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A partir de janeiro de 2017, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) abrigará um setor para cuidar exclusivamente de questões referentes ao Centro Histórico de Salvador. A novidade foi anunciada nesta sexta-feira (18) pelo prefeito ACM Neto, durante a solenidade de reinauguração da Igreja da Ordem 3ª de São Domingos Gusmão, no Terreiro de Jesus. O templo ficou fechado por 22 anos e no próximo dia 3, quando acontece a primeira missa, será reaberto à visitação.

Segundo Neto, o novo departamento será destinado a identificar e solucionar os problemas relacionados à região, em conjunto com entidades federais, estaduais e até mesmo internacionais. A criação da nova diretoria vai integrar a reforma administrativa que será enviada à Câmara de Vereadores.

“As ações relacionadas ao Centro Histórico precisam ser conjuntas e transversais. É preciso destacar a responsabilidade de órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o governo do estado, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), e também da Prefeitura. E tudo daquilo que depender da Prefeitura terá o cuidado necessário, pois a região precisa ser valorizada. Por isso, é tão importante a reinauguração da Igreja de São Domingos. Esse é um passo a mais na valorização do local. Dessa forma, teremos uma cidade ainda mais interessante para quem vive aqui e que seja também um grande atrativo para os turistas”.

De acordo com o prefeito, a nova diretoria contará com dois polos de atuação. “O primeiro será um braço operacional, que vai coordenar as ações que a Prefeitura realizará no centro, integrando ainda as ações do Pelourinho Dia & Noite, de forma a otimizar a coordenação das atividades novas e aquelas que já estão em andamento. Do outro lado, será preciso desenvolver planos e projetos - sempre em diálogo com o setor público e com a sociedade - para induzir a realização de ações benéficas aos bairros que compõem o Centro Histórico”, disse Neto.

Outro importante anúncio do prefeito foi a criação do Projeto Revitalizar, que terá suas ações focadas especificamente na região do Centro Histórico. Na ocasião, Neto informou que em momento oportuno dará maiores informações sobre a nova iniciativa. "O importante agora é lançar um olhar sobre os problemas do Centro Histórico e, de forma conjunta, trabalhar para solucioná-los", disse.

São Domingos – Inaugurada no século 18, a Igreja da Ordem 3ª de São Domingos Gusmão abriga um importante acervo sacro e arquitetônico. De acordo com o padre Lázaro Muniz, pároco da igreja, durante a reforma foram encontrados inúmeros desenhos e pinturas que remontam à fundação do imóvel. “A sacristia foi totalmente recuperada e, com isso, hoje temos acesso a esse tesouro artístico que estava oculto. São obras maravilhosas que estavam cobertas por falta de cuidado ao longo da história. Todo esse tempo funcionando de forma precária causou um grande prejuízo cultural e religioso para a igreja de São Domingos. E isso faz com que os fiéis se dispersem. Com a reforma todos retornarão gradualmente”, informa o religioso.

A reforma da igreja custou cerca de R$ 11 milhões de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De acordo com informações da Arquidiocese, a igreja terá suas atividades retomadas no dia 3 de dezembro, às 9h, com a realização de uma missa, e estará aberta à visitação pública até o início de 2017. “É com muita emoção que recebemos este trabalho concluído, porque isso demonstra também um carinho imenso para com os nossos antepassados, além de oferecer um novo espaço à população. Esta igreja, tenho certeza, será um grande ponto de visitação popular e de oração”, disse o cardeal Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador.

Investimento - Também presente à solenidade, a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, lembrou que o governo federal terá um aporte de R$ 200 milhões para reformas e restaurações de sítios históricos na Bahia, sendo que R$ 142 milhões serão destinados a Salvador. “O governo tem essa sensibilidade de reconhecer nossa missão de proteger o patrimônio, pois é ele quem nos revela nossa história e nos diz quem somos. É preciso, portanto, ter maior consideração com esses tesouros históricos”, afirmou Bogéa, ressaltando que, mesmo em período de recessão, o país continuará investindo em cultura.

“É preciso apertar o cinto, mas o trabalho não pode parar”, explica. Além da igreja de São Domingos, a presidente do Iphan - juntamente com o prefeito ACM Neto - visitou, na tarde desta sexta-feira, o Forte de São Marcelo, que passou por reformas e contou com investimentos na ordem de R$ 7,5 milhões, também de recursos do PAC.

 

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