A cantora Sarajane puxou o bloco “Me Deixa à Vontade” na tarde desta sexta-feira (21), no Circuito Osmar (Campo Grande), em um desfile bastante animado, que contou até com bolo comemorativo pelos 40 anos de existência da agremiação.
O Me Deixa à Vontade desfilou logo após o Furdunço no Campo Grande. Um dos foliões mais animados era o diretor de teatro e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Paulo Cunha. "Eu vi a rodinha ficar larga”, disse, brincando com a música "A Roda", uma das músicas marcantes da carreira de Sarajane. "É uma festa diversa, que cabe novos e antigos artistas. Tem espaço para todos e, principalmente, para uma das principais artistas do axé music”, finaliza.
Em cima do trio, Sarajane, que vem nesse Carnaval homenageando os 35 anos da axé music, lembrou como foi ter participado do surgimento do movimento musical e da folia na capital baiana. “Meus primeiros palcos foram os trios elétricos. A batida de ‘Merengue Deboche’, música de minha autoria com Carlinhos Brown, e ‘Fricote’ marcam o início do axé", ressaltou.
Energia - A cantora Márcia Freire desfilou logo após, em um trio independente, e disse sentir uma energia muito boa por estar no Circuito Osmar. Ela também aproveitou para celebrar os 70 do surgimento do trio elétrico.“Subia essas escadas que ligam o Vale do Canela ao Campo Grande, às vezes,correndo para pegar o trio”, recordou a artista.
“Eu amo cantar para o povão, como hoje. Minha relação com o trio elétrico vem desde pequena, quando vinha para o Carnaval escondida de minha mãe e pulava até acabar com os pés (risos). Subir nesse caminhão é algo mágico e, sentir o público, é mais ainda”, afirmou Márcia.
Bandas de sopro, manifestações culturais, microtrios e pranchões levaram alegria e muita animação para o Furdunço realizado na tarde desta sexta-feira (21) no Circuito Osmar, no Campo Grande.
Dentre as atrações estiveram Os Eficientes, grupo formado, em sua maioria, por portadores de deficiência e que se uniram através do amor pela música. Em um verdadeiro momento de resgate do Carnaval das antigas, era possível ver pelas ruas do circuito muitas famílias reunidas, casais, crianças com seus pais e até idosos.
Todos saíram de suas casas para celebrar O Carnaval dos Carnavais, como o ator Fabrício Cummings, 43 anos. O folião contou que desde os nove anos acompanhava o bloco Pierrot de Plataforma, bairro em que reside até hoje. Quando criança, as cores, confetes e serpentinas, unidos a toda aquela gente, música e alegria, criavam um mundo mágico na sua cabeça. A paixão pelo festejo se perdura até os dias de hoje.
“O Carnaval é uma festa maravilhosa e também é marcada pela diversidade. Manter ou pelo menos tentar deixar acesa a chama deste Carnaval tradicional é muito importante porque, além de valorizar nossa festa, faz com que os foliões mais novos tenham consciência de como tudo começou”, disse Fabrício, defendendo o Furdunço como ponto alto da folia.
Os novos foliões também foram presenças constantes durante o Furdunço. Acompanhada do seu pai, Rafael Carvalho, 36, a pequena Helena Carvalho, de apenas cinco aninhos, dançava e se divertia ao som de um minitrio.
“O resgate dos antigos carnavais é uma possibilidade que encontro de trazer a minha filha, tanto para curtir com mais tranquilidade como para que ela possa saber como era os carnavais de quando eu era do tamanho dela. Realmente é um momento único. Passam diversas lembranças na memória, principalmente vendo minha filha aqui. É muito maravilhoso”, declarou.
Preservação - Marcando presença a caráter, fantasiado de Pierrot, o psicólogo George de Araújo, 40, destacou a importância da preservação do carnaval mais tradicional. “Entendo perfeitamente que tudo se transforma, assim como o Carnaval. Mas é de grande preciosidade fomentar os carnavais do miniblocos, fanfarras e marchinhas, para que o início de tudo não seja esquecido e seja cada vez mais valorizado. Dessa maneira, criamos foliões mais pertencentes a nossa cultura”.
Engana-se quem pensa que o Furdunço não é um programa para ser feito a dois. O casal França Neves, 56, e Ricardo Neves, 68, que o diga. Eles, que curtem o Carnaval juntos há mais de 20 anos, se deslocaram até o circuito somente para acompanhar os festejos. A ansiedade foi tanta que acabaram até trocando o dia – acharam que era ontem (20).
“Nós só viemos mesmo por causa do Furdunço. É onde a gente pode fugir de muita agonia e se divertir do mesmo jeito. Todas as pessoas precisam viver e sentir o gosto desse Carnaval”, contou França. “Esse é o tipo de Carnaval que a gente ama. Lembra várias histórias e momentos e nos deixa muito felizes. Não podemos deixar nunca que esse tipo de festejo seja deixado de lado. Isso é nosso. É a nossa história”, completou Ricardo.
Atrações - Também fizeram parte da programação do Furdunço a Banda Rasta Groove, Orquestra de Pandeiros de Lauro de Freitas, Val Macambira, Garampiola, Gira Ingonça, Espaço Musical e Dionorina. Fizeram ainda a alegria dos foliões Mamah Soares, Coletivo Di Tambor, Tribass, OQuadro, Os Turunas e Márcia Freire.
Além do clima de festa que já toma conta dos circuitos do Carnaval de Salvador, seis bairros da cidade receberão uma programação especial a partir deste sábado (22). Quem mora na Liberdade, Periperi, Plataforma, Cajazeiras, Boca do Rio, Itapuã e até quem não reside nesses locais, mas prefere curtir a folia de forma mais tranquila e longe da muvuca dos trios, poderá aproveitar mais de 80 atrações. Já a programação em Pau da Lima começa no domingo (23).
O Carnaval nos Bairros acontece até terça-feira (25), com início sempre às 17h. Este ano, os palcos estão montados na Praça Nelson Mandela (Liberdade), Praça Nossa Senhora Auxiliadora (Pau da Lima), Campo do Pronaica (Cajazeiras), Praça da Revolução (Periperi), Praça 15 de Abril (Plataforma), Parque Poliesportivo (Boca do Rio) e Praça Dorival Caymi (Itapuã).
As cantoras Márcia Castro, Carla Cristina, Larissa Luz e uma das precursoras do axé music, Sarajane, são algumas das atrações do Carnaval da Liberdade. No bairro de Periperi, a banda Kart Love, Jorge Zarath e O Poeta, que nesse Carnaval lançou o hit "Tapa no Vento", comandarão a festa.
Já em Plataforma, muita animação com o forró de Adelmário Coelho, o reggae da banda Adão Negro, além do axé e samba reggae de Márcia Short e Buck Jones. Na orla de Salvador, a folia nos bairros de Itapuã e Boca do Rio promete muito agito com Marcia Freire, Psirico e Àttooxxaa. Atrações como Gerônimo, Catia Guimma e As Ganhadeiras de Itapuã também subirão ao palco.
Em Cajazeiras, o público terá atrações como Katê e Rafa e Pipo e, em Pau da Lima, as bandas Didá, Art Balanço, Musical da Bahia, entre outros artistas. A programação completa do Carnaval nos Bairros está disponível no site www. carnaval . salvador . ba . gov . br.
FitDance Kids - As crianças também podem curtir a folia com o projeto FitDance Kids nos Carnaval dos Bairros, onde os pequenos talentos vão ensinar as mais novas coreografias das músicas tocadas no verão. O evento acontece sempre antes dos shows principais. Em Itapuã e Plataforma, será no sábado (22); em Cajazeiras e Liberdade, no domingo (23); na Boca do Rio, na segunda-feira (24); e em Periperi e Pau da Lima, na terça (25).
Estrutura - Durante o Carnaval nos Bairros, a Prefeitura oferece ao folião diversos serviços como os de segurança, através do suporte da Guarda Civil Municipal junto à Policia Militar, limpeza, trânsito, mobilidade, iluminação e ordem pública, dentre outros. Em 2019, o Carnaval nos Bairros também ocorreu em sete localidades de Salvador, com um público de mais de 550 mil pessoas.
Uma das atrações da pipoca na segunda noite oficial do Carnaval de Salvador, no Circuito Dodô (Barra-Ondina), a cantora Margareth Menezes faz uma homenagem aos 40 anos do bloco afro Olodum. Com 32 anos de carreira, ela entrou no circuito com um repertório vasto, com sucessos que marcaram sua trajetória artística de três décadas.
Vestindo um luxuoso macacão vermelho em paetê e um max colete dourado com recortes assimétricos em preto e verde, que também compõem as cores do bloco, a cantora, com look assinado pelo estilista Céu Rocha, entoou sucessos como “Faraó” e “Eligibô”.
Os músicos também vestiram figurinos criados por Júnior Rocha, responsável pelo styling da cantora no Carnaval, com referência ao bloco afro que está comemorando quatro décadas em 2020.
O Observatório da Discriminação Racial, LGBT e Violência contra Mulher tem o intuito de observar, registrar e encaminhar situações de racismo, LGBTfobia e de violência contra as pessoas do sexo feminino nos circuitos do Carnaval. A iniciativa envolve 150 profissionais espalhados em um posto central, no Campo Grande, e seis mirantes, três deles distribuídos no Circuito Osmar (Centro), além de outros três no Circuito Dodô (Barra/Ondina).
Os mirantes do Circuito Osmar estão na Piedade, na Praça Castro Alves e na Casa D´Itália. Já os do Dodô funcionam no Farol da Barra, no antigo Clube Espanhol e no Largo do Camarão. Essas estruturas permitem um campo de visão ampliado e contam com material adequado para os registros de casos de violação dos direitos humanos, com foco nas minorias, e de desrespeito ao Estatuto do Carnaval e à Lei Antibaixaria.
Coordenado pelas secretarias Municipais da Reparação (Semur) e de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), o Observatório desenvolve políticas que envolvem o estatuto do Carnaval, a criação de unidades de acolhimento para crianças durante a festa, a organização e criação de regras para o serviço de cordeiro.
No Carnaval do ano passado, o Observatório registrou 3.268 ocorrências relativas ao descumprimento do Estatuto do Carnaval, da Lei Antibaixaria, aos casos de vulnerabilidade social, de discriminação racial e de desrespeito ou violência contra a mulher e LGBT.
Caso o folião presencie algum tipo de desrespeito, pode efetuar denúncia por meio do WhatsApp do Observatório, no número (71) 98622-5494, ou pela página inicial do site da Semur, no ícone Denuncie.
Idosos com idade a partir de 60 anos e pessoas com deficiência já começaram a curtir o Carnaval nos camarotes acessíveis montados pela Prefeitura nos circuitos Dodô (Barra-Ondina), Osmar (Avenida) e Batatinha (Pelourinho). Por meio das estruturas, a Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre) busca deixar a festa cada vez mais inclusiva.
No início da tarde desta quinta-feira (21), o camarote acessível do Campo Grande recebeu 22 pessoas. As três irmãs Jamile Nadier, 70, Delvair Nadier, 72, e Maria Júlia, 74, aproveitaram a passagem dos trios em grande estilo. Fantasiadas com colar de havaiana e de Mulher Maravilha, elas dançavam a cada apresentação que passava. “Gostei muito. Estou achando tudo excelente, a estrutura, a recepção e as apresentações”, disse.
Regina Bortolo, de 61 anos, aproveitou a tranquilidade do Circuito Osmar para dar um passeio e acompanhar as atrações de perto. “Eu estou muito feliz, sempre gostei muito do carnaval, e o camarote acessível nos possibilita brincar em segurança. Ontem eu estive no camarote acessível de Ondina e vi grandes atrações como Claudinha e Carlinhos Brown. Foi fantástico”.
“Quando falamos em fazer o maior Carnaval de todos os tempos, passa por fazer uma festa inclusiva e com respeito às diferenças. O Carnaval de Salvador é uma das festas mais democráticas do mundo e a ideia do camarote acessível vem nesse sentido de fazer um Carnaval para todos, sem distinção e com muita alegria, amor e respeito”, afirma a titular da Sempre, Ana Paula Matos.
Funcionamento – Os três camarotes têm capacidade para receber 850 pessoas ao longo da folia. Para ter acesso, é preciso estar previamente cadastrado pelo site camaroteacessivel. salvador. ba. gov. br. O camarote situado no Campo Grande tem capacidade para 50 pessoas por dia e está disponível a partir de hoje (21), das 12h às 20h.
O da Piedade tem 100 vagas por dia apenas para pessoas com deficiência e também começou a funcionar hoje, no horário das 13h às 21h. Já o camarote acessível de Ondina conta com 100 vagas mistas por dia, tanto para pessoas com deficiência como para idosos, e está em funcionamento desde ontem (20), das 16h às 2h.
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