, e a hidrofobia, medo de água, devido à extrema sensibilidade provocada pela doença.
Ecossistema – A médica-veterinária do CCZ ressalta que os morcegos não devem ser mortos, já que exercem papel essencial no equilíbrio ecológico. “São animais polinizadores, ajudam no controle de insetos e contribuem para a preservação das árvores. A maioria das espécies é frugívora. O problema é que alguns acabam sendo contaminados pelo vírus da raiva ao conviver com morcegos hematófagos, que se alimentam de sangue”, explica.
A recomendação é acionar o CCZ sempre que forem observados morcegos com comportamento incomum, como voar durante o dia, entrar em residências, bater em paredes ou cair no chão.
Texto: Mateus Soares e Marco Pitangueira / Secom PMS
Uma roda de conversa sobre violência doméstica e feminicídio foi realizada nesta quarta-feira (6), no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps IA) do bairro da Liberdade, em Salvador. A atividade foi promovida pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), e reuniu mães, familiares e profissionais para discutir o tema e compartilhar experiências.
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) integram a Rede de Atenção Psicossocial e oferecem cuidados especializados em saúde mental. As unidades atendem pacientes com transtornos mentais graves, incluindo crianças e adolescentes, além de casos relacionados ao uso prejudicial de álcool e outras drogas. No caso do Caps IA Liberdade, o foco é o atendimento de crianças e adolescentes em sofrimento mental.
De acordo com a gerente da unidade, Eliane Cristina, a iniciativa surgiu a partir da rotina de atendimentos. “Promovemos uma roda de conversa com mães atípicas e trouxemos a discussão sobre violência doméstica, que é um tema frequente no serviço. O objetivo é oferecer acolhimento às mulheres”, explicou.
A programação incluiu palestras, práticas integrativas, como massagem, auriculoterapia e ventosaterapia, além de um momento de convivência entre as famílias. Pela manhã, participaram como palestrantes a enfermeira Cátia Leite e a psicóloga Nessie Gusmão, ambas da Casa da Mulher Brasileira. À tarde, a atividade contou com a participação da psicanalista Zenaide Batista.
Segundo a gerente, o evento também possibilitou a identificação de situações reais vividas pelas participantes. “Uma mulher relatou ser vítima de violência e compartilhou sua experiência. Esse tipo de espaço permite que essas histórias venham à tona e fortalece a rede de apoio”, disse.
A gestora afirmou ainda que a proposta vai além da violência física. “Muitas mulheres vivenciam violência sem conseguir identificá-la. Existem outras formas, como a psicológica e a patrimonial. A ideia é promover reflexão para que elas reconheçam essas situações”, completou.
A psicanalista Zenaide Batista reforçou a importância do debate e associou o problema a fatores culturais. “Isso tem relação com uma cultura machista, que coloca o homem como detentor do poder. A violência doméstica surge dessas relações desiguais e pode evoluir para o feminicídio”, declarou.
Ela também destacou a necessidade de ampliar a conscientização. “Se a sociedade não fizer a sua parte, esse ciclo continua. Muitas mulheres não percebem que estão sendo agredidas, porque associam a violência apenas à agressão física”, acrescentou a psicanalista.
Inicialmente voltado para mães atípicas atendidas pela unidade, o encontro também contou com a presença de outros familiares, incluindo pais solo. Segundo a organização, a intenção é ampliar o alcance de ações semelhantes e estimular o debate sobre relações familiares, papéis de gênero e formas de enfrentamento da violência.
Acesse a galeria de fotos: https://comunicacao.salvador.ba.gov.br/roda-de-conversa-debate-violencia-domestica-e-feminicidio/ .
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