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Especialistas em planejamento urbano e gestão de centros históricos participaram, nesta sexta-feira (16), de reunião com o prefeito ACM Neto e diversas autoridades municipais, no Hotel Sheraton da Bahia, no Campo Grande. Partindo da premissa de que um espaço público se degrada à medida que não abrigue atividades dinâmicas de forma constante, os palestrantes apresentaram soluções desenvolvidas com sucesso em outras cidades cujo sítio arquitetônico se assemelha ao de Salvador - como Lisboa, Rio de Janeiro e Paraty (RJ) -, e, em consenso, debateram acerca das possibilidades da aplicação dessas práticas exitosas na capital baiana.

Responsável pela abertura do fórum, o prefeito ACM Neto comparou Salvador à capital carioca, que utilizou o advento dos Jogos Olímpicos para implementar uma série de melhorias em seu parque histórico. "Não tivemos a desculpa da Olimpíada, mas não podemos deixar de comparar o momento político e econômico das duas cidades. Lá, eles tiveram a sorte de ter alinhados os governos municipal, estadual e federal, e a coisa avançou. No Centro Histórico de Salvador, também há elementos atuantes das três esferas administrativas, mas não há o consenso entre as partes. Na última década, por sinal, não houve nenhum esforço das partes para discutir melhorias que beneficiassem a região, nem do governo estadual, tampouco da gestão anterior na Prefeitura", explicou.

Em sua explanação, o prefeito reiterou a vocação da capital para o turismo cultural e lembrou que, apesar dos entraves apresentados, desde 2013 a Prefeitura tem trabalhado, dentro das limitações impostas pela gestão compartilhada do espaço, para a revitalização do Centro Histórico nos âmbitos cultural, econômico, turístico e social. "Estamos trabalhando, embora o ritmo das intervenções não seja ainda o desejado devido ao atual momento que passa o país. Quando cheguei à Prefeitura, reuni a equipe e procurei, por meio do Programa Pelourinho Dia e Noite, desenvolver ações para a região, que associem a questão social, o turismo, a infraestrutura e demais aspectos socioeconômicos para fortalecer o nosso Centro Histórico".

Atacar o problema - O prefeito destacou a necessidade de atacar os problemas do Centro Histórico de Salvador de forma dinâmica e completa. "O maior entrave, neste momento, para a expansão comercial da região são os usuários de psicoativos, seja álcool ou drogas ilícitas. É preciso desenvolver meios mais eficazes de atuação, promover a ida para o lugar de comerciantes, artistas e até mesmo tornar o Pelourinho um bairro residencial. Por isso, sempre insisti em manter os órgãos da Prefeitura no Centro Histórico, pois isso garante a presença de pessoas circulando, consumindo e vivendo as coisas do lugar".

Um caso emblemático lembrado pelo prefeito e pela secretária de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps), Ana Paula Matos, diz respeito ao Centro de Referência Especializado da Assistência Social para População em Situação de Rua (Centro Pop) da Baixa dos Sapateiros, inaugurado em dezembro de 2015 e, em menos de um mês já estava parcialmente destruído por ação de vândalos.

"Os próprios empresários da região foram contra a implantação do centro desde o início e pediram à Prefeitura que não ampliasse as ações no local, o que é uma contradição, pois se não querem conviver com os usuários de drogas rondando seus estabelecimentos deveriam concordar com um equipamento que visa melhorar o quadro", concluiu ACM Neto.

Ideias - O encontro é fruto de um seminário realizado no Instituto ACM com o objetivo de debater a mesma temática, e contou ainda com a participação da coordenadora de Cultura da Unesco no Brasil, Patrícia Reis, o presidente da Casa Azul de Paraty, Mauro Munhoz, a diretora de Economia e Inovação da Prefeitura de Lisboa, Branca Neves, e o presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade e do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural, Washington Fajardo.

Branca Neves lembrou-se das similaridades entre Lisboa e Salvador e identificou pontos aplicados na capital portuguesa que podem auxiliar na revitalização da capital baiana. "Salvador e Lisboa são cidades-irmãs, bastante parecidas em diversos aspectos, sendo inclusive afetadas pelas decisões das esferas políticas. Entretanto, são essas mesmas ações que determinam o andamento desse trabalho de revitalização. Com a unidade, todos ganham: os governantes, a sociedade e os visitantes que vão desfrutar de uma cidade melhor. Em Lisboa, os governantes perceberam essa necessidade de estar mais próximos da sociedade e essa é uma experiência, com iniciativas e políticas dinâmicas de desenvolvimento econômico e social, que podemos compartilhar com Salvador, principalmente os resultados e o impacto de Lisboa junto à Comunidade Europeia".

"O grande propósito é que as cidades inspirem com as outras. Algumas coisas são fáceis de reproduzir em vários locais, enquanto outras carecem de uma solução local, de acordo com as características dos centros históricos de Salvador e do Rio de Janeiro. A grande mensagem que trago, é a necessidade de envolvimento direto do poder público com dedicação ao espaço público, com questões de infraestrutura e demais serviços públicos para cuidar bem desse território, que tem função estratégica para a cidade", comentou Washington Fajardo.

 

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